Prefeito diz esperar que cenas de usuários se drogando nas ruas do centro de São Paulo, ‘uma imagem ruim para a cidade’, seja em breve ‘algo do passado’
O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu nesta terça-feira acabar ainda neste semestre com a cracolândia, tradicional ponto de consumo de drogas – principalmente crack – na região central de São Paulo. Com a implementação do programa Redenção, prevista para ocorrer até junho, o tucano disse que os dependentes químicos não ficarão mais na rua. A remoção, afirma, será feita de forma “humanitária” e terá caráter contínuo, para evitar o retorno dos usuários de droga às ruas.
“Não vão ficar na rua. Eles receberão o tratamento clínico necessário e o atendimento social que devem ter”, afirmou o prefeito, após uma reunião de cerca de duas horas e meia na Secretaria de Estado da Segurança Pública. Para o tucano, a presença de dependentes químicos nas ruas do centro é “uma imagem ruim para as pessoas, para a cidade e para o Brasil”.
“Esta imagem, nós esperamos que, dentro em breve, seja algo do passado. E que as pessoas que ali estão, como psicodependentes, possam ter o seu atendimento clínico, o resgate da própria vida, uma oportunidade ao emprego e, com isso, a chance de cidadania que hoje não têm, infelizmente”, disse, ressaltando que os criminosos da cracolândia “terão a força da lei” e serão presos.
Além dos secretários estaduais da Segurança Pública, Mágino Alves, e do Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, participaram da reunião os secretários municipais da Saúde, Wilson Pollara, e de Assistência e Desenvolvimento Social, Soninha Francine, além do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Marcos da Costa.
‘A cracolândia já acabou’
A cracolândia, que tem seu epicentro no entorno da estação Júlio Prestes e se espalha por vias como Ipiranga, São João, Duque de Caxias, Rio Branco e Cásper Líbero, começou a ganhar corpo na década de 1990 e, desde então, desafiou todos os prefeitos e governadores, que lançaram vários programas para tentar resolver – ou equacionar – a questão, nenhum deles a ponto de acabar com sua existência.
Em janeiro de 2012, a então secretária de Estado da Justiça de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda, integrante do governo Geraldo Alckmin (PSDB), chegou a cravar, em meio a implantação de programas na região, que a cracolândia já tinha acabado.
“A cracolândia já acabou. A cracolândia não existe mais”, afirmou, durante um evento na OAB. “O que nós podemos ter são pessoas alvo de traficantes, e eles vão continuar na nossa mira. Não vamos dar sossego para eles. Quero deixar bem claro: a cracolândia em São Paulo acabou”, disse.
(Com Estadão Conteúdo)