Governo do Maranhão registra aumento de 185% no número de detentos inscritos no Enem 2016

Os inúmeros investimentos do Governo do Estado no âmbito da educação prisional resultaram, esse ano, em uma marca expressiva: 587 detentos inscritos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Este número é mais que o dobro das inscrições feitas em 2015, quando houve 206 registros. Os dados representam um aumento de 185% de presos inscritos no exame.

 

No total, 12 das 14 unidades prisionais de São Luís receberão as provas que serão realizadas nos dias 13 e 14 de dezembro. Só na capital, foram 304 inscrições. O número de mulheres apenadas inscritas chegou a 90, o maior já registrado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Em unidades do interior do estado como, por exemplo, a UPR de Imperatriz, também acontecerá a prova.

 

Também este ano, pela primeira vez, os presos poderão fazer as provas nas suas respectivas unidades, e não mais serem deslocados para outro estabelecimento carcerário, como ocorria em anos anteriores. “Antes, a única unidade prisional apta para este fim era a antiga penitenciária. Hoje, 85% tem essa estrutura”, lembrou a supervisora de Educação da Seap, Néria Moura.

 

Maranhão

 

Em todo o Maranhão são 20 unidades prisionais aptas para aplicação das provas do Enem. Nas Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs) de Pedreiras, Timon e São Luís, com 10, 9 e 9 recuperandos inscritos, respectivamente, também serão aplicadas as provas. A UPR de Imperatriz foi o estabelecimento penal do interior que mais registrou inscrições no Enem: 123, ao todo.

 

A aplicação das provas do Enem avalia o desempenho do interno para que este ingresse na educação superior e garanta, é claro, a certificação do Ensino Médio. Todas as pessoas que estão privadas de liberdade e que já concluíram ou ainda estão cursando o Ensino Médio podem fazer a prova.

 

Atualmente, 12% dos apenados do estado estão estudando, segundo dados da Supervisão de Educação da Seap. Atualmente, são mais de 900 presos devidamente matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade de ensino que nasceu da necessidade de oferecer uma melhor chance para pessoas que, por qualquer motivo, não concluíram o Ensino Fundamental ou Médio na idade apropriada.

 

Incentivo

 

Um dos fatores que contribuíram para o aumento no número de presos inscritos no Enem é justamente a quantidade de internos estudando, que cresceu devido às inaugurações de salas de aula. Recentemente, o Governo do Estado, por meio da Seap, inaugurou a 1ª sala de alfabetização da UPR do Anil. Esse ano também aconteceu a abertura da sala de aula na UPSL 6, antigo CDP de Pedrinhas.

 

Este ano ainda foram abertas uma sala de aula na UPR de Itapecuru, outra na UPR 3, duas no estabelecimento penal de Pinheiro, mais duas na UPR de Coroatá, e mais duas em Pedreiras. Ainda foi inaugurada uma sala de alfabetização de presos na UPR do Olho d’Água. As inaugurações fazem parte de um cronograma de investimentos do Governo do Estado para estabelecer o ensino nas unidades prisionais.

 

“Se a Educação é a base de tudo para a formação do indivíduo que convive livre em sociedade, ela é infinitamente mais para quem está recluso, cumprindo pena. Associada às oportunidades de trabalho dentro do cárcere, essa é uma base já solidificada pela gestão estadual”, pontuou o secretário de Administração Penitenciária, Murilo Andrade de Oliveira.

 

A aplicação do Enem voltada a Pessoa Privada de Liberdade (PPL) ocorreria nos dias 6 e 7 de dezembro. Contudo, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), houve necessidade de adiar as provas para adequar à logística, em decorrência da segunda prova do Enem, que precisou ser aplicada nos dias 3 e 4 de dezembro, para os inscritos que participaram desse Exame em escolas que estavam ocupadas.

 

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