Helena convida deputados a integrar Frente em Defesa do Rio Parnaíba

A deputada Helena Barros Heluy (PT), em discurso na Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (13), convidou os demais parlamentares a se engajar na Frente Parlamentar de Defesa do Rio Parnaíba, cuja navegabilidade está pode ser comprometida pelo projeto de construção de cinco novas barragens. Helena revelou também a intenção de que a Frente Parlamentar seja ampliada a outros rios.

“Que coloquemos isto como alvo de preocupação e ação permanente deste parlamento”, sugeriu Helena.

Para ela, a audiência pública sobre a construção das barragens no Rio Parnaíba foi uma oportunidade de ouvir depoimentos e o clamor de pessoas que percorreram mais de 800 km entre a Diocese de Balsas e a capital do Estado, para participar do debate. Ressaltando que as audiências públicas são “instrumentos de exercício da democracia” e que servem também para abastecer de informações os deputados, ela lamentou que 39 parlamentares não pudessem estar presentes “para acolher o sentimento dos que se manifestaram sobre o que significa construir cinco barragens, para o rio Parnaíba”, hidrovia que precisa ter sua navegabilidade restaurada.

Helena insistiu sobre a importância de que todos os parlamentares ouvissem, entre outros, o relato da representante do Comitê da Cidadania, de Nova Iorque (município maranhense), sobre as sequelas da inundação daquele município pelas águas do Parnaíba e os impactos positivos da Hidrelétrica da Boa Esperança. A deputada destacou, também, a história de Antônio Crioulo, criminalizado, juntamente com outros integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Diocese de Balsas.

“É aquela velha história, que sempre coloco: parece que o Rio Parnaíba não pertence ao Maranhão ou faz parte do Maranhão, unindo-o ao Piauí”, comentou.

Segundo o deputado Chico Leitoa (PDT), estudos mostram que a construção das barragens deve provocar em torno de 80 ações de impactos negativos, atingindo 16 mil pessoas das comunidades ribeirinhas.

TIRO DE MISERICÓDIA

Helena frisou a importância social e econômica do Velho Monge para o Norte e Nordeste, abrindo fronteiras e queixou ameaça de morte ao rio.

“De repente, o Rio Parnaíba vai morrendo e, como que querendo dar um golpe de misericórdia, vem o projeto da construção de cinco barragens, que significa matar ainda mais o nosso rio e, sobretudo as possibilidades de navegabilidade”, afirmou, criticando que, em 40 anos da inauguração de Boa Esperança, sequer foi construída uma eclusa para sanar, em parte, os impactos da barragem sobre o rio.

Helena criticou também o Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA) apresentado nas audiências públicas realizadas nos municípios que serão atingidos pelas barragens. A deputada, que participou da audiência em Barão de Grajaú (cidade às margens do Parnaíba), disse que o relatório mostra que a construção das barragens alterará profundamente o rio, poluindo suas águas.

NOVA IORQUE

O município de Nova Iorque, do Maranhão, surgiu do antigo povoado Vila Nova e recebeu esse nome em homenagem à cidade natal do engenheiro norte-americano Edward Burnett, chefe de uma equipe que desembarcou no município para executar obras de transporte hidroviário para exportação de carnaúba, babaçu e outros produtos.

A ‘vizinhança’ com o Rio Parnaíba, que tanto beneficiou a cidade com a exportação de produtos, no passado, e, hoje, com o turismo nas praias de água doce – principal fonte de receita do município – é ameaçadora.

A história de Nova Iorque é marcada por ter mudado de lugar, duas vezes: a primeira devido as enchentes; depois, pela construção da Barragem da Boa Esperança.

Na divisa entre Piauí e Maranhão, Nova Iorque é berço de conhecidos políticos, como o ex-governador do Maranhão, Neiva de Santana, e Neiva Moreira.

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