VLT está jogado em terreno às margens da BR-135

Veículo foi adquirido pelo ex-prefeito João Castelo, às vésperas da eleição de 2012; VLT está sendo destruído por atos de vandalismo e a ação do tempo

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) adquirido na gestão do prefeito João Castelo, às vésperas das eleições de 2012, está largado em um terreno às margens da BR­ 135. Até pouco tempo atrás, o VLT estava dentro de um galpão de uma empresa, mas agora foi colocado para fora e segue se deteriorando. A situação do veículo foi mostrada na última terça-­feira, 27,em uma reportagem do Jornal Nacional produzida pela equipe da TV Mirante, afiliada da Globo.

Quando foi comprado em 2012 na gestão de João Castelo (PSDB), o VLT custou ao contribuinte cerca de R$ 7 milhões. Da data em que foi adquirido até o momento, poucos passageiros andaram no veículo – no dia em que houve uma demonstração, com caráter tipicamente eleitoreiro. O veículo, que chegou em São Luís no dia 5 de setembro de 2012, era para atender 200 mil pessoas por dia.

Finda a eleição e com Castelo tendo perdido o pleito, o veículo foi largado nos trilhos atrás do Terminal da Integração da Praia Grande. O atual prefeito, Edivaldo Júnior, após várias denúncias de que os vagões estariam sofrendo com o vandalismo e as intempéries, decidiu transferir o VLT para um galpão, além de assinar um contrato para a realização de um estudo de viabilidade para a implementação do veículo no transporte de passageiros de São Luís. O contrato previa o pagamento de R$ 216 mil para guardar o VLT por 18 meses. Fora isso, outros R$ 200 mil teriam sido gastos com o estudo.

O projeto previa a implantação de 13 quilômetros de trilhos ligando a Praia Grande ao Anjo da Guarda. Mas só 800 metros foram instalados, nas imediações do Mercado de Peixe. Atualmente, boa parte dos dormentes dos trilhos já foi roubada. Os vagões do VLT estão sucateados e virando alvos de vandalismo no terreno onde foi jogado. O local, apesar de estar murado, possui vários acessos ao veículo, o que facilita a depredação.

 

Sem planejamento

Em nota, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) afirmou que a implantação do VLT não foi antecedida de planejamento ou estudo pela gestão anterior e ressalta que a atual gestão possui projeto em análise junto ao Governo Federal com a finalidade de viabilizar um novo traçado para o veículo. A SMTT não especificou que tipo de projeto é esse.

A SMTT informou ainda que obteve decisão favorável na Justiça, que está em vigor, que obriga a empresa Bom Sinal Indústria e Comércio, responsável pela implantação do VLT, a arcar com os custos de armazenamento e manutenção do equipamento, estando as composições do VLT, portanto, sob responsabilidade da referida empresa.

A empresa Bom Sinal Indústria e Comércio declarou que nunca foi notificada pela Justiça sobre a responsabilidade de guardar os vagões até que eles sejam usados.

 

Mais

O moderno sistema de transporte de massa deveria entrar em operação em dezembro de 2012, conforme anunciou na época o ex­prefeito João Castelo, mas nem o primeiro trecho de trilhos foi concluído. Cada vagão do VLT tem 18 metros de extensão, formando o veículo de 36 metros, com seis portas que abrem simultaneamente e capacidade para 358 pessoas, 96 sentadas e 262 em pé.

Detalhes do VLT ­

  • O VLT chegou a São Luís no dia 5 de setembro de 2012 ­
  • Custou aos cofres do Município R$ 7 milhões pagos è empresa cearense Bom Sinal Indústria e Comércio Ltda.
  • Cada vagão custou R$ 3,5 milhões
  • O VLT tem capacidade para cerca de 20 mil passageiros/hora
  • Tem velocidade média de até 100 km/h ­
  • Em São Luís, foi projetado para instalação de até 7 linhas.

 

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