Gângster que sequestrou dono da cervejaria Heineken é condenado por 6 assassinatos

Willem Holleeder, o mais famoso gângster da Holanda, foi considerado culpado de ser o mandante de uma série de assassinatos de pessoas no mundo do crime organizado do país.

O mais longo julgamento de assassinatos na história holandesa ocorreu em um tribunal de alta segurança, conhecido como “bunker”. Os advogados de Holleeder disseram que ele vai recorrer da condenação.
Considerado um chefão do crime, Holleeder foi condenado nesta quinta-feira (4) após um caro julgamento que durou mais de um ano em Amsterdã, capital holandesa.

Entre suas vítimas estava seu amigo, ex-cunhado e comparsa Cor van Hout, assassinado em 2003.

O júri condenou Holleeder à prisão perpétua por matar uma pessoa e ser o mandante de outros cinco assassinatos. Ele também foi acusado de formar com dois parceiros uma organização criminosa que ordenou matanças “a sangue-frio”. Um dos comparsas, Dino Soerel, também está preso – outro, Stanleu Hillis, foi assassinado.

Holleeder, agora com 61 anos, ficou famoso nos anos 1980 por comandar o sequestro do magnata da cerveja Freddy Heineken, dono da marca que leva seu sobrenome. O episódio virou até filme em Hollywood.

O mais longo julgamento de assassinatos na história holandesa ocorreu em um tribunal de alta segurança, conhecido como “bunker”. Os advogados de Holleeder disseram que ele vai recorrer da condenação.

A acusação se baseou no testemunho de sua irmã, Astrid, que fez gravações secretas de suas conversas com Holleeder.

Após denunciá-lo, ela precisou se esconder por segurança. Van Hout, um dos comparsas, era casado com outra irmã de Holleeder, Sonja, e ela também depôs contra ele.

Willem Holleeder sempre insistiu ser inocente e alegou que as provas dadas por suas irmãs eram falsas.

Os juízes decidiram que as provas, juntamente com os depoimentos da ex-namorada de Holleeder, Sandra den Hartog e outros, eram confiáveis ​​e “deram uma contribuição importante para provar que Holleeder realmente havia cometido” os atos de que era acusado.

A história de Astrid foi transformada em livro e virou um best-seller, mas sua decisão de depor contra o próprio irmão trouxe um fim à sua carreira como advogada de defesa e a obrigou a andar disfarçada e a morar em endereços escondidos.

“Eu sei que ele quer me matar e eu não o culpo por isso. Em um dia, há muitos momentos em que alguém pode estar por aí e atirar em você. Eu realmente me sinto um Judas. Eu o trai”, disse à BBC News.

Seu crime mais famoso ocorreu em 1983: o sequestro do magnata da cerveja Freddy Heineken ocorreu sob a mira de uma arma. O caso foi manchete internacional, e a história acabou se transformando em dois filmes. O primeiro, em holandês, tinha como protagonista o ator Rutger Hauer; o segundo, “Jogada de Mestre”, foi estrelado pelo ator Anthony Hopkins.

Holleeder e Van Hout – depois assassinado a mando do ex-cunhado – ficaram com Heineken por três semanas antes do pagamento do resgate.

Ele acabou preso, mas, segundo Astrid, seu irmão nunca aprendeu a lição. “Se ele fosse um mero vilão, eu ainda o reconheceria como irmã. Mas assassinatos… Isso cruza uma linha vermelha para mim”, disse.

Fim da carreira de um gangster antes ‘intocável’

Por Anna Holligan, correspondente da BBC na Holanda

As famílias das vítimas aplaudiram quando o veredicto de culpado foi lido. Holleeder foi descrito no tribunal como um homem de muitas faces, inescrupuloso e com um alto risco de reincidência.

Antes considerado intocável, o mais famoso gângster holandês passará o resto de sua vida atrás das grades, graças principalmente aos testemunhos vitais prestados por três mulheres próximas a eles.

Suas duas irmãs e uma ex-namorada colocaram suas vidas em risco para coletar e compartilhar provas contra Willem Holleeder, incluindo conversas gravadas de forma escondida. Ele foi condenado por matar rivais e até ex-amigos.

Apelidado de “O Nariz”, por causa de sua característica facial mais proeminente, o tempo de prisão anterior não transformou Holleeder em um pária público.

Pelo contrário, ele era frequentemente chamado de “criminoso fofinho”, aparecendo em um talk show popular e posando para selfies com “fãs” nas ruas.

Enquanto os parentes das vítimas celebravam a condenação, o homem responsável pelo sofrimento respondeu à notícia apenas franzindo o cenho.

Holleeder ainda exerce influência dentro do submundo do crime holandês – vários dos assassinatos foram ordenados de sua cela na prisão.

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