Promotoria cita farsa da defesa e excesso de coincidências entre Mizael e vigia

O promotor de justiça Rodrigo Merli afirmou que a defesa do réu Evandro Bezerra Silva quer iludir os jurados e a juíza no julgamento do vigia, suspeito de ser cúmplice de Mizael Bispo no assassinato de Mércia Nakashima. Nesta quarta-feira, último dia do júri popular, a promotoria abriu a fase de debates e citou que a defesa do vigia utiliza de farsas e de um “excesso” de coincidências para tentar provar a inocência de Evandro.

 

“A defesa está tentando iludir vossas excelências com uma tese mirabolante, que de bomba não tem nada, mas sim de fraude, de farsa, dizendo que a Mércia não morreu dia 23 e sim dia 26 e que, portanto, não houve crime. Mas nem o réu sustenta isso. Ele mesmo disse que o crime foi dia 23. Isso tudo é balela”, afirmou Merli. “Vocês (defesa) deveriam ter combinado melhor com o acusado”, completou.

 

O júri popular do vigia começou na segunda-feira, no Fórum de Guarulhos, em São Paulo. Evandro é acusado de ter colaborado com a fuga de Mizael Bispo, condenado em 14 de março a 20 anos de prisão pela morte da ex-namorada Mércia.

 

A acusação sustenta que Evandro não teve participação direta na morte, mas que sabia que Mizael tinha a intenção de cometer o crime. Porém, a defesa do vigia alega que ele confessou ter participado do crime sob tortura. Mércia foi vítima de disparos de arma de fogo e lançada, no interior de seu veículo, dentro de uma represa no município de Nazaré Paulista, na Grande São Paulo.

 

Outro fato destacado pela promotoria na fase de debates desta quarta-feira é o “excesso” de coincidências citadas pela defesa. “Curiosamente o Mizael e o Evandro se falaram 19 vezes no dia 23 e depois disso eles não usam mais o número de telefone, somente na data em que o carro foi encontrado. É outra coincidência? Todas as coincidências aconteceram dia 23? Tudo isso foi por acaso?”, disse Merli.

 

A promotoria foi apoiada pelo advogado assistente de acusação Alexandre de Sá, que enumerou “dez coincidências que inocentam Evandro”, entre elas que o local do crime, a represa em Nazaré Paulista, fica em frente à casa do irmão de Evandro e que o vigia vai embora para o Nordeste exatamente no dia seguinte em que encontraram o corpo de Mércia e o carro debaixo da água.

 

“Ele deu moral e foi o confessionário do Mizael. Não é responsável pelo homicídio só quem atira. A participação dele foi preponderante. Sozinho, o Mizael não conseguiria matar Mércia”, disse o advogado de acusação.

 

A promotoria lembrou ainda que nem mesmo Mizael Bispo alegou que o crime não aconteceu dia 23, já que as ligações e as antenas de celular mostram que os dois estavam “no encalço da vítima”. Segundo a perícia técnica, antes do dia 23 de maio de 2010, data da morte de Mércia, as ligações entre Mizael e Evandro se concentram em um lugar e depois desta data se concentram em uma antena jamais utilizada pelo vigia naquele mês.

 

“Fico indignado com o que ouço no tribunal. Não sei como amo isso. Minha mulher me pergunta todo dia, mas quanto mais penso que não vou me impressionar, eu me impressiono”, afirmou Merli.

 

Depois de dois dias de julgamento e o depoimento de dez testemunhas, o júri iniciou nesta quarta-feira a fase de debates. Acusação e defesa fazem uma espécie de resumo do caso e mostram para os setes jurados suas versões. Depois disso, os jurados se reunirão em uma sala, chamada Sala de Sentença para definir se Evandro será culpado ou inocente.

 

O caso
A advogada Mércia Nakashima desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos, e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela foi ferida a tiros, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

Ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima). Em 14 de março deste ano, Mizael foi condenado a 20 anos de prisão pela morte de Mércia.

A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local. Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura.

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.