Dilma diz que se EUA pedissem “desculpas” por espionagem remarcaria viagem ao país

A presidente Dilma Rousseff declarou nesta quarta-feira, dia 6, que é necessário um pedido de desculpas dos Estados Unidos sobre as denúncias de espionagem ao governo brasileiro para que a mandatária remarque uma nova data para visitar o país. Há cerca de dois meses, a petista desmarcou a viagem para Washington, que ocorreria em outubro.

“Eu iria viajar. A discussão que derivou dessas denúncias nos levou à seguinte proposta para os Estados Unidos: só tem um jeito de a gente resolver esse problema. Se desculpar pelo que aconteceu e dizer que não vai acontecer mais. Não foi possível chegar a esse termo”, disse, em entrevista ao Grupo RBS.

No entanto, a presidente frisou que as relações comerciais e diplomáticas entre as duas nações continuam as mesmas e não foram interrompidas. “Não há interrupção de nenhum nível das relações tradicionais entre o Brasil e os EUA. Agora não é possível que entre países amigos com relações estratégicas não se leve em consideração o fato de que não é possível espionar a presidente, assim como a primeira-ministra. Não é adequado.”

Dilma acrescentou que o caso da ação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que, de acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, monitorou atividades de diplomatas russos, iranianos e iraquianos em 2003 e 2004, é diferente da ação norte-americana, pois “as operações obedeceram à legislação brasileira de proteção dos interesses nacionais”.

“Não pode comparar o que a Abin fez em 2003, 2004, até porque segundo a Abin é contrainteligência, porque achavam que tinha interferência em negócios privados, em negócios públicos no Brasil, que foi preventivo e que não levou a nenhuma consequência de espionar ninguém na sua privacidade. Não violou privacidade, acompanhou atividades. Isso é previsto na legislação brasileira, não cometeram nenhuma ilegalidade.”

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