Paul Manafort, ex-chefe da campanha de Trump, se declara culpado em duas acusações de Robert Mueller e vai cooperar com investigações

O ex-chefe da campanha do presidente Donald Trump, Paul Manafort, chegou a um acordo judicial e se declarou culpado nesta sexta-feira (14) em uma corte federal em Washington por duas acusações que enfrenta na investigação do promotor especial Robert Mueller.

Manafort também declarou na corte que vai cooperar com as investigações que buscam esclarecer possíveis laços entre membros da campanha de Trump e russos ligados ao Kremlin que teriam favorecido a eleição do empresário nas últimas eleições americanas.

As duas acusações das quais Manafort se declarou culpado decorreram da investigação sobre a ingerência da Rússia, mas têm a ver com suas finanças pessoais e seu trabalho de consultoria a um político da Ucrânia, não com o suposto conluio com Moscou.

Uma delas é por conspiração contra os Estados Unidos e outra, por obstrução de Justiça, segundo autos registrados no Tribunal Distrital de Columbia.

O acordo judicial evita um novo julgamento, que começaria na semana que vem.

Segundo o site Politico, o acordo inclui um limite de 10 anos de prisão para Manafort. De acordo com o seu advogado, 10 acusações feitas em uma corte da Virgínia seriam dispensadas.

Há três semanas, Manafort foi condenado por oito das 18 acusaçõesde fraude bancária e fiscal que enfrentou em um outro julgamento em um tribunal na Virgínia. Ele foi condenado em cinco acusações de apresentação de declarações fiscais falsas, uma acusação por não declarar contas no exterior e por duas acusações relacionadas a fraudes bancárias.

Casa Branca: ‘nada a ver com Trump’

A decisão de Manafort pode ser um golpe para Trump, que elogiou seu ex-assessor no mês passado por não firmar um acordo com procuradores, ao contrário do que fez seu ex-advogado pessoal Michael Cohen em outro caso.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que o acordo de Manafort “não tem nada a ver” com Trump ou sua vitória nas eleições de 2016.

No dia 22 de agosto, Trump tuitou: “Ao contrário de Michael Cohen, ele se recusou a ‘ceder’ — inventar histórias para conseguir um acordo. Quanto respeito por um homem corajoso!”.

Ingerência russa

Desde 2017, Mueller investiga um suposto conluio entre membros da campanha de Trump e russos ligados ao Kremlin nas últimas eleições presidenciais, o que o presidente nega ter acontecido.

A inteligência americana concluiu que a Rússia se envolveu nas eleições presidenciais de 2016, nas quais Trump foi eleito. Empresas e cidadãos russos foram indiciados por conspiração a favor de Trump.

Manafort ganhou milhões de dólares trabalhando para políticos ucranianos pró-Rússia antes de receber um cargo não remunerado na campanha de Trump. Ele fez parte da equipe de campanha durante cinco meses e a comandava em meados de 2016, quando Trump foi escolhido como o candidato republicano para a eleição presidencial.

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