Com fechamento da barragem, Peixes desaparecem do Rio Bacanga

 Peixes estão morrendo  no Rio Bacanga após o fechamento de barragem

 Sem sua principal comporta, que desabou em setembro, a Barragem do Bacanga, que controla o fluxo de água en­tre o rio de mesmo nome e o mar, foi fechada com um monte de pedras, o que impede completamente a circulação da maré. Os efeitos começam a aparecer agora, quase três meses depois. E a primeira afetada foi a vida marinha. No último feriado, dia 8, pescadores, moradores e comerciantes da região relataram que milhares de peixes apareceram mortos às margens do rio e, o que é pior, as pessoas iam para lá e pegavam os animais, para consumo e também venda.

Cláudio Ayala, que tem um comércio ali perto, viu como as pessoas levavam os animais, que boiavam, alguns ainda vivos, mas em uma letargia que favorecia os pescadores improvisados, bastando qualquer um estender a mão e pegá-los. Nem precisava de material especial.

Segundo ele, com a baixa da maré, as coisas melhoram um pouco, pois o único escoadouro (stop log) que ainda funciona na barragem consegue liberar um pouco da água. “Melhoraram um pouco o cheiro e a quantidade de animais mortos. Mas as pessoas também levaram vários. O que sobrou aqui foi só o que eles não quiseram”, contou o comerciante.

Quem sofre mais com essa situação são os pescadores. Por toda a orla do Rio Bacanga, é possível ver as dezenas de barcos parados, ou mesmo em terra seca, tudo porque os peixes estão sumindo. O pescador José de Ribamar Lindoso, de 67 anos, é um desses que está sem ter o que fazer.

Ontem, ele foi ao rio apenas para ver as condições de sua canoa, largada à beira-rio. Há mais de 20 anos pescando somente no Bacanga, ele conta que agora não tem mais como pegar o almoço, nem conseguir um dinheiro extra para sustentar a família. Vive somente do salário mínimo da aposentadoria que conseguiu graças à pesca. “Essa semana ameaçou uma chuva e matou uma quantidade enorme de peixes. Quan­­do chover mesmo, vai piorar, e aí que os peixes vão morrer, pois o nível de água doce vai aumentar”, explica o pescador.

Reforma
O cabo de aço que sustentava a comporta da Barragem do Bacanga se rompeu em 17 de setembro deste ano. A enorme porta de aço afundou no rio. No mesmo dia, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Exército fizeram vistorias no local e articularam um plano de ação para possíveis inundações.

Nos dias seguintes, foi construído o dique de pedras, que fechou quase completamente o leito do rio. Só que, desde então, não houve mais obras no local. Segundo os pescadores que estão por ali constantemente, somente ontem alguns trabalhadores retornaram à barragem para descarregar materiais. Fora isso, apenas os vigilantes ficavam por lá.

Em nota, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra) informou que a empresa responsável iniciou as atividades na barragem no dia 4 deste mês, dentro do prazo contratual. No momento, a empresa estaria trabalhando com procedimentos de mobilização de equipamentos, fabricação de peças mecânicas e contratação de mão de obra, tudo dentro do cronograma previsto.

A Sinfra ressaltou ainda que a barragem está fechada e só abrirá após a colocação da nova comporta e que a empresa iniciará serviços de manutenção dos seis stop logs para tê-los como escape no período chuvoso. O prazo para toda a obra, incluindo a recuperação da ponte, é de oito me­ses. O prazo para fabricação da nova porta é de 90 dias.
Dique – Os diques são geralmente construídos para recuperar terras que ficariam alagadas em condições normais. Podem ser feitos com terra, concreto ou pedras empilhadas ao longo das margens da massa de água que será contida. Eles devem ser resistentes o suficiente para não ruir nem se desgastar sob a pressão da água. A crista de diques e represas feitos com terra normalmente é coberta com grama, para que a terra não desmorone.

Stop logs – A Comporta tipo Stop Log destina-se a instalações em canal aberto em plantas de tratamento de esgoto, instalações de irrigação, instalações hidráulicas e usinas geradoras hidroelétricas. O fechamento deslizante é formado por vários logs (portas) que encaixam um acima do outro na estrutura. Adicionando ou removendo logs, o modelo permite controlar o fluxo de um canal

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