Quem é Bolívar Guerrero Silva, médico preso por manter paciente em cárcere privado; ele responde a pelo menos 19 processos

Daian Chaves Cavalcanti, de 36 anos, realizou uma abdominoplastia com o médico no início de março. O hospital que Bolivar é sócio impediu que ela fosse transferida e dificultou a entrada de policiais na unidade.

Bolívar Guerrero Silva, o cirurgião plástico equatoriano preso por manter uma paciente em cárcere privado em um hospital particular, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após complicações em cirurgias estéticas feitas na mulher, responde a pelo menos 19 processos na Justiça.

Além das ações judiciais, Bolivar também já foi preso. Em 2010, a Polícia Civil deflagrou a Operação Beleza Pura, que terminou com a prisão de oito médicos, entre eles o cirurgião equatoriano.

Na ocasião, ele foi acusado de aplicar um medicamento para preenchimento facial sem registro na Anvisa, além de outros falsificados.

Segundo as investigações, o produto pirata era fabricado em Goiás e distribuído em clínicas de estética no Rio.

Morte durante lipoescultura

No currículo de Bolivar também consta a morte de uma paciente, durante uma lipoescultura, em 2016. A família da paciente acusou o médico de imprudência.

Bastante popular na internet, Bolivar trabalha em Duque de Caxias desde 1996. Apenas em uma das redes sociais, o cirurgião conta com quase 40 mil seguidores.

Na internet, o médico se apresenta como ‘especialista em cirurgia estética e reparadora’ e posta fotos e vídeos de pacientes que passaram por suas mãos.

Homenageado em Caxias

Mesmo com tantos problemas judiciais envolvendo o médico, em outubro de 2018, Bolivar foi homenageado na Câmara dos Vereadores de Duque de Caxias com o título de cidadão caxiense.

O título foi concedido pelo vereador na época, Junior Reis, irmão do atual prefeito de Duque de Caxias Washington Reis.

O hospital onde ocorreu o caso da paciente encontrada por, segundo a polícia, ter sido mantida em cárcere privado, também teve seus problemas com as autoridades. Em janeiro de 2017, a Vigilância Sanitária Estadual interditou um setor do Hospital Santa Branca. A Central de Material Esterilizado foi fechada. A Secretaria de Saúde alegou que a unidade não tinha estrutura física adequada e apresentava processos de trabalho inadequados.

Relembre o caso

Bolivar foi preso na última segunda-feira (18), quando estava dentro do centro cirúrgico do Hospital Santa Branca, clínica que ele é sócio.

O cirurgião é acusado de manter Daian Chaves Cavalcanti, de 36 anos, em cárcere privado na unidade de saúde. Segundo a polícia, a mulher está em estado grave, com várias complicações após ter feito uma cirurgia plástica.

Daian tentou ser transferida de hospital, mas o cirurgião dificultou a transferência. Ela está internada desde junho desse ano.

Além de prender o cirurgião plástico, os agentes foram à unidade de saúde para resgatar a mulher. Os policiais cumpriram mandados de prisão preventiva, de busca e apreensão e de condução coercitiva no Hospital Santa Branca.

O médico está preso temporariamente e vai responder por cárcere privado e associação criminosa. Vários funcionários da equipe médica também foram intimados a prestar depoimento.

Pedido de socorro

Na semana passada, a tia da mulher procurou a Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam-Caxias) para relatar o que estava acontecendo. A paciente se submeteu a uma abdominoplastia no início de março. Em junho, ela voltou para se submeter a mais três intervenções.

Só que algo deu errado no procedimento e, de acordo com parentes, a cirurgia teve complicações, a ponto de a barriga dela ter necrosado.

O que diz o hospital

Nota enviada pela assessoria de imprensa:

“Hospital Santa Branca Ltda vem através de sua diretoria em atenção aos comunicados veiculados nas mídias escritas, narradas e digitais manifestar-se publicamente sobre acusações infundadas de CÁRCERE PRIVADO no interior das suas dependências.

Tal crime decorre do verbo encarcerar, que significa deter, ou prender alguém indevidamente e contra sua vontade. No crime de cárcere privado, a vítima quase não tem como se locomover, sua liberdade fica restrita a um pequeno espaço físico, como um quarto ou um banheiro.

Com 43 anos de funcionamento, essa Unidade desconhece tal prática dentro do seu estabelecimento, sempre buscando zelar pela saúde física e mental de seus pacientes, prezando pelo direito de ir e vir dos mesmos, amparado por um equipe multidisciplinar profissional, centros cirúrgicos e CTI com 20 leitos operando 24 horas por dia. Nossas salas cirúrgicas são locadas.

Repudiamos quaisquer práticas criminosas que nos foram indevidamente atribuídas! Tal acusação é absurda!

Além disso, o Dr. Bolivar Guerrero não pertence ao quadro societário desta empresa, como descrito pela imprensa.”

A equipe que trabalha com o cirurgião plástico fez uma postagem em uma de suas redes sociais e negou que o médico estivesse mantendo a paciente em cárcere privado. Segundo a publicação, Bolívar topou liberar a paciente, desde que ela assinasse um documento se responsabilizando por qualquer problema após a liberação.

“O dr. Bolivar foi prestar um depoimento na delegacia. Ele não estava mantendo paciente nenhuma em cárcere privado. Ela estava fazendo curativo e sendo assistida no hospital dele por ele. Porém ela queria ser liberada sem ter terminado o tratamento e ele como médico seria imprudente de liberá-la. Ele disse que poderia liberá-la se ela assinasse a alta à revelia (documento ao qual a paciente se responsabiliza por qualquer coisa que acontecer após sua liberação) e ela não quis assinar. Ele disse que liberaria somente se ela assinasse. Como ela não assinou ele não liberava. O intuito dele é prestar toda assistência a paciente até ela está recuperada”, dizia a publicação.

Fonte: G1

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