Palestras abordam prevenção ao câncer e apoio psicológico às pacientes

Uma em cada oito mulheres terão câncer de mama no Brasil. São 59 mil novos casos no país em 2018. “A informação pode fazer toda a diferença na prevenção e tratamento da doença”, disse a médica mastologista e doutora em Oncologia, Gláucia Mesquita, durante palestra para servidoras do Fórum Des. Sarney Costa (Calhau), na manhã desta segunda-feira (22), como parte da campanha Outubro Rosa, desenvolvida pelo órgão. Também foram abordados os aspectos psicológicos da pessoa com câncer de mama, pela psicóloga Caroline Silva Freire.

A diretora do Fórum de São Luís, juíza Diva Maria de Barros Mendes, lembrou, durante a abertura do evento, no Auditório Desa. Madalena Serejo, que a maior importância da campanha Outubro Rosa é levar informação para que as pessoas saibam o que é, como prevenir e tratar o câncer de mama, que acomete não apenas mulheres, mas também os homens. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), 1% dos casos são em pessoas do sexo masculino, o que significa que para cada 100 casos em mulheres, um homem tem câncer de mama.

A mastologista falou sobre os sintomas, prevenção e tratamento do câncer de mama, inclusive o tratamento disponível na rede pública de saúde, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). Apresentou dados sobre a incidência da doença, os fatores de risco e a importância do exame para diagnóstico precoce.

A médica alertou para os sinais que levam ao câncer de mama e disse que na fase inicial a doença não se manifesta, é silenciosa. Por isso, a importância dos exames preventivos serem realizados periodicamente. Afirmou também que a grande maioria das alterações nas mamas são benignas e que as mulheres com idade a partir dos 50 anos têm maior tendência ao câncer. Para uma plateia atenta, a mastologista apresentou os 12 sintomas da doença, que vão desde o endurecimento da mama até o caroço interno. Ela destacou os fatores de risco, como história familiar, mutação genética, não ter filhos, não amamentar, sedentarismo, obesidade, má alimentação, tabagismo e reposição hormonal.

Sobre o autoexame da mama, Gláucia Mesquita explicou que é importante para a prevenção do câncer, mas não substitui a mamografia. Segundo a médica, há nódulos nos seios que só a mamografia vai detectar e que a doença sendo diagnosticada no início tem 98% de chances de cura. ”Temos que batalhar pela cura”, afirmou. A mastologista orienta que toda mulher deve, a partir dos 40 anos de idade e independente dos sintomas, fazer a mamografia e, se houver histórico familiar de câncer, o exame deve ser feito antes dessa idade.

Gláucia Mesquita esclareceu que o tratamento inclui a cirurgia, que é o tratamento principal; quimioterapia e radioterapia, de acordo com cada caso; e hormonioterapia. Também ressaltou que não é recomendável a retirada de nódulos dos seios, sem realizar a biópisia antes. Disse, ainda, que no caso de mulheres submetidas à mastectomia (retirada da mama), em 87% dos casos no SUS se faz a reconstrução da mama no ato da cirurgia. No Maranhão, conforme médica, a reconstrução é feita pelos próprios mastologistas, todos treinados em reconstrução de mamas.

APOIO PSICOLÓGICO – a psicóloga clínica e especialista em Psico oncologia, Caroline Silva Freire, explicou sobre a importância dos aspectos psicológicos no tratamento da pessoa com câncer e o apoio à paciente e aos seus familiares. Esse atendimento, de acordo com a especialista, vai do pré-diagnóstico, consulta e realização de exames e espera dos resultados, diagnóstico, sintomas, expectativas e esperança na cura. “A pergunta mais comum da pessoa que é diagnosticada com câncer é: vou morrer?”, disse a psicóloga.

Caroline Freire falou também sobre o que representa para a mulher sintomas como queda de cabelos e a cirurgia de retirada da mama e que nessa fase a paciente precisa ter um apoio psicológico. “A beleza feminina não está exatamente nas mamas e nos cabelos, mas na forma como a mulher se externa”, ressaltou. A psicóloga disse que após a cirurgia, muitas sentem medo de ser abandonas, do que o companheiro vai sentir ou dizer, de como as pessoas vão olhar para elas, a sensação de que lhes falta uma parte importante do corpo, de que não são mais as mesmas. “Estigmas e preconceitos vêm da falta de informação sobre a doença. Por isso a importância de buscar informações com os profissionais”, afirmou.

Ela disse que o psicólogo pode ajudar tanto a paciente como seus familiares, estando presente no pré e no pós-tratamento da doença; na escuta das dores, inseguranças e medos; e acolhimento no momento de fragilidade e sofrimento. Também auxilia no despertar e desenvolver de mecanismos de enfrentamento da doença; na aceitação, proporcionando mais tranquilidade e confiança; motivando a paciente e sua família a seguirem em frente; além de ajudar os familiares na compreensão necessária à mulher, durante as fases da doença (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação).

CAMPANHA – As palestras da campanha Outubro Rosa foram promovidas pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, por meio da Divisão Médica do Tribunal, com o apoio da Diretoria do Fórum Des. Sarney Costa. No início deste mês, os dois eventos ocorreram também no auditório do Centro Administrativo do Poder Judiciário (Centro).

No Fórum de São Luís, a programação da campanha também inclui o projeto Geladeira Solidária, uma parceria com a Indústria de Refrigerantes Psiu, que disponibiliza no hall do Fórum, no período de 22 de outubro até 15 de dezembro de 2018, uma geladeira para venda de água, refrigerantes, energéticos e sucos, com a renda revertida para o Hospital do Câncer Aldenora Belo. Cada item é vendido pelo valor de R$ 2,00.

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.