Mais de 1 milhão de maranhenses dependem do Auxílio Brasil, aponta Caged

Mais de 1 milhão de pessoas dependem do programa no Estado, enquanto nem metade desse número trabalha com carteira assinada.

O Maranhão é o Estado com a maior diferença entre o número de pessoas que recebem o Auxílio Brasil e as que têm carteira assinada, segundo um levantamento feito pelo g1 com base nos números do programa social fornecidos pelo Ministério da Cidadania e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Isso significa que a renda fixa da maioria das famílias maranhenses vem deste programa social; um dinheiro que ajuda, mas que acaba antes do fim do mês.

Esse é o caso de Jocileni Abreu, que está desempregada e o dinheiro que entra todo mês por meio do auxílio mal dá para comprar comida. Sem emprego há cinco anos, o desafio dela é dar condições de sobrevivência para os filhos.

“Eu me viro porque eu sou manicure. Eu faço meus bicos em casa como manicure e estou aí em busca de alguma oportunidade na área de limpeza, qualquer coisa. Eu estou disposta a tudo. Eu quero um emprego porque as coisas estão difíceis. Eu tenho criança e hoje em dia a cesta básica está muito cara. Tu vai no comércio um dia está um valor e no outro dia tu vai e já está outro”, revelou Jocileni Abreu.

Em casa, a única renda fixa é o do Auxílio Brasil, programa do Governo que paga R$ 400 para famílias em situação de extrema pobreza. Sem emprego formal, a Jocilene precisa driblar a inflação com a quantia que recebe.

Quase sempre, esse dinheiro acaba antes do final do mês. A lista de pessoas no Maranhão que estão na mesma situação que ela, dependendo só do Auxílio Brasil, é extensa. Cerca de 1.107,306 pessoas dependem do programa, enquanto nem metade desse número trabalha com carteira assinada.

Em 13 Estados do Brasil, o número de famílias que vivem do dinheiro do Auxílio Brasil é maior que o das que vivem da renda do trabalho formal, com vínculo na CLT. De acordo com o sociólogo Bruno Rogens, essa situação de desigualdade social e de dependência de benefícios estatais é resultado do modelo de desenvolvimento do país.

“Os impactos deste cenário para o Maranhão é a permanência de uma situação de vulnerabilidade social muito grande, de dependência da sociedade em relação a benefícios estatais, a benefícios de programas assistenciais. Isso coloca uma situação de fragilidade muito grande da sociedade e que tem, inclusive, consequências econômicas e políticas” conclui Bruno.

Fonte: G1 MA

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