Parreira dá ideias e até palpite tático para Felipão

BAL14. JOHANNESBURGO (SUDÁFRICA), 05/04/2014.- El entrenador de Brasil, Luiz Felipe Scolari (i), habla con su ayudante Carlos Alberto Parreira (d) hoy, miércoles 5 de marzo de 2014, durante un partido amistoso internacional en Johannesburgo (Sudáfrica). EFE/STRINGER   ORG XMIT: BAL14Contratado para coordenar a comissão técnica da Seleção, Carlos Alberto Parreira tem feito bem mais do que isso nesta Copa do Mundo, a sua décima na carreira. Na prática, ele atua muitas vezes como assistente direto de Luiz Felipe Scolari, treinador que, assim como ele, também já comandou o time brasileiro em um título mundial, mas participa do torneio apenas pela terceira vez e, ao que parece, não se importa em receber seus conselhos.

Na segunda-feira à tarde, Parreira desceu ao centro de mídia da Granja Comary, acompanhado de Felipão e de Flávio Murtosa, o oficialmente auxiliar do treinador. O trio convocou seis jornalistas conhecidos para uma conversa reservada, no fundo da sala, a fim de trocar impressões sobre o desempenho da equipe e a cobertura da imprensa. Foi uma sugestão de Parreira, repetindo o que havia feito em Weggis, durante a preparação para a Copa de 2006, quando dirigiu a seleção pela última vez.

Oito anos atrás, em vez de um bate-papo no próprio local em que a imprensa trabalha, Parreira convidou (coincidentemente também seis) articulistas para um jantar no hotel da concentração: Alberto Helena Júnior, Armando Nogueira, Fernando Calazans, Renato Maurício Prado, Ruy Carlos Ostermann e Tostão participaram do encontro. Desta vez, os escolhidos foram outros, mais conhecidos de Felipão: Carlos Eduardo Mansur, Fernando Fernandes, Juca Kfouri, Luiz Antônio Prósperi, Osvaldo Pascoal e Paulo Vinícius Coelho. Na conversa de aproximadamente uma hora, todos falaram, até mesmo Murtosa.

Parreira tem estilo bem diferente de Felipão. Sempre muito educado, não faz caretas nem gesticula tanto, e fala em baixo tom de voz. O gaúcho é explosivo, dentro e fora de campo, e costuma atacar a imprensa e adversários com frequência. Juntos, porém, se dão muito bem. O treinador não sofre interferência alguma nos trabalhos durante a semana, mas já permitiu que o coordenador desse palpites em sua prancheta tática à beira do campo neste Mundial.

O grupo respeita essa autonomia e liderança de Felipão, mas grande parte dos 23 convocados também considera Parreira uma espécie de segundo treinador. O goleiro Júlio César, que foi seu jogador na Copa de 2006, dificilmente fala de um sem citar o outro. “Estamos falando de uma comissão técnica que já participou de diversas Copas do Mundo e tem experiência de sobra para passar o melhor para a gente”, disse, outro dia, o camisa 12, para defender a programação reduzida de treinamentos na Granja Comary.

O respeito que os atletas e a comissão têm por ele se deve ao fato de ele já ter estado em outras nove edições de Copa. Nas duas primeiras (1970, sendo campeão, e 1974), como preparador físico do Brasil. Em 1982 (Kuwait), 1990 (Emirados Árabes), 1994 (campeão com o Brasil), 1998 (Arábia Saudita), 2006 (Brasil) e 2010 (África do Sul), como treinador. Já em 2002, ano em que Felipão ganhou o título, ele era observador técnico da Fifa. Uma vasta experiência com a qual Felipão busca aprender, ainda que, na teoria, a missão de Parreira seja outra.

Como coordenador, ele deveria basicamente supervisionar e integrar o trabalho dos profissionais de diferentes especialidades da comissão (preparadores físicos, médicos, fisiologistas, entre diversos outros), a fim de facilitar a Felipão a busca pelo melhor rendimento. Ele, porém, não tem se restringido a isso, ao contrário de alguns de seus antecessores no cargo. Zagallo, seu coordenador em 1994 e 2006, talvez tenha chegado mais perto do que ele faz hoje em dia. Já Antônio Lopes, em 2002, e Zico, em 1998, tiveram atuações discretas na função.

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