Espetáculo será encenado pelo grupo Grita hoje e amanhã, às 18h, no bairro da área Itaqui-Bacanga; o tema deste ano é “Quebra as correntes e desbrava-te!”
SÃO LUÍS Há 36 anos o grupo Grita encanta multidões que se dirigem ao Anjo da Guarda para assistir ao espetáculo “Via Sacra”, que conta a paixão e morte de Jesus pelas ruas e avenidas do bairro. Considerada uma das maiores encenações da história de Cristo a céu aberto do Brasil, a peça emociona por resgatar uma das mais belas histórias do cristianismo. As apresentações ocorrem hoje e amanhã, às 18h.
Este ano, o grupo escolheu como tema “Quebra as correntes e desbravate!”. De acordo com o diretor Cláudio Silva, o tema do espetáculo referese a uma análise e também um estímulo. “Para que as pessoas possam sair da alienação, quebrar as correntes da ignorância e desbravarse, a fim de conquistar o mundo pelo conhecimento e interceder no meio no qual está inserido”, diz o diretor.
A peça é dividida em sete atos em forma de cortejo. O primeiro é encenado na Praça Recanto da Paixão. Lá se passam as cenas como a do mito da Caverna, a tentação e o Sermão da Montanha. Este ano uma das novidades é a participação de bandas marciais nestas cenas. O segundo ato é na Avenida Dinamarca com a Caminhada de Ramos e a entrada de Jerusalém.
No terceiro ato, no Largo do Teatro Itapicuraíba, serão encenados números circenses e de pirofagia, além da expulsão dos vendilhões do templo e a cura do Leproso. A seguir, no quarto ato, na Praça do Anjo, vem as cenas do lava pés, a Santa Ceia, a conspiração e o diálogo entre Pilatos e Quintilíus, bem como a condenação de Jesus.
O quinto ato, na Avenida Odylo Costa, filho é encenado a Via Crucis e o encontro com Verônica. Neste ato haverá a participação de 15 caixeiras do Divino Espírito Santo que entrarão acompanhando Cristo até a entrada de Jerusalém, bem como seu encontro com Verônica.
O penúltimo ato é o corredor da reflexão, na Rua Palestina, que este ano fará o público refletir sobre educação. O ápice da peça, na Praça da Ressurreição se dá o encontro de Jesus com Maria, a crucificação de Jesus, a Pietá, o enforcamento de Judas, a Anunciação e a Ressurreição. Para este ano, o Grita promete uma surpresa para a cena da Anunciação, cujo texto, a exemplo dos anos anteriores, é uma poesia do cantor, compositor e escritor César Teixeira.

Comunidade
De acordo com Cláudio Silva, a participação da comunidade é essencial para o sucesso da montagem. “A cada ano que passa nos sentimos na obrigação de fazer a arte comprometida, isso é que nos dá prazer. Com centenas de pessoas envolvidas, gerando uma satisfação mútua, tanto da comunidade quanto do grupo Grita. E a comunidade é que nos faz evoluir, cada um trazendo a sua experiência, sua dedicação, sua sensibilidade” destaca o diretor. “O mais difícil no processo ainda é, por incrível que pareça, a captação de recursos”, completa Cláudio Silva.
Ele ressalta que a comunidade do Anjo da Guarda ganha com o espetáculo em todos os sentidos: as ruas são asfaltas, comunitários são capacitados para participarem como comércio informal, há geração de renda com a praça de alimentação que é montada nos dias das apresentações, além de despertar em crianças, jovens e adultos a paixão pela arte do fazer teatral.
Para dar vida aos personagens, o Grita conta com elenco cujos atores principais desempenham os papéis há algum tempo. O ator Jorge Smith dá vida a Jesus há mais de uma década; após um tempo afastada, a atriz Elza Gonçalves retorna como Maria; Antônio Garcia é Pilatos; Waldênia Moreira, Cláudia Prócula; Leandro Trinta é Quintilíus; e Andressa Santos, vive Verônica.
Grupo
O grupo Grita foi fundado em 1972, quando um grupo de estudantes do Centro Educacional do Maranhão (Cema), resolveu se reunir para dar continuidade às atividades teatrais desenvolvidas na escola. O grupo elege, ainda que de forma incipiente, o teatro político como uma nova proposta de fazer teatral.
Desde 1977, atua na comunidade do Itaqui-Bacanga, no bairro Anjo da Guarda e lá se incorporou à dinâmica da comunidade, por meio do Centro Comunitário Católico, fazendo teatro popular.
O espetáculo “Via Sacra”, foi concebido em 1981, com o propósito de traduzir o sentimento libertário da Paixão de Cristo, na movimentação em torno da emancipação da própria comunidade. Hoje, 36 anos depois, o espetáculo é composto por mais de mil pessoas, entre elenco, organização e produção.
A “Via Sacra” tem incentivo da Vale e Ótica Diniz; apoio da Prefeitura Municipal de São Luís; patrocínio do Grupo Mateus e Governo do Estado do Maranhão.