Renan diz que FHC, Serra e Aécio não aprovam ações do PSDB contra Sarney

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), disse nesta terça-feira que a ação do PSDB contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi um “equívoco” e não conta com o aval da direção do partido. Segundo o peemedebista, se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), tivessem sido consultados, não haveria representações no Conselho de Ética do PSDB contra Sarney.

 

Renan sustentou que a crise tem como pano de fundo as eleições de 2010 e que ela só vai terminar quando os senadores “entenderem que ela é política e não institucional”. O líder do PMDB afirmou ainda que a representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar está pronta e depende apenas da direção do PMDB protocolar.

“Ao partidarizar a crise do Senado, nós tivemos que apresentar uma resposta. Agora, se o Serra, o Aécio e o Fernando Henrique tivessem sido consultados, essa ação do PSDB contra Sarney não seria apresentada. No fundo, no fundo é uma cortina de fumaça, é uma ótica diferente, o que está em jogo é a eleição de 2010. Não é uma ilusão de ótica, é ilusão de ética que alguns fariseus tentam passar para o país. Essas pessoas que travam esse debate, elas não convencem com a legitimidade delas de falar sobre isso”, afirmou.

Na avaliação de Calheiros, apesar da pressão dos tucanos para que Sarney deixe o cargo, uma possível aliança entre PMDB e PSDB na disputa eleitoral no próximo ano não está totalmente descartada.

“O PMDB e o PSDB sempre tiveram a melhor convivência, eu mesmo fui ministro da Justiça do governo do ex-presidente Fernando Henrique, passei 17 meses no ministério. O PMDB faz aliança em pelo menos 10 Estados. Entendo que foi um equívoco. Uma coisa foi uma denúncia de alguém, outra coisa é uma denúncia de alguém, outra coisa é uma representação partidária. A representação eleva o patamar da crise. Transforma a crise que é meramente política, em político-partidária”, disse.

O Conselho de Ética do Senado já reúne 11 acusações contra o presidente da Casa. São cinco representações por quebra de decoro parlamentar –três apresentadas pelo PSDB e duas pelo PSOL– e seis denúncias –quatro protocoladas por Virgílio e outras duas dele com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Articulações

Na semana passada, assim que o PSDB protocolou as acusações contra Sarney, caciques do PSDB entraram em campo para minimizar os ataques dos correligionários para mostrar que o afastamento de Sarney é uma questão apenas dentro Casa Legislativa, sem envolver as cúpulas dos partidos.

Fernando Henrique, Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin (secretário de Desenvolvimento de São Paulo) dispararam telefonemas ao peemedebista. Nas conversas, os tucanos disseram ao presidente do Senado que tentaram evitar que o partido transformasse as quatro denúncias apresentadas pelo líder do PDSB no Senado, Arthur Virgílio (AM), em três representações no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Argumentaram que não conseguiram por causa da pressão de Virgílio.

O governador Aécio Neves aproveitou a permanência de Sarney em São Paulo, que acompanhava a recuperação de sua mulher, Marly, para dar o recado pessoalmente.

Tucanos e petistas estão preocupados com o desgaste da pressão dos correligionários nas alianças de 2010. O PMDB é o partido com maior número de filiados e registrou, nas eleições do ano passado, o maior número de votos e prefeituras conquistadas.

Com o apoio do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), os tucanos trabalham para fechar parcerias estaduais com o PMDB e ainda têm esperanças de que o partido possa apoiar a candidatura de Serra ou Aécio. Os petistas, por outro lado, contam com a movimentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para segurar o PMDB como vice na chapa governista.

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