Mané Garrincha não a casa do Flamengo

Sem o Maracanã, o Flamengo elegeu como palco ideal o Mané Garrincha, onde passou a jogar com boa frequência desde a reforma do estádio, em 2013. Os resultados financeiros são ótimos. Em 17 jogos, o público total foi de 597.389 presentes (média de 35.140 por partida) e a arrecadação bruta de R$ 38.549.875 (R$ 2.267.639,7 por confronto), mas os resultados esportivos, em contrapartida, deixam muito a desejar. Some-se a isso a insatisfação de atletas com constantes viagens e a qualidade do gramado.

A torcida local, por sua vez, já permitiu que o Mané virasse campo neutro em algumas oportunidades e pisou na bola ao vaiar muito o time em compromisso que interrompeu ótima arrancada no Brasileiro de 2015.

Veja abaixo cinco motivos que levam a crer que Brasília não é a casa do Flamengo:

1) Retrospecto negativo

Em 17 jogos realizados na capital desde que o Mané virou arena de Copa do Mundo, o Flamengo venceu apenas três vezes, perdeu outras três e empatou 11. O aproveitamento é de 39%. Vale destacar que destas partidas, o Rubro-Negro só não foi mandante contra Santos (0x0 em 2013), Vasco (1×0 em 2013) e Fluminense (2×1 em 2016).

2) Viagens a mais

Em vez de optar por jogos em Volta Redonda ou Edson Passos, o Flamengo adicionou cinco viagens ao seu calendário em 2016 em função da preocupação com arrecadação. Em diversas entrevistas, Muricy Ramalho, ex-treinador rubro-negro, reclamou que era preciso encontrar uma equação entre ganhos financeiros e resultados esportivos.

Em duas destas viagens, o Flamengo ainda teve a falta de sorte de encontrar problemas pontuais. Em março, ao embarcar para a capital de olho na partida com o Figueirense, o mau tempo estendeu o tempo de voo, e na chegada a aeronave arremeteu. Esperava-se que a viagem fosse feita em uma hora e quarenta minutos, mas acabou concluída em quatro horas e 18 minutos.

Em 4 de junho, um dia antes do duelo com o Palmeiras, novo problema, desta vez no avião. A decolagem estava prevista para 15h, mas só aconteceu mais de quatro horas depois.

3) Campo ruim

O gramado do Mané Garrincha foi publicamente criticado por Muricy Ramalho e Willian Arão. O ex-comandante o fez após o empate contra o Figueirense (1×1), em março.

Gostei de Brasília primeiro porque o estádio é muito bom. O campo não estava tão bom igual da outra vez, não sei o que aconteceu, mas temos que valorizar o lugar. Temos muita torcida aqui, e é bom o jogador jogar sempre no mesmo lugar. A gente não quer é se movimentar muito – disse o então técnico Muricy Ramalho.

Há 15 dias, depois da derrota por 2 a 1 do Palmeiras, Willian Arão também cornetou o campo e reclamou da quebra de rotina de jogos em Volta Redonda.

– Primeiro: dentro de casa, né? Porque a gente estava começando a jogar em Volta Redonda, agora volta aqui para Brasília. A última vez que a gente veio aqui o gramado estava bem diferente do que está hoje. É difícil falar (do gramado), porque estava cheio de buraco antes e agora a grama estava um pouquinho alta, mas não estava muito ruim não.

4) Mandante?

Nos últimos dois jogos do Flamengo em Brasília, uma coisa ficou clara: enfrentar clube grande lá pode resultar em campo neutro. Contra o Palmeiras, os alviverdes foram muito mais barulhentos e dividiram o Mané Garrincha. Neste domingo, diante do São Paulo, havia mais rubro-negros, porém o número de são-paulinos foi grande. Além disso, estava previsto que o setor inferior seria exclusivo aos flamenguistas, mas isso não foi respeitado. Torcedores chegavam à paisana e já na arquibancada exibiam seus pertences alusivos aos Tricolor (veja abaixo).

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