Nua no teatro, Alexia Dechamps brinca: ‘Gostaria de estar mais durinha, mas é o que tem pra hoje’

Alexia Dechamps fez até promessa para Iemanjá, na esperança de que o diretor Jorge Farjalla desistisse de fazê-la ficar nua em “Senhora dos afogados”, peça de Nelson Rodrigues, que ela protagoniza a partir desta sexta (5), no Teatro XP.

“Pensei: ‘não, por favor, estou com 50 anos!’”, brinca. Não conseguiu, mas o incômodo inicial dos ensaios foi, aos poucos, dando lugar à naturalidade. “Quando peguei a personagem de jeito, isso passou a ser o de menos. Tem a proteção da luz, é uma cena delicada e não gratuita. Estou à vontade, e os elogios têm sido incríveis”, diz ela, que já apresentou a peça no interior de São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

Depois de encenar o espetáculo “Filha, mãe, avó e puta – Uma entrevista”, sobre a ex-prostituta Gabriela Leite, e de aparecer irreconhecível na pele de Maura, uma mulher bastante idosa, em “Dorotéia”, a atriz dá mais um passo em direção à desconstrução da imagem de atriz-gata e só.

“Quero  sair dos personagens que sempre me inseriram, dentro de padrões de beleza e elegância. Não me limito a isso”, afirma ela, que vive Dona Eduarda, mulher maltratada pelo marido. “Ela é bonita, mas complexa, profunda e resignada. Tem uma tristeza profunda, uma necessidade de ser amada, e só recebe o ódio. Em ‘Doroteia’, os meus amigos nem me reconheciam, eu interpretava uma velha”, conta Alexia, que foi parar no hospital por causa da personagem. É que a atriz tinha que ficar muitas horas curvada, o que lhe causou muitas dores musculares.

A busca por um caminho mais “cult” veio junto com a necessidade da atriz em se aprofundar na profissão – da qual, depois vários papeis na TV, ela havia se afastado. “Resolvi voltar fazendo essa espécie de faculdade que é o teatro, a base do ator”.

O tempo longe do ofício também trouxe outros aprendizados, como o envolvimento com a causa dos animais. “Tive uma tristeza profunda quando parei de trabalhar e peguei uma vira-lata para cuidar. Ela foi a minha conexão com o mundo. A chamei de Menina de Deus, pois ela foi uma salvação. Tenho certeza que foi um anjo que  a colocou na minha frente. Ela me mostrou essa causa”.

A paixão pelos animais reflete no corpo, segundo Alexia. “Desde que parei de comer carne, minha saúde melhorou muito. Não gripei mais”. Comer, na verdade, é algo que Alexia faz cada vez menos… “Como muito pouco mesmo, minhas amigas dizem que tenho um chip dentro de mim”, diz ela, que mede 1m75 pesa 61kg, malha, corre e pedala. “Gostaria de estar melhor, poderia estar mais durinha e definida. Mas não posso reclamar, é o que tem pra hoje”.

FONTE: SITE O GLOBO

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