Maranhão e São Luís inspiram exposição de fotografia em Portugal

O Estado do Maranhão e, em particular, a sua capital, São Luís, são os grandes temas em destaque na exposição de fotografia “Do Rio a Pindaré, um outro Brasil”, da autoria de Luís Guita, patente na Galeria da Mimosa da Lapa, em Lisboa, Portugal, até 31 de Julho de 2014.

“Do Rio a Pindaré, um outro Brasil” é uma exposição construida com material recolhido ao longo de várias viagens ao Brasil, realizadas entre 2009 e 2013, faz a ponte entre o Rio de Janeiro e o Maranhão, e apresenta pormenores da imensidão vivencial do gigante da América do Sul.

O centro histórico de São Luís, os lençois maranhenses, o mangue, as cidades de Alcântara, Viana e Pindaré Mirim, os campos e rios da baixada maranhense, são algumas das referências na seleção de imagens que o Maranhão e os maranhenses inspiraram e ganham destaque numa exposição onde se podem ver também fotografias do Rio de Janeiro.

Apresentando um trabalho que estética e conceptualmente constroi linhas que nos ligam às escolas da foto-reportagem, do retrato ambientado, e da fotografia social, o fotógrafo e jornalista português Luís Guita acaba por revelar a sua paixão pelo Brasil e em particular pelo Maranhão.

“Do Rio a Pindaré, um outro Brasil” apresenta 24 fotografias a preto-e-branco, que, até mesmo na qualidade formal da apresentação, procuram estabelecer uma relação com valores e conceitos da cultura brasileira/maranhense.

O autor começa por provocar o confronto entre o erudito e o popular, ao construir um sistema de disposição que remete para a literatura de cordel e, paralelamente, usar excertos de obras dos mais reconhecidos autores brasileiros para dar nome aos trabalhos fotográficos. Mas o resultado do confronto provocado é uma harmonia que, em perfeito casamento com as imagens a pret-e-branco, ganha um brilho e uma coerência tão fortes que faz com que as partes se transformam em uma totalidade indissociável.

Ferreira Gullar, Salgado Maranhão, Gonçalves Dias, Manuel Bandeira, Augusto Frederico Schmidt, Haroldo de Campos, Cruz e Sousa, João Cabral de Melo Neto, Leonilde de Freitas, Carlos Drummond de Andrade, Ronaldo Costa Fernandes, Moacir Amâncio, Raiça Bonfim, Gilberto Mendonça Teles e Álvaro Alves Faria, são alguns dos autores brasileiros que inspiraram Luís Guita.

Luís Guita sobre o Maranhão: “A primeira vez que aterrei no aeroporto de São Luís foi em 2009. Cheguei ao Maranhão depois de dois anos de trabalho muito intenso em Paris. Foram dois anos em que o jornalismo exigiu muito de mim, por isso achei que merecia dois meses de férias. Comecei por deixar a capital francesa em direcção a Roma, onde estive uma semana. Depois rumei até Lisboa, minha cidade natal, para matar saudades de uma das cidades mais acolhedoras do mundo. O passo seguinte foi voar até ao Brasil para conhecer o Rio de Janeiro, a Baia e São Luís. Mas depois de conhecer São Luís quis conhecer mais do Maranhão, e assim se desenvolvi uma paixão pelas pessoas, pela cultura, pela história e pela natureza do Maranhão. Certo é que, desde essa primeira vez de 2009, de cada vez que regresso ao Brasil, o Maranhão faz sempre parte do meu plano de viagem. Espero que em 2015 consiga voltar a essa terra maravilhosa, descobrir um pouco mais do Maranhão e, quem sabe, aí encontrar um espaço para realizar uma exposição com o projecto fotografico que estou a desenvolver neste momento.”

Sobre Luís Guita:

Trabalha como fotógrafo e jornalista.

Desde 1989 que apresenta as suas fotografias em exposições na Europa, América do Sul e África. Franceses, suíços, norte-americanos, canadianos, italianos, luxemburgueses, espanhois e portugueses estão entre os clientes das fotografias de Luís Guita.

Como jornalista, no presente, é correspondente dos media Swissinfo (Suíça) e Luxemburguer Wort/Contacto (Luxemburgo) em Portugal. Durante muitos anos trabalhou como jornalista em França, na Radio France International (Paris) e no canal internacional de televisão EURONEWS (Lyon).

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