Oratórios do séculos XVIII e XX são exibidos em Centro Cultural

O Centro Cultural Vale Maranhão abre nesta sexta-feira (11) a exposição Herança Africana na Arte Sacra Brasileira: Oratórios, que reúne 57 peças do acervo associado ao Museu do Oratório de Ouro Preto (MG). A abertura será realizada às 19h.

É a primeira vez que os oratórios presententes na exposição são exibidos em conjunto. São obras muito diversas, dos séculos XVIII e XX, a maioria procedente de Minas Gerais e algumas da região Nordeste.

“Os oratórios reunidos nesta exposição capturam nosso olhar e nosso espírito pela originalidade, pela beleza e pelos tantos significados que carregam. Os artistas negros que os esculpiram, cuja identidade já não é possível recuperar, deixaram em cada peça a marca de sua cultura de origem, produziram uma releitura de padrões estéticos que não eram os seus e os transformaram definitivamente. Temos a satisfação de receber um conjunto de oratórios tão especiais e raros”, disse Paula Porta, diretora e curadora do CCVM.

Os materiais mais simples e corriqueiros por eles utilizados, as dificuldades de realização pela escassez de instrumentos de esculpir, a liberdade expressiva que se nota nas pinturas e ornamentações, a religiosidade reprimida e intimista, são alguns aspectos que o olhar perspicaz da curadora Angela Gutierrez, grande conhecedora da arte sacra brasileira, identifica nessas peças.

A curadora destaca que a mostra é um chamado a reconhecer a importância do negro na formação da cultura brasileira.

“A arte sacra brasileira retrata esta influência com beleza e singularidade. Não se entende o Brasil sem reconhecer a força, a originalidade e a grandeza do negro em nossa formação. O rico patrimônio artístico e cultural do país tem uma fonte inesgotável de inspiração nas raízes africanas. Temos a África dentro de nós“, afirma.

A exposição Herança Africana na Arte Sacra Brasileira: Oratórios faz parte da programação do ano Beleza Pura, que celebra a grandeza do negro na cultura brasileira. É uma homenagem ao povo negro do Maranhão e ao legado de tantos artistas anônimos afro-brasileiros.

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