Ações do Facebook despencam e pressionam bolsas após previsão de receita menor

As ações do Facebook desabaram nesta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York, afetadas por seu resultado financeiro e previsões para os próximos meses, que frustraram os investidores.

Às 12h07, as ações do Facebook tinham queda de quase 20%, um tombo que reduziu o valor de mercado da companhia na bolsa em cerca de US$ 124 bilhões, ou quase quatro vezes o valor de mercado da rival Twitter, que tinha queda de 3%, segundo a Reuters.

Com isso, o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, sofreu uma perda de cerca de US$ 16 bilhões em seu patrimônio nesta quinta, destaca a Reuters. O valor é equivalente à fortuna da 81ª pessoa mais rica do mundo, o empresário japonês Takemitsu Takizaki, segundo ranking da revista Forbes.

Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook. (Foto: Ludovic Marin/AFP)

Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook. (Foto: Ludovic Marin/AFP)

Na véspera, o Facebook anunciou um lucro líquido 31% maior no segundo trimestre, de US$ 5,1 bilhões, enquanto a receita subiu 42%, para US$ 13,2 bilhões. Por outro lado, a gigante da internet alertou para a desaceleração no crescimento de suas receitas no 2º semestre.

Segundo a companhia, as despesas vão crescer mais rápido que o faturamento no próximo ano, o que fez as ações da rede social recuarem 19% na véspera diante de preocupações sobre o impacto de questões relacionadas à privacidade dos usuários sobre seus negócios.

A gigante da internet alertou os investidores para esperarem um grande crescimento nos custos por causa de esforços para resolver preocupações em torno de questões de privacidade dos usuários e para melhor monitoramento sobre o que os usuários publicam na rede social.

As despesas totais no segundo trimestre subiram para US$ 7,4 bilhões, um crescimento de 50% sobre um ano antes.

Alguns analistas afirmaram que os problemas do Facebook não serão facilmente resolvidos. “Diferente da Netflix, cuja queda de resultado trimestral foi considerada como temporária, vemos aqui uma evolução na história, embora uma parte dela já esperávamos”, disse Daniel Salmon, analista da BMO Capital Markets.

Outros, porém, avaliaram que a ênfase do Facebook em conteúdo de maior engajamento e conteúdos promocionais no histórico de notícias dos usuários vai apoiar a receita da companhia no longo prazo.

As bolsas de Nova York operavam com resultados mistos nesta quinta, afetadas pela queda do Facebook. Perto das 13h, o índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,81%.

Na véspera, Wall Street teve forte alta estimulada por um acordo comercial entre o presidente americano Donald Trump e o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Entrada de usuários desacelerou

O crescimento de novos usuários ativos do principal aplicativo do Facebook desacelerou para 11% no segundo trimestre, ante 13% no primeiro trimestre.

“Nossas taxas de crescimento de receitas totais vai continuar a desacelerar no segundo semestre e esperamos que a taxa de expansão de nosso faturamento caia para um dígito alto no terceiro e quarto trimestres”, disse na quarta-feira o vice-presidente financeiro da rede social, David Wehner.

Ilustração em 3D do logotipo do Facebook. (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

Ilustração em 3D do logotipo do Facebook. (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

A receita do Facebook cresceu no ritmo mais lento em quase três anos, avançando 14% sobre um ano antes, para US$ 13,2 bilhões no segundo trimestre.

O crescimento nos usuários diários do Facebook caiu em seis trimestres consecutivos, atingindo 1,47 bilhão no segundo trimestre ante 1,23 bilhão no final de 2016.

Instagram, Whatsapp e Messenger

Enquanto isso, o Instagram avançou para 1 bilhão de usuários mensais ante 600 milhões no final de 2016. Já os dois aplicativos de mensagens do Facebook, WhatsApp e Messenger, tiveram cada um mais de 1 bilhão de usuários mensais no segundo trimestre.

Cerca de 2,5 bilhões de pessoas usam pelo menos um dos aplicativos da companhia a cada mês, informaram executivos do Facebook a analistas.

O Instagram deverá ser responsável por 18% da receita do Facebook este ano e 23 por cento em 2019, segundo a empresa de pesquisa de mercado EMarketer. FONTE G1

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