Escola de Cinema do IEMA revela talentos e aguça o olhar dos estudantes

No alto da escadaria no nº 221 da Rua Portugal, Centro Histórico de São Luís, o cartaz anuncia: “Luz, câmera, educação”. A frase não poderia ser mais adequada. Desde março de 2016, o prédio é a sede da Escola de Cinema do Maranhão – unidade vocacional do Instituto Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA). É a primeira vez que o Maranhão conta com um espaço do tipo que também é gratuito.

Na Escola de Cinema, são oferecidas oficinas, cursos na modalidade Formação Inicial Continuada (FIC) e também o Curso Técnico de Cinema, atualmente na segunda turma.

As unidades vocacionais do IEMA têm o objetivo de capacitar mão de obra para atender necessidades regionais do mercado de trabalho. Além de formar profissionais, a Escola de Cinema contribui para fortalecer a produção local e formar público.

“Mesmo que não se torne um cineasta, o egresso da Escola de Cinema terá um novo olhar sobre essa arte, vai assistir a filmes de uma forma diferente das pessoas que não conhecem as etapas de produção”, explica Liviane Santana Paulino Figueira Nina, gestora da Escola de Cinema.

A Escola de Cinema do Maranhão foi destaque inclusive na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Maranhão (SNCT) realizada de 25 a 28 de outubro em Timon. A unidade vocacional teve espaço exclusivo na programação. O “Cinema e Ciência” deu visibilidade a produções maranhenses e também a produções importantes do cinema mundial, com uma programação de curtas e longas metragens.

Quem participou da Semana também pôde se inscrever nas oficinas de Introdução à Linguagem Cinematográfica, de caráter teórico; e Realização Cinematográfica, para a produção de filmes. Como resultado desta segunda oficina, os estudantes produziram o curta “Amor Não Programado”, exibido no espaço na última noite da SNCT em Timon.

Liviane conta que a Escola de Cinema surgiu quando o Governo do Maranhão acolheu a proposta de cineastas maranhenses, de promover formações específicas na área. “Há muito tempo, as pessoas que fazem cinema no Maranhão tinham uma vontade muito grande de que houvesse um projeto assim. O governador Flávio Dino teve esse olhar diferenciado e foi a partir daí que o projeto começou a acontecer”, contou Liviane.

A primeira turma do Curso Técnico para Cinema iniciou em agosto de 2016. Antes disso, porém, vários cursos na modalidade FIC já haviam sido realizados e trouxeram frutos e notoriedade para a escola recém-criada. Além das formações em Som para Cinema, Atuação para Cinema e Direção de Fotografia, a unidade vocacional realizou a FIC em Cinema, em que os estudantes produziram o curta-metragem “Bodas de Papel”. O filme foi selecionado para o Festival de Cinema de Brasília – um dos maiores e mais concorridos do país.

Escola de Cinema do IEMA revela talentos e aguça o olhar dos estudantes. (Foto: Divulgação)

Escola de Cinema do IEMA revela talentos e aguça o olhar dos estudantes. (Foto: Divulgação)

Estrutura

Hoje, o Curso Técnico para Cinema está na segunda turma. São 30 participantes, selecionados conforme regras estabelecidas em edital. Os estudantes estão prestes a concluir o primeiro módulo: assistiram às aulas das Disciplinas de Introdução à Linguagem Cinematográfica, História do Cinema e, agora, iniciam a disciplina Cinema Documentário. O curso tem carga total de cerca de 800 horas. São quatro horas de aula por dia, de segunda a sexta-feira.

Os alunos assistem às aulas em sala climatizada com telão, projetor, TV de tela plana e quadro branco.  O prédio possui ainda três estúdios, camarim, cantina e depósito. Em fase de estruturação estão biblioteca e videoteca, com computadores e espaço de estudos. Depois de prontos, os espaços vão oferecer aos estudantes material para pesquisa, voltado à temática da unidade vocacional.

Os estudantes da Escola de Cinema têm também acesso a todo o acervo da biblioteca do IEMA da Praia Grande.  O prédio é ocupado com oficinas e cursos FIC nos turnos matutino e vespertino, e com o Curso Técnico de Cinema no período noturno.

Quem está participando do curso aprova a iniciativa. “Sempre quis fazer cinema e este curso, além de ser gratuito, traz profissionais muito bons. Ainda estamos vendo as disciplinas teóricas, mas essas aulas já aguçaram meu senso crítico e estão mudando a maneira como assisto a filmes. Uma formação assim serve para abrir caminhos e ajuda a gente a se descobrir dentro do cinema”, diz Matheus Botelho, 20, aluno do curso técnico e que planeja escrever roteiros.

Para outros, a oportunidade é de aperfeiçoamento dos conhecimentos adquiridos na prática. É o caso de Dida Maranhão, que trabalha com cinema desde 2002. Ela é coureira na tradição do tambor de crioula e foi assistente de produção do documentário maranhense “Fiel da Balança”.

“Eu não tinha a menor experiência com cinema, mas sempre fui apaixonada pela cultura. No caso do Fiel da Balança, me envolvi tanto com o filme que terminei virando assistente de produção, mas eu nem sonhava em estudar cinema. Com o tempo fui procurando me qualificar, mas havia poucos cursos e tudo era muito caro”, queixou-se, elogiando a oportunidade oferecida pela Escola de Cinema.

“Conhecimento nunca é demais, e aqui os ensinamentos têm qualidade técnica. As coisas ficam mais claras. Esta escola é um avanço muito grande para o cinema maranhense e também ajuda a aproximar os profissionais daqui e de fora do estado, abrindo oportunidades”, afirmou Dida.

Acessível

Entre os formados da primeira turma do curso técnico, o sentimento é semelhante. Para Rebecca Rocha Baldez, 23, o Curso Técnico em Cinema foi uma oportunidade de aprimorar os conhecimentos na área de Fotografia. Ela é fotógrafa amadora e estava na primeira turma do curso, finalizada no primeiro semestre deste ano.

“Quando fiz a inscrição, fiquei numa expectativa muito grande, porque não só era a primeira escola de cinema no Maranhão como era uma escola acessível, não era do setor privado”, recorda ela.

A experiência de estudar cinema também foi positiva: “Tivemos aulas com professores de renome nacional e internacional. Hoje sempre encontro os colegas da turma, estamos sempre produzindo alguma coisa. E as aulas que tivemos me fizeram ver o cinema de um jeito diferente, coisas que passariam despercebidas, como a direção de arte, por exemplo, hoje nos chamam muito a atenção”.

Escola de Cinema do IEMA revela talentos e aguça o olhar dos estudantes. (Foto: Divulgação)

Escola de Cinema do IEMA revela talentos e aguça o olhar dos estudantes. (Foto: Divulgação)

FONTE: GOVERNO DO ESTADO

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