Moradores do Cajueiro sofrem com desmatamento

 

Desde que a área começou a ser desmatada, animais silvestres têm começado a invadir as residências.

 

 

SÃO LUÍS – A comunidade do Cajueiro, na zona rural de São Luís, tem sofrido com o desmatamento na região, iniciado depois que uma empresa que trabalha na ampliação do Terminal Portuário da capital começou a destruir a vegetação da área.

Moradores do local reclamam que a empresa tem oferecido quantias irrisórias em troca das propriedades. Quem mora nas casas garante, por meio de documentos passados em cartório, que a propriedade do imóvel é legítima.

O eletricista Eucimar Santos conta que ofereceram R$ 20 mil pela casa em que mora, deixada como herança por seu pai. A contrapartida, caso não aceitassem, seria a demolição do imóvel.

O agricultor João Germano, dono de um terreno de 8 hectares, se entristece ao observar o terreno desmatado. Ele conta que, durante muitos anos, aquele foi o local que lhe deu o sustento da família. “Eles passaram lá em casa, sem saber se eu queria vender, e me botaram R$ 40 mil [no terreno]”, conta João.

ANIMAIS SILVESTRES

Outros moradores também se indignam pela insegurança trazida com o desmatamento da área. Depois que começou o corte da vegetação, animais silvestres que se escondiam no matagal passaram a invadir as casas. Em vídeo, os moradores mostram jacarés e cobras entrando nas residências.

O pescador Ailton Costa se emociona e diz que não pode mais deixar o filho brincar no quintal ou na porta da própria casa. “Agora eu preciso deixar o meu filho preso dentro de casa, com medo de que algum desses animais venha a gerar algum dano pro meu filho”.

Os moradores afirmam que querem permanecer na comunidade do Cajueiro.

O professor doutor em sociologia Horácio Antunes realiza pesquisas científicas na área há 12 anos. Ele afirma que a empresa possui um planejamento ambiental, mas discorda da estratégia empregada. “Não contempla efetivamente as questões ambientais e nem considera a presença do Terreiro do Egito, um espaço histórico extremamente importante para a prática das religiões afro na comunidade e nem considera o modo de vida dos moradores do Cajueiro”, destaca.

Veja mais na reportagem de Olavo Sampaio:

Em nota, a empresa diz que tem todas as licenças para a execução das obras. Leia:

A WTorre informa que tem todas as licenças necessárias para o início de obras. Por conta disso é que iniciou os trabalhos de supressão vegetal. Cabe esclarecer que a grande parcela da Comunidade do Cajueiro situa-se fora da área a ser instalado o Terminal Portuário de São Luís. Já os moradores vizinhos à área de instalação do terminal estão sendo acompanhados pelas empresas responsáveis pelas obras no local. Quanto aos benefícios do empreendimento, há a possibilidade de criação de postos de trabalhos e desenvolvimento para a região.

Informações complementares:

  • Termo de Compromisso 004/2016, firmado entre o Terminal Portuário de São Luís (WPR São Luís) e a SEMA – Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Naturais, no valor de R$ 4,5 milhões, destinados à área ambiental;
  • Projeto de compensação social para construção de escola, posto policial, posto de saúde para a comunidade local;
  • Geração de 4 mil empregos diretos e indiretos;
  • Contratação de empresas locais para o desenvolvimento, construção e operação deste projeto;
  • Geração de recursos tributários e fiscais para o munícipio, estado;
  • Geração postos de trabalho e consequente capacitação técnica dos profissionais;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte: ma10

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