Juiz decreta prisão de viúva suspeita de assassinar professor

O juiz da 3ª Vara Criminal de São Carlos, André Luiz de Macedo, decretou nesta terça-feira (28) a prisão preventiva de Milene Estácio, viúva e suspeita de matar junto com sua filha o marido e professor de física Milton Taidi Sonoda. A Polícia Civil descobriu que ela tinha um amante e agora investiga se o homem de 38 anos tem envolvimento no crime. O G1 tentou falar com o advogado dela, Carlos Renato Lira Buosi, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

Milene está presa temporariamente na cadeia feminina de Ribeirão Bonito. Ela foi indiciada pelo crime de homicídio duplamente qualificado combinado com corrupção de menores e ocultação de cadáver. Se condenada, pode pegar de 12 a 30 anos de reclusão. Já a filha dela, de 17 anos, está detida na Fundação Casa de Cerqueira César. Segundo a polícia, a jovem deverá cumprir medida socioeducativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente por um período máximo de três anos.

Morto em casa
Professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba (MG), Sonoda foi morto em São Carlos no dia 18 de maio. Em depoimento, a viúva de 36 anos negou o crime e disse que ajudou apenas a ocultar o cadáver.

A filha de Milene assumiu que matou o padrasto com três facadas em casa, enquanto o irmão de 5 anos assistia à TV no quarto. Depois, o corpo foi queimado em um carro. O principal motivo do homicídio foi o dinheiro gasto na reforma de uma casa.

Relacionamento extraconjugal
Segundo o delegado Gilberto Aquino, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o trabalho de inteligência da polícia concluiu que Milene mantinha um relacionamento extraconjugal.

O amante é usuário de drogas e já foi preso em Bragança Paulista por tráfico. A investigação também apontou que a advogada foi a uma clínica para dependentes químicos na capital paulista com o objetivo de internar o amante. Lá, ela teria se apresentado como mulher dele.

O delegado relatou ainda que, um mês antes do crime, o casal tentou locar imóveis em São Carlos. Ela, que se passava como mulher dele, foi com o amante a algumas imobiliárias, onde pesquisaram o valor de locação de 16 imóveis.

“Então esse relacionamento já era permanente e descobrimos que a motivação do crime não foi somente por dinheiro, mas sim porque já havia esse relacionamento extraconjugal”, disse Aquino. “Com a filha, ela planejava, induzia e a instigava a cometer o crime. Com relação ao amante, planejavam fazer uma locação do imóvel para morar juntos”, completou.

Procura
A polícia já sabe que o amante mora em São Carlos, mas ainda não tem o endereço dele. Segundo o delegado, na clínica em São Paulo o rapaz deu o endereço de uma cidade da Bahia onde ele morava. Quando foi preso em Bragança Paulista, ele também forneceu o mesmo endereço.

“Ele é suspeito e estamos na tentativa de localizá-lo. Com a chegada de novas informações, vamos verificar se havia ligação dela [Milene] com ele no dia do crime. Dependemos de algumas informações de operadoras de telefonia, assim que tivermos essa resposta poderemos afirmar ou não se há envolvimento dele”, disse o delegado.

Mãe e filha foram detidas após prestarem depoimento na DIG em São Carlos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)Mãe e filha foram detidas após prestar depoimento
na DIG em São Carlos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Mentiras
Aquino ressaltou que todas as versões apresentadas por Milene desde o início até o interrogatório foram desmentidas tentando esconder o relacionamento extraconjugal.

“Ela alegava que o professor não tinha amante, como ela também não, mas no decorrer das investigações nós chegamos a ter vários informes de que eles se encontravam em uma kitnet que era de uma das filhas dela. Quando essa filha se ausentava e ia para Itapetininga visitar os avós, Milene usava a chave, entrava no local e ficava na companhia desse amante”, afirmou.

De acordo com Aquino, não há duvidas de que a mãe induziu a filha a praticar o crime. “O envolvimento das duas já está totalmente fechado, as provas são robustas nesse sentido. Agora precisamos saber se mais alguma pessoa ajudou a transportar o corpo até o local ou se foi buscá-las mesmo após o incêndio, trazendo elas do local do carro carbonizado até a residência delas”.Relaxamento da prisão
Na semana passada, o advogado de Milene, Carlos Renato Lira Buosi, entrou com pedido de relaxamento da prisão. Ele alegou que sua cliente não está em uma sala especial, uma ‘Sala de Estado Maior’, direito reservado a advogados e previsto na Lei 8.906, de 4 de julho de 1994.

O delegado afirmou que a viúva se encontra em uma sala separada das demais presas, tem direito a banho de sol e todos os benefícios estabelecidos. “A lei é muito clara: quando em um presidio não tiver uma sala especial, ela deve ficar em sala isolada e separada. Isto está sendo devidamente cumprido, ela não corre nenhum risco”, afirmou.

Aquino disse ainda que já solicitou à Justiça a prisão preventiva de Milene. “Queremos que ela seja submetida a julgamento e que responda pelo crime hediondo que cometeu. Ela não só matou o professor, como acabou ceifando a criança, que perdeu o pai, a mãe, a irmã, perdeu todo mundo. Acho que isso ela não entendeu o tamanho da gravidade. Era muito mais fácil ela ter se separado, ter ficado com o amante e não ter matado o professor”.

Crime planejado
Milene está presa na cadeia de Ribeirão Bonito. Ela foi indiciada pelo crime de homicídio duplamente qualificado combinado com corrupção de menores e ocultação de cadáver. Se condenada, pode pegar de 12 a 30 anos de reclusão.

Já a filha dela, de 17 anos, está detida na Fundação Casa de Cerqueira César. Segundo a polícia, a jovem deverá cumprir medida socioeducativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente por um período máximo de três anos.

Mensagens de WhatsApp interceptadas pela polícia com autorização da Justiça mostram que mãe e filha planejaram a morte do professor três meses antes. Um dia antes de ser presa, a viúvapostou uma homenagem em vídeo na rede social na página do marido.

Mãe e filha planejam a morte de professor da UFTM em conversas do WhatsApp São Carlos (Foto: Reprodução/ EPTV)
Fonte: G1

 

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