Mulheres relatam dificuldade de tratamento de câncer de mama à distância no Maranhão

A campanha Outubro Rosa de prevenção ao câncer de mama iniciou nesta segunda-feira (1) e no Maranhão mulheres que moram no interior contam sobre as dificuldades encontradas ao realizar o tratamento longe de suas casas.

Como é o caso da paciente Verônica Alves, de 40 anos, que nasceu com uma deficiência mental e descobriu a doença no ano passado. A mãe dela, Raimunda Alves, diz que faz tudo pela filha foi quem levou para as consultas e recebeu o diagnóstico. “Eu pensei logo que era câncer, mas eu não disse para ninguém. Eu não chorei por chorar, eu disse: Deus vai tomar conta. Aí ela me deu logo um papel para eu levar para minha cidade, para passar ela para o SUS”, contou.

Raimunda Alves cuida da filha, Verônica Alves, que sofre de deficiência mental e foi diagnosticada com câncer — Foto: Reprodução/TV Mirante

Raimunda Alves cuida da filha, Verônica Alves, que sofre de deficiência mental e foi diagnosticada com câncer — Foto: Reprodução/TV Mirante

Mãe e filha viajaram do município de Tasso Fragoso em direação a São Luís. Raimunda lembra que o diagnóstico foi mais assustador por conhecerem tantos casos de vítimas do câncer. “Quando eu recebi essa notícia, parece que um buraco no chão abriu e eu entrei. Fiquei imaginando que as pessoas que sabem a gravidade do problema já sofrem, imagina uma pessoa como ela que não sabe de nada. Só que ela é uma pessoa que me faz ter mais fé no mundo. Eu virei as costas para ela quando ela perguntou o motivo de eu chorar e ela disse: mãe não chore não, eu não vou morrer porque Jesus não vai deixar eu morrer e agora eu vou dormir”.

A dona de casa Raimunda Matos, de 58 anos, faz quimioterapia e semanalmente ela viaja 60 km de Cinelândia até Imperatriz. As suspeitas iniciaram quando ela percebeu que havia algo errado no corpo ao tocar os seios há dois anos, mas, ainda assim, demorou a fazer a mamografia. Ela conta que logo que recebeu a notícia de que precisaria fazer a cirurgia para retirar a mama ficou aflita. “Foi muito difícil, eu marquei a cirurgia no dia 22 de janeiro para fazer no dia 28 de fevereiro. Imagina passar um mês todo, quase fiquei depressiva, minha pressão ficou descontrolada. Eu não dormia e não comia direito, vou confessar que foi difícil”, lembrou.

Raimunda Matos viaja semanalmente de de Cinelândia até Imperatriz para fazer quimioterapia — Foto: Reprodução/TV Mirante

Raimunda Matos viaja semanalmente de de Cinelândia até Imperatriz para fazer quimioterapia — Foto: Reprodução/TV Mirante

A também dona de casa Odinéia Almeida percebeu um nódulo palpável no seio após o banho e após três meses ela decidiu procurar um médico. Ela conta que primeira consulta com um oncologista para saber qual seria a forma de tratamento contra o câncer resultou em uma confusão de sentimentos. “Quando eu descobri que estava com câncer e eu saí do hospital, fiquei nervosa e triste. Passei dias pensando no que ia acontecer com a minha vida”.

Especialista fala sobre acompanhamento psicológico para mulheres com câncer de mama
Bom Dia Mirante
Especialista fala sobre acompanhamento psicológico para mulheres com câncer de mama

Especialista fala sobre acompanhamento psicológico para mulheres com câncer de mama

De acordo com o médico oncologista, Adriano Rego, o primeiro passo na descoberta do câncer é fazer o exame de mamografia. “A mulher deve ir em uma unidade básica, relatar que avaliou a mama e descobriu a lesão. Uma vez constatado pelo profissional de saúde que realmente seja uma lesão de caráter suspeito ela vai ser encaminhada para uma unidade secundária que possa fazer uma análise mais pormenorizada dessa lesão e essa análise é uma biópsia. Uma vez feita a análise através de uma biópsia da mama e confirmado o tumor na mama essa unidade secundária encaminha para uma unidade de alta complexidade oncológica, confirmando o câncer”, explicou o médico.

O especialista acredita que os avanços para reduzir os números que coloca esse tipo de câncer sempre à frente dos que mais acometem as mulheres no mundo também passa por mais investimentos na atenção básica de saúde. “Uma vez melhorado esse modelo de diagnóstico inicial que tem esse foco inicial na tensão básica vamos conseguir com que o paciente chegue mais precocemente as unidades avançadas de tratamento e numa fase inicial da doença, onde o impacto do tratamento tem um grau de resolutividade muito maior para o paciente”, finalizou.

Dona de casa Odinéia Almeida também percebeu um nódulo palpável no seio após o banho — Foto: Reprodução/TV Mirante

Dona de casa Odinéia Almeida também percebeu um nódulo palpável no seio após o banho — Foto: Reprodução/TV Mirante

FONTE G1

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