Polícia suíça detém dirigentes da Fifa investigados por corrupção nos EUA

A polícia suíça realizou nesta quarta-feira (27/05), a pedido das autoridades dos EUA, uma operação surpresa para deter seis dirigentes da Fifa investigados por corrupção e com mandados de extradição. As identidades dos cartolas ainda não foram divulgadas.

Agentes chegaram no início da manhã (horário local) ao luxuoso hotel cinco estrelas Baur au Lac, em Zurique, onde os dirigentes estão reunidos para um congresso anual da entidade máxima do futebol. A entrada do prédio foi bloqueada e dezenas de jornalistas se aglomeravam no local. Ainda não há informações de para onde os detidos foram levados.

Os alvos da operação seriam principalmente dirigentes da Concacaf. A entidade, que reúne as seleções da América Central, realizou na terça (26) uma reunião que contou com a presença do presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Entre os seis detidos estaria Jeffrey Webb, presidente da Concacaf e vice da Fifa. Segundo a entidade, Blatter não está nem entre os detidos, nem entre os acusados.

As acusações, segundo a polícia suíça, estão relacionadas a um vasto esquema de corrupção de mais de US$ 100 mi dentro da Fifa nos últimos 20 anos, envolvendo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro em negócios ligados a campeonatos na América Latina e acordos de marketing e transmissão televisiva.

Além da investigação nos EUA, as autoridades suíças recolheram nesta quarta documentos na sede da Fifa, em Zurique, em uma investigação relacionada à escolha das sedes das copas de 2018 e 2022.

A rede de TV CNN afirma que a Corte Federal em Nova York deve apresentar nesta quarta-feira acusações formais contra até 14 pessoas envolvidas no caso. Segundo a emissora, Blatter não está entre os acusados.

Citando fontes ligadas ao governo americano, o jornal “The New York Times” afirma que o ex-presidente da CBF José Maria Marin está entre os dirigentes que serão acusados. Além dele e de Jeffrey Webb estão Eugenio Figueredo, Jack Warner, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Rafael Esquivel, e Nicolás Leoz. Acusações também devem ser feitas contra os executivos de marketing esportivo Alejandro Burzaco, Aaron Davidson, Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, e contra José Margulies, um suposto intermediário que facilitava pagamentos ilegais.

O ex-presidente da CBF e da organização da Copa do Mundo de 2014 José Maria Marin, está entre os detidos nesta quarta-feira, 27, em Zurique e acusados pela Justiça americana de ter recebido propinas milionárias em esquemas de corrupção no futebol. O jornal O Estado de S. Paulo não o encontrou em seu quarto de hotel em Zurique nesta manhã e, segundo fontes que estiveram no lobby do estabelecimento, dois policiais carregaram malas e uma pasta com o símbolo da CBF. Pálido e visivelmente nervoso, ele foi conduzido a um carro.

A Justiça americana confirmou a prisão e indicou que parte das propinas se referia à organização da Copa do Brasil, Taça Libertadores da América e mesmo da Copa América. Além de corrupção, Marin é acusado de “conspiração” e pode ser extraditado aos EUA. Segundo os americanos, quem também será acusado é José Hawilla, fundador da Traffic Group.

A Fifa realiza na sexta-feira (29) a eleição do novo presidente. No cargo desde 1998, Blatter deve ser reeleito com tranquilidade-seu único adversário é o príncipe da Jordânia, Ali bin Al-Hussein. Em comunicado nesta quarta comentando a operação da polícia suíça, Ali disse que “hoje é um dia triste para o futebol”.

O ex-jogador português Luís Figo era candidato até semana passada, quandosaiu da disputa disparando contra o comando da entidade. Junto dele também desistiu da candidatura o dirigente holandês Michael van Praag. Ambos apoiam agora o príncipe da Jordânia.

Em um comunicado, Figo criticou a eleição de sexta e classificou de “ditadura” o atual modelo de comando da Fifa.

Ao todo, 209 federações votam no pleito. Até agora, do ponto de vista relevante, o príncipe da Jordânia recebeu apenas o apoio dos cartolas europeus, sobretudo do presidente da Uefa, Michel Platini, mas insuficiente para derrotar Blatter.

 

 

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