Líderes dos ataques em São Luís devem ser transferidos nesta semana

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) do Maranhão adotou novas estratégias para combater a violência em São Luís, após os ataques a ônibus e delegacias acontecidos na última sexta-feira (3), no que considera um confronto do “bem contra o mal”. Os ataques a veículos do sistema de transporte público da capital foram registrados nos bairros do João Paulo, Jardim América, Vila Sarney Filho e nas proximidades da Avenida Ferreira Gullar, região conhecida como Ilhinha. As ações resultaram na morte da menina Ana Clara, de seis anos, que ficou com mais de 90% do corpo queimado. A irmã, Lorrane Beatriz Santos, e a mãe de Ana Clara, Juliane Carvalho Santos, também, foram internadas com queimaduras. Márcio Ronny da Cruz Nunes, que tentou ajudar a família, permanece internado, também, com queimaduras pelo corpo.

Nessa segunda-feira (6), cinco suspeitos foram presos e um adolescente, de 14 anos, foi apreendido. Um deles está com queimaduras pelo corpo e é o principal suspeito por ter incendiado um dos ônibus alvos dos ataques, na Vila Sarney.

Ontem, o governo do Estado, em nota, informou que já encaminhou à Procuradoria Geral da República (PGR) informações sobre o Sistema Carcerário do Maranhão, onde está detalhado o plano de investimentos de mais de R$ 130 milhões na construção de presídios.

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), também, se manifestou sobre a crise no Sistema Penitenciário do Estado, que provocou momentos de tensão na segurança pública. Segundo a nota, as causas mais determinantes para o agravamento da questão carcerária decorrem de fatos independentes do Judiciário, como a falta de vagas no Sistema Penitenciário. De acordo com o Tribunal, em decorrência da falta de vagas, há um número excessivo de presos provisórios ou não em delegacias. Ainda segundo o TJ-MA, o Judiciário vem desenvolvendo programas e ações com vistas ao saneamento da execução penal, promovendo a redução do número de presos provisórios e garantindo os direitos dos condenados e egressos.

Prevenção

Nesta terça-feira (7), em entrevista ao Imirante.com, a delegada-geral da Polícia Civil, Cristina Meneses, comentou as ações da cúpula da Segurança Pública para evitar novos ataques. Sobre as ações de criminosos na última sexta-feira, ela acredita que não foi possível evitar os ataques acontecidos em função da rapidez, desorganização e falta de ética dos criminosos.

 

Delegada-geral da Polícia Civil, Cristina Meneses. Foto: Maurício Araya / Imirante.com.

 

“Eu creio que não, porque houve um comando desorganizado, tanto que provocou a morte de uma criança. Os comandos, quando são organizados, e a gente tem visto isso em outros ataques, em outras cidades, eles não permitem que a população se volte contra a criminalidade. Eles mesmos têm alguma ética. Apesar de criminosos frios, eles têm alguma ética. Nesse caso, houve um comando urgente: ‘vamos queimar ônibus’. Em uma hora, eles já estavam praticando isso. Infelizmente, nós não conseguimos chegar a tempo, organizar toda a polícia na rua em uma hora, mesmo porque nosso efetivo é pequeno”, comentou –

Investigação

Cristina Meneses esclareceu que a investigação sobre as facções criminosas que atuam na Região Metropolitana de São Luís já dura, pelo menos, seis meses. Uma das medidas adotadas pela SSP e pela Delegacia Geral de Polícia Civil do Maranhão é o reforço no trabalho de investigação. “Nós temos já instalada uma investigação que vem há quase seis meses monitorando, apurando os participantes das facções criminosas. Nós temos dois delegados, Damasceno e Larrar, e, agora, nós, incrementaremos essa equipe com mais dois delegados para finalizarmos uma investigação já iniciada. Essa investigação nos indicou, nos fez concluir a respeito de quais são as facções, quem são seus líderes e a maioria de seus integrantes. Diante dessa investigação, nós já realizamos várias prisões. Vários deles estão já no presídio, atualmente, e vinham de lá comandando, ainda, o crime”, disse.

Outra medida adotada pelo Estado é a transferência dos líderes dessas facções. No fim de semana, o Ministério da Justiça ofereceu, ao Maranhão, vagas em presídios federais de segurança máxima, instalados em Mossoró (RN), Campo Grande (MS), Catanduva (PR) e Porto Velho (RO). De acordo com a delegada-geral, a governadora do Estado, Roseana Sarney, determinou que as transferências dos líderes da facção criminosa que organizou os ataques em São Luís sejam transferidos imediatamente, o que deve ocorrer ainda nesta semana. “Nós tivemos a oportunidade de ter essas vagas. Não é fácil. É muito complicado você conseguir vagas nos presídios federais, porque todo o Brasil quer vagas”, diz.

Delegacia

O governo do Maranhão anunciou, ainda, a instalação de uma delegacia dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Dois delegados, quatro investigadores e dois escrivães devem agilizar os inquéritos sobre homicídios registrados dentro do conjunto de presídios. “Nós vamos montar, ali, uma força-tarefa, para dar vazão a todos os inquéritos sobre homicídios já iniciados, que, ainda, não foram apurados, porque muitos deles já foram apurados. Por exemplo, no caso da CCPJ do Anil, todos os homicídios foram apurados, autorias e circunstâncias. Eu diria que uns 40% de todos os ocorridos nos outros presídios já foram apurados”, afirmou a delegada-geral.

A instalação da delegacia deve ocorrer até, no máximo, a próxima semana, garante Cristina Meneses. Segundo ela, a medida emergencial e temporária. “Agora, com a presença de delegados dentro do sistema e com as transferências dessas lideranças, eu creio que nós conseguiremos concluir todos os inquéritos de todos os homicídios acontecidos ali e encarcerar aqueles que, ainda, estão fora”, completa.

Ontem, em comentário na rádio CBNo jornalista, escritor e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, criticou a medida. Gabeira esteve, há dois anos, em São Luís e teve acesso ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas – em uma diligência realizada pela Câmara dos Deputados no conjunto de presídios.

Vistoria e efetivo

Mesmo com as novas medidas, o acesso de armas, munições e objetos como celulares e até televisão parece, ainda, facilitado no Completo Penitenciário de Pedrinhas. Após uma vistoria na Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Pedrinhas, o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) apreendeu 20 cartuchos de bala de revólver 38, 20 facas, seis celulares, dois carregadores, dois aparelhos DVDs e seis televisores.

Nesta manhã, em entrevista ao telejornal Bom Dia Mirante, da TV Mirante, o comandante do Policiamento Metropolitano, coronel Marco Antônio Alves, garantiu que o efetivo de policiais militares nas ruas da capital maranhense foi aumentado e orientou a população a ter cautela com os boatos espelhados pelos criminosos.

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