O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou pela 1ª vez que não dará indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se for eleito. Lula foi condenado em 2ª instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 12 anos e 1 mês de prisão e cumpre pena em Curitiba desde 7 de abril. O PT chegou a registrar o ex-presidente como candidato, mas o nome dele foi barrado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa. O PT substituiu, então, o nome dele pelo de Haddad em 11 de setembro.
Haddad foi questionado mais de uma vez se daria ou não o indulto. Os jornalistas citaram uma declaração do governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel, que falou no último sábado (15) sobre “a certeza” de que Haddad irá assinar o indulto, no primeiro dia de mandato, se for eleito.
Na primeira vez, Haddad respondeu que Lula está trabalhando para provar que é inocente. “Lula não vai abrir mão da defesa da sua inocência. Ele é o primeiro dizer: ‘Eu não quero favor. Eu quero que os tribunais brasileiros e os fóruns internacionais reconheçam que eu fui vítima de um erro judiciário’.”
Questionado se isso, então, significava que ele não daria o indulto, Haddad afirmou que “isso não está em pauta”. O petista falou que Lula tem sido considerado, desde o primeiro julgamento, como condenado, mas que acredita na absolvição dele. “E se não for?”, questionaram os jornalistas, lembrando que há apenas duas hipóteses, ser ou não inocentado.
Haddad: “Eu, como cidadão, vou me manter na campanha pela liberdade do presidente. Porque, eu li o processo, eu considero…”
Milton Jung, jornalista da CBN: “Isso o senhor disse claramente. A pergunta objetiva é o seguinte…”
Haddad: “Não. Não. A resposta é não.”
Jung: “Não ao quê?”
Haddad: “Não ao indulto.”
Haddad foi o nono presidenciável a participar da série de entrevistas doG1 e da CBN com os candidatos. Eles são entrevistados pelos jornalistas Cláudia Croitor e Renato Franzini, do G1, Milton Jung e Débora Freitas, da CBN, e pelo comentarista Gerson Camarotti, do G1 e da CBN.
Fernando Haddad tem 55 anos, foi ministro da Educação no governo Lula entre 2005 e 2012 e foi prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016.
Impostos

Haddad fala sobre carga tributária, taxação de bancos e concentração de mídia
“Primeiro, o que nós vamos isentar do imposto de renda? Quem ganha até cinco salários mínimos. O que nós vamos cobrar? Os dividendos, que hoje a pessoa física não paga imposto de renda, vai voltar a pagar. Gradativamente, nós vamos aumentar as alíquotas”, completou.
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Fernando Haddad dá entrevista ao G1 e à CBN — Foto: Marcelo Brandt/G1
Redução de juros bancários
O candidato disse que pretende diminuir a concentração bancária, apoiando cooperativas de credito e fintechs (startups do setor financeiro), e afirmou que, se eleito, vai dar benefícios fiscais para bancos que cobrarem juros menores ao consumidor.
“Aqui é o único lugar em que banco não toma risco, só ganha. Qual país do mundo que cobra 300% de juros no cartão? Ou 120% de juros no cheque especial? Para uma inflação de 4,5%. Vamos taxar os bancos, quanto mais juros cobrarem, mais vão pagar de imposto. Em compensação, quanto menos cobrarem, menos vão pagar de imposto. Queremos nos associar a um projeto de redução das taxas de juros para o tomador. Se não for isso, ninguém vai conseguir pagar suas dívidas, ninguém vai abrir uma empresa, ninguém vai fazer um crediário.”
Milton Jung perguntou por que o PT não fez isso quando estava no governo. “Porque a economia estava bombando, o crédito consignado estava bombando… É difícil mexer em vespeiro, às vezes a gente não conta com apoio das pessoas para mexer em vespeiro”, respondeu Haddad.
Política de preços da Petrobras
Haddad fala sobre política de controle de preços e corrupção na Petrobras
Haddad disse ser contrário à política de preços dos combustíveis adotada nos últimos anos. Para ele, o melhor modelo é o adotado entre 2003 e 2012.
Sem citar a ex-presidente Dilma Rousseff, ele disse ser contrário é política de represamento de preços para controlar a inflação – uma prática que foi adotada pelo governo da petista. “A melhor política de preços da Petrobras é a seguinte: você não pode usar a empresa para manipular preços para combater inflação, o que quer que seja.”
Ele também criticou a política de Temer, de reajustes diários do preço conforme os preços internacionais. Para Haddad, é preciso considerar o poder de monopólio da Petrobras e levar em conta, para estipular os preços, sobretudo os custos internos de produção da empresa, não só o valor em dólar do que ela produz.
“Na minha opinião, foi um equívoco o que o Michel Temer fez de vincular os reajustes à cotação internacional. Nós não devemos fazer isso. Nós devemos, sim, levar em consideração o ambiente externo, mas levar mais em consideração os custos de produção da companhia, que são custos domésticos. E fazer um balizamento de preços como o que durou de 2003 a 2012”, afirmou o candidato.
Ausência de Dilma na campanha

Haddad fala sobre ausência de Dilma na campanha e empréstimos do BNDES
Questionado por que a Dilma não aparece na campanha, Haddad disse que “o Lula era o nosso candidato a presidente.”
A jornalista Débora Freitas pergunta então por que o programa eleitoral passa direto da época do Lula para a do Temer. “Porque houve um golpe… Ninguém vai poder me acusar de esconder aliado, porque nunca fiz isso. Nunca escondi apoiador, por mais problemático que seja… Isso é prática de político tradicional. Eu faço tudo às claras. Quando vou a Minas, ando com a Dilma para cima e para baixo. Tenho um milhão de fotos e vídeos com a Dilma.”
Pinga-fogo

Haddad responde a perguntas do ‘pinga-fogo’
É a favor da adoção de crianças por casais homossexuais?
Sim.
É a favor do imposto sobre grandes fortunas?
Sim.
Vai manter o subsídio ao diesel?
Não dessa forma.
É a favor da prisão após condenação em segunda instância?
Não obrigatória.
É a favor do foro privilegiado para políticos?
Não.
É favorável à cobrança de mensalidade nas universidades públicas?
Não.
Defende a intervenção militar na segurança nos estados, como no Rio?
Intervenção civil.
Assista abaixo a outros trechos da entrevista de Fernando Haddad:
Haddad fala sobre delação premiada

Haddad fala sobre homicídios no Brasil e violência contra a mulher
Entrevistas com presidenciáveis
Todas as entrevistas com os candidatos à Presidência serão transmitidas simultaneamente pelo G1 e pela CBN, das 8h às 9h, e contarão com perguntas de leitores do portal e ouvintes da rádio.
No dia 3, o deputado Cabo Daciolo, candidato a presidente pelo Patriota, não compareceu à entrevista marcada na rádio CBN, em São Paulo. Jair Bolsonaro, do PSL, não pôde comparecer ao estúdio da CBN na última (12), onde ocorreria a entrevista, porque continua internado em um hospital se recuperando do atentado à faca.
A ordem das entrevistas, definida em sorteio, é:
3/9 – Cabo Daciolo (Patriota) – Não compareceu
4/9 – Geraldo Alckmin (PSDB)
5/9 – João Amoêdo (Novo)
6/9 – José Maria Eymael (DC)
10/9 – Henrique Meirelles (MDB)
11/9 – Vera Lúcia (PSTU)
12/9 – Jair Bolsonaro (PSL) – convidado para realizar a entrevista em outra data
13/9 – Marina Silva (Rede)
14/9 – João Goulart Filho (PPL)
17/9 – Guilherme Boulos (PSOL)
18/9 – Fernando Haddad (PT) – Lula teve a candidatura indeferida pelo TSE
19/9 – Ciro Gomes (PDT)
20/9 – Alvaro Dias (Podemos)
FONTE G1














