Orçamento com medidas de austeridade tem 1ª aprovação na Argentina e vai ao Senado

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na manhã desta quinta-feira (25), o austero projeto orçamentário do presidente Mauricio Macri para 2019, em uma vitória política para o líder que tenta fazer acentuados cortes de gastos exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Agora, a proposta orçamentária vai para o Senado, onde deve ser votada no próximo mês. Visando a reeleição em 2019, Macri negociou uma ampliação do apoio financeiro do FMI, para US$ 57 bilhões, se comprometendo a cortar seu déficit fiscal primário de uma previsão de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018.

O orçamento em discussão no Congresso propõe zerar o déficit orçamentário do país no próximo ano, através de fortes ajustes de gastos em diversas áreas do governo – em 2017, as contas públicas da Argentina registraram um déficit de 3,9% do PIB.

Macri propõe cortar US$ 10 bilhões em gastos com saúde, educação, pesquisa, transportes, obras públicas e cultura, entre outros.

Também prevê a redução da inflação estimada em 42% neste ano para 23% no próximo, enquanto aposta em uma retração econômica de -2% neste ano e de -0,5% em 2019. O orçamento foi elaborado com base em uma taxa de câmbio média de 40,10 pesos por dólar, segundo a imprensa local.

A votação na Câmara dos Deputados foi de 138 votos a favor e 103 contra, com 8 abstenções, após um debate de 18 horas que começou ao meio-dia de quarta-feira e que foi marcado por violentos protestos do lado de fora do Congresso, onde a polícia de choque usou gás lacrimogêneo, canhões d’água e balas de borracha.

Milhares de ativistas liderados por professores, organizações sociais e grupos de esquerda contrários às medidas de austeridade de Macri protestaram pacificamente em frente ao Congresso na quarta-feira, mas pequenos grupos de manifestantes jogaram pedras e entulhos durante as marchas. A Polícia Federal disse que 18 pessoas foram presas até a tarde de quarta-feira.

Frustrados com a recessão exacerbada por cortes em subsídios de utilidade pública que elevaram contas de eletricidade e aquecimento, os argentinos estão pessimistas sobre a habilidade de Macri estabilizar a economia com suas políticas ortodoxas, indicou recente pesquisa de opinião.

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