Maracanã bloqueia 65 ingressos de setor nobre para Flu x Chapecoense

Ingressos fraudulentos vendidos pelos cambistas para o setor Maracanã Mais
Ingressos fraudulentos vendidos pelos cambistas para o setor Maracanã Mais

Após a denúncia do derrame de ingressos para o setor mais nobre do Maracanã através de um grupo que utiliza dados roubados de cartões de crédito para efetuar compras pela internet, a concessionária que administra o estádio cumpriu a promessa de aumentar o rigor na fiscalização e, nesta quinta-feira, dia de Fluminense x Chapecoense, o resultado pôde ser visto na prática. A assessoria da empresa informou que 65 ingressos comprados para o jogo foram bloqueados. Eles foram comprados por 13 usuários detectados como suspeitos através de um banco de dados que leva em conta padrões de comportamento na rede.

De acordo com a assessoria, cada usuário foi avisado por email do bloqueio do ingresso. Somente três pessoas chegaram às catracas com esses bilhetes cancelados. Foram informados do ocorrido e não quiseram se dirigir ao Juizado Especial do Torcedor, preferindo desistir das entradas e comprar outras na bilheteria oficial.

Na manhã de quinta-feira o GloboEsporte.com publicou uma denúncia mostrando que entradas para o “Maracanã Mais”, setor que oferece maior conforto como local privilegiado na arquibancada e buffet, estavam sendo vendidas a agências de turismo e em ruas próximas ao estádio por preços muito inferiores ao valor real de face. Por exemplo, uma entrada para o clássico entre Fluminense e Botafogo, que custaria R$ 220 na bilheteria, foi comprada por R$ 80 da mão de um desses fornecedores pela reportagem. A negociação por telefone foi gravada.

Os dados dos seis bilhetes obtidos pelo GloboEsporte.com foram repassados à concessionária do Maracanã, que verificou que todos eram produto de fraude. A empresa detectou ainda que sua taxa de estorno no comércio virtual está 30% acima da média do mercado. Entradas inteiras para o “Maracanã Mais” podem ser impressas em casa, em uma folha de papel comum, e não há checagem do nome impresso no bilhete na entrada. A empresa alega que é um risco calculado dentro da opção de agir para impulsionar as vendas pela internet e proporcionar o maior conforto possível ao cliente. O diretor de marketing da concessionária do Maracanã, Marcelo Frazão, explicou:

– A gente decidiu de fato estimular a venda pela internet, estimular o conforto real do cliente que é comprar, imprimir e entrar direto, e isso tem um risco. Risco de fraude. O que vem acontecendo é que no Maracanã Mais estamos verificando um índice um pouco maior de estorno de cartão de crédito do que a média de e-commerce. Está 30% acima de uma média aceitável e isso começou a chamar atenção de que algo estava acontecendo de maneira estranha. A gente verificou o que vocês viram na fonte de venda de ingressos abaixo do preço de custo, e começou a nos chamar atenção para a necessidade de algumas medidas. 

Frazão explicou também como funcionará o banco de dados que já detectou cerca de 400 usuários suspeitos na fiscalização desse tipo de golpe e ressaltou que o prejuízo não afeta os clubes:

– Você faz um cruzamento de dados e comportamentos que de alguma forma indicam a fraude e posteriormente você consegue comprovar isso na rede de cartão de crédito. Tem o estorno. O cara usa o cartão que o cliente não reconhece a compra, então esse valor é estornado, a gente não recebe e já teve o sujeito entrando no estádio. Quando falo a gente, é só o Maracanã. Isso não interfere no clube, já teve a receita, já foi para o borderô. O prejuízo é apenas do Maracanã.

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