Lixo contribui na proliferação do Aedes aegypti em São Luís

Crescimento foi 134,4% no total de dengue na capital, em relação ao ano anterior; distrito Tirirical, que reúne bairros como Cidade Olímpica e Cidade Operária é considerado o mais crítico; chuvas devem piorar a situação

 São Luís ainda não está preparada para enfrentar o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, em 2017, assim como não esteve em 2016. E o principal motivo para isso é a enorme quantidade de lixo espalhada pela cidade, tanto em lixões improvisados, quanto nas próprias ruas e esquinas. E a situação deve piorar agora com o início das chuvas.
No bairro do Cohatrac IV, por exemplo, na rua Joaquim Giordano Mochel, o lixão toma um espaço enorme. E lá é descartado todo o tipo de material imaginável. Até mesmos urubus visitam o local atrás de uma carniça, coisa que encontram constantemente. Segundo moradores próximo, o local era para ser um ecoponto, mantido pela prefeitura de São Luís, mas, antes das eleições, chegaram a construir apenas os alicerces da obra, que nunca foi pra frente.
Noutro ponto, na Avenida Ferreira Gullar, apesar de existirem os contêineres, que serviriam para o depósito de lixo, o entulho se espalha por vários e vários metros pelo chão. E entre a sujeira é possível observar diversos elementos que acumulam água e servem de abrigo para as larvas de mosquito.
Surto
Dados da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que 2016 São Luís teve um crescimento de 134,4% no total de casos de dengue. No Maranhão, 54 municípios são prioritários para o combate ao mosquito e São Luís aparece na 36º. Na capital, o distrito Tirirical, que reúne bairros populosos como Cidade Operária, Cidade Olímpica e outros próximos, são considerados os mais críticos.
Em todo o estado, o crescimento do número de casos de dengue em 2016 em relação a 2015 foi de 223,1%. Os casos de chikungunya aumentaram 2.737% e os casos de zika vírus aumentaram 5.367%. No caso dos casos de zika vírus, em 2015 havia muita subnotificação, por se tratar de uma doença pouco conhecida e também pelo fato das três infecções terem sintomas parecidos. Já com a chikungunya, a tendência, de acordo com a superintendência, é da ocorrência de um número significativo de casos.
As cidades de Amarante do Maranhão, São Domingos do Maranhão, Barra do Corda e São Mateus têm os piores índices de infestação. De acordo com a superintendência, as 54 cidades prioritárias são as mais populosas, urbanizadas, onde há a maior produção de lixo e cidades fronteiriças.

Campanha

Para tentar mudar o quadro, o Governo Federal já deu início a mobilização nacional de enfrentamento do Aedes aegypti. Em São Luís, mutirões serão realizados em órgãos públicos e estatais, unidades de saúde, escolas, residências, canteiros de obras e outros locais, marcando a intensificação das ações de combate e, consequentemente, impedindo a proliferação do mosquito.

A campanha prevê ainda trabalhos de limpeza urbana, intensificação da busca ativa de casos de microcefalia para reduzir subnotificação, além de capacitação de mais 76 profissionais de saúde para atender e acompanhar as crianças.

Pneus

Já a Prefeitura de São Luís foi a primeira das regiões Norte e Nordeste do país a criar um espaço exclusivo para receber pneus de descarte. Cerca de 70 mil pneus velhos já foram recolhidos este ano. Segundo o superintende de Limpeza da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), Nelson Buriti, a coleta é feita diariamente nas ruas, terrenos baldios e nas mais de 300 borracharias espalhadas pela capital.

Números

2015

1.960 casos de dengue em São Luís

472 casos de chikungunya no Maranhão

86 casos de zika vírus no Maranhão em 2015

2016

4.594 casos de dengue em São Luís

13.394 casos de chikungunya no Maranhão

4.702 casos de zika vírus no Maranhão

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