Confederações brasileiras ficam em alerta com as olimpíadas de 2016

Lesão, foco dividido ou desempenho realmente abaixo do esperado. Foram diferentes os motivos, mas o fato é que ao menos quatro medalhas dadas como muito prováveis nas contas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para os Jogos Olímpicos Rio 2016 não foram alcançadas em campeonatos mundiais este ano. Foram os casos de Arthur Zanetti, Mayra Aguiar, Cesar Cieloe do time masculino de vôlei. Medalhistas olímpicos há três anos, que ficaram fora do pódio nas principais competições de 2015. Resultados que surpreendem negativamente, mas não preocupam tanto dirigentes e técnicos das confederações, confiantes no planejamento traçado e em um bom rendimento dos astros e estrelas do Time Brasil nas Olimpíadas do ano que vem.

Mesmo com a opção do COB por fazer um balanço geral apenas ao fim do ano, é possível perceber que a ausência no pódio de alguns nomes dados como certos para medalhas nos Mundiais de 2015 gerou um alerta nas confederações. No entanto, dirigentes e treinadores seguem confiantes no trabalho de preparação dos atletas e comemoram outros bons resultados no ano, importantes para o cumprimento das metas nas Olimpíadas de 2016.

No caso da ginástica artística, obviamente, não estava nos planos da Confederação Brasileira de Ginástica a ausência de Arthur Zanetti na final das argolas do Mundial de Glasgow,encerrado no último fim de semana. Ainda mais, com o campeão olímpico de Londres 2012 vindo de três pódios consecutivos na competição (pratas em 2011 e 2014, e ouro em 2013). Porém, o paulista contribuiu bastante para a conquista da inédita classificação olímpica do Brasil para a disputa por equipes nos Jogos do Rio.

Claro que não era o esperado, queríamos o Zanetti dentro da final. Acho que foram alguns aspectos que colaboraram com isso, mas o que tenho a fazer, e o que o grupo vai fazer, é olhar para os nossos erros e corrigir, independentemente das outras influências que tiveram para ele não estar nessa final. Ele é nosso foco. Isso não muda absolutamente nada. Ele fez o papel dele e muito bem, colaborou demais para essa classificação olímpica. Agora é tocar para frente o trabalho, voltar a acreditar e, claro, fazer as correções necessárias – afirmou o coordenador da seleção brasileira masculina de ginástica artística, Leonardo Finco.

Outra atleta que teve um desempenho abaixo do esperado no Mundial de 2015 foi a judoca bronze em Londres 2012 Mayra Aguiar. Campeã mundial do meio-pesado feminino (78kg) no ano passado, em Chelyabinsk, era a principal esperança de medalha no Mundial de Astana, no Cazaquistão, em agosto. Expectativa frustrada quando a gaúcha foi surpreendida pela polonesa Daria Pogorzelec nas oitavas de final e não chegou a disputar nem repescagem. Para o gestor técnico de alto rendimento da CBJ, Ney Wilson, o resultado foi uma espécie de “ponto fora da curva” no ciclo olímpico de Mayra e não tira a brasileira da lista de fortes candidatas ao pódio em 2016.

Para fazermos uma análise da Mayra, que sem dúvida nenhuma é uma das favoritas da nossa modalidade, não dá para pensarmos só no último Mundial. Ela teve um ciclo olímpico muito positivo, foi campeã mundial no ano passado. Em 2013 também subiu ao pódio. Teve um ciclo olímpico melhor do que o passado, o que sem dúvida nenhuma a credencia a subir no pódio olímpico. Claro, é preciso fazer reajustes no planejamento, no treino. Com certeza esse momento é algo para acentuarmos nossa atenção em determinados pontos para que possamos chegar aos Jogos Olímpicos com bastante possibilidade de chegar com ela ao pódio – disse o dirigente.

No caso da natação, o Brasil teve uma participação dentro da média no Mundial de Kazan, também disputado em agosto. Foram três pódios em provas olímpicas – bronze de Bruno Fratusnos 50m livre, prata de Thiago Pereira nos 200m medley e bronze de Ana Marcela Cunha na maratona aquática de 10km. Porém, a preocupação ficou por conta do principal nome da equipe: Cesar Cielo. Com uma lesão no obro, o campeão olímpico em Pequim 2008 ficou sem medalha em um Mundial pela primeira vez desde 2009.

Mesmo no sacrifício, Cielo caiu na água para a disputa dos 50m borboleta, prova em que buscava o tricampeonato. Mas o rendimento não foi bom, e ele terminou apenas na sexta colocação. A comissão técnica decidiu então enviá-lo de volta ao Brasil para tratar da lesão, o que tirou o astro brasileiro da busca pelo inédito tetracampeonato mundial dos 50m livre.

– Foi uma fatalidade. Ele não chegou bem. Não dá para fazer uma avaliação em cima disso – destacou o técnico Albertinho.

Passada a frustração com o Mundial de Kazan, Cielo já está recuperado da lesão e de volta aos treinos de preparação para o Torneio Open, em dezembro – primeira seletiva olímpica da natação brasileira. No período, também se tornou pai pela primeira vez – no dia 21 de setembro, nasceu Thomas, filho do nadador com a modelo Kelly Gisch.

– Agora, está feliz, está recuperado, focado. Ficou dois meses parado em recuperação, teve o nascimento do filho dele, mas já voltou aos treinos, isso é o importante. Está muito focado e motivado, tenho certeza que vai estar correspondendo todas as expectativas dos que torcem por ele no ano que vem – concluiu Albertinho.

No vôlei de quadra, uma derrota para o ascendente time da França acabou custando aeliminação precoce da seleção masculina na fase final da Liga Mundial, disputada no Rio de Janeiro, em setembro – evento-teste para os Jogos Rio 2016. Na avaliação da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), resultado a se lamentar, mas que não muda o planejamento e as expectativas de um pódio olímpico no ano que vem.

– O ano de 2015 faz parte de uma programação que foi traçada lá atrás. O único pecado que lamentamos é não ter tido a oportunidade de jogar uma semifinal ou final de Liga Mundial no Maracanãzinho, para exercitar a expectativa de uma competição dentro do Brasil. Mas, falando de ano, foi positivo. Fizemos dez jogos amistosos e vencemos oito, todos contra grandes seleções. Vencemos o Sul-Americano… Mas na Liga Mundial não conseguimos o objetivo, que era chegar na final. Fomos desclassificados por pontos e contra uma seleção que foi campeã e depois foi campeã europeia (França). A nossa expectativa é a mesma, de buscar pódio e ter ótimos resultados. Nada do que aconteceu abalou ou vai fazer mudar o planejamento até os Jogos Olímpicos – avaliou o diretor de seleções da CBV, Renan Dal Zotto.

*Colaboraram os repórteres Guilherme Costa e Marcos Guerra

 

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