Equoterapia muda a realidade de crianças e adolescentes com problemas neurológicos

A equoterapia como alternativa de tratamento terapêutico tem mudado a vida de crianças e adolescentes com deficiência ou necessidades especiais e renovando a esperança de mães e pais que acompanham a reabilitação dos filhos. Esse atendimento especializado, humanizado e de bons resultados é oferecido pelo Centro de Equoterapia do Maranhão, entidade coordenada pela Polícia Militar do Maranhão (PMMA). Funciona no quartel do Comando Geral, no bairro do Calhau, em São Luís, onde acolhe, atualmente, 100 pessoas ultrapassando os 450 atendimentos mensais. O Centro tem reconhecimento dos Conselhos Regionais de Medicina, Psicologia e Fisioterapia e integra a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil).

Implantado há 12 anos, o Centro nasceu por causa da demanda de quem necessita desse tratamento e a partir de experiências conhecidas em corporações militares de outros estados. “O projeto da equoterapia, em outros estados, se mostrou eficaz e, para nós, ficou viável a implantação, pois tínhamos os animais e os profissionais especializados dentro do próprio comando militar”, ressalta o diretor do Centro, tenente coronel William de Ataíde Pereira, que também é médico veterinário.

Os atendimentos iniciaram exclusivos para os filhos de militares, mas com as solicitações, os serviços foram ampliados à comunidade. O espaço acolhe crianças a partir dos quatro anos e adolescentes, em sua maioria, portadores de síndrome de down, paralisia cerebral e autismo. A equipe, multiprofissional, inclui terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, neurologistas, assistentes sociais, nutricionistas e psicólogos, do quadro da própria polícia e com apoio de voluntários.

A cabo Sílvia Helena Tavares, 31 anos, coordena atividades no Centro contribuindo com sua formação em Psicologia. “Fui convidada e descobrindo o trabalho, me interessei em fazer parte. É muito mais motivador e estimulante que o ambiente de consultório e a gente consegue ganhos a curto prazo para estas crianças e jovens. É um complemento à minha profissão na saúde e nos torna mais humanizados para o trabalho no policiamento. Me sinto mais próxima da sociedade”, diz ela, que há sete anos integra a equipe de apoiadores.

A soldado Irlana Martins, 26 anos, e terapeuta ocupacional e se interessou na formação em saúde. Ao ser integrada à Polícia Militar procurou o Centro. “Sempre estou na rua em atividade ostensiva e na equoterapia, tive desconstruído todo um aprendizado e desenvolver a humildade. Nós não somos os detentores do conhecimento. É uma relação bonita e simples, com um animal, que soma conosco, e muito engrandecedor poder mudar a vida destas pessoas”, explica a policial.

Quem conhece o trabalho e percebe a grandeza do que é realizado também se motiva para fazer parte desta missão. A pedagoga e assistente social Antônia Santos Costa, 40 anos, soube da atuação do centro, se identificou com a causa e há um ano é voluntária. “Tenho outras experiências na saúde, mas aqui me encontrei e vi o quanto é gratificante estar somando com esta equipe e levar uma melhor qualidade de vida para estas crianças e jovens. Não tem preço essa satisfação”, avalia.

Foi por meio de um amigo cadeirante que o fisioterapeuta Rodrigo Enéas Castelo Branco e Silva, 36 anos, se sentiu motivado para atuar como voluntário na equoterapia da PM. “O trabalho aqui é fantástico. Por outro lado, a visão que eu tinha da Polícia Militar, que já era boa, melhorou ainda mais. É muito nobre esse lado humano que vi na forma como lidam com essas crianças e o compromisso com a missão deste espaço, que é melhorar vidas. Eu me apaixonei, me envolvi e visto a camisa”, disse.

Somando para a conquista de mais apoios e recursos, o presidente do Instituto Família Feliz, Ivo Nogueira, 59 anos se uniu à causa nobre da Polícia Militar. O instituto também cede profissionais técnicos para atuar diretamente no projeto. “A Polícia Militar enxergou essa importante demanda, que vai além de seu trabalho preventivo e operacional. É extraordinária essa atuação da militar na área social e nós nos sentimos honrados em fazer parte desta equipe”, disse ele, que apoia o trabalho há um ano.

Esperança

Ao entrar no Centro, o paciente recebe avaliação neurológica, participa de interação com a equipe multidisciplinar, onde passa por outra avaliação e em seguida, inicia o tratamento. A média de permanência no grupo é de até dois anos, podendo ser estendida, dependendo da condição do paciente e da resolutividade alcançada. Este mês, 12 novos pacientes serão acolhidos.

Um destes novos atendidos é o filho da terapeuta ocupacional Joylma de Paula Rabelo, 37 anos. Bruno tem 10 anos e já recebe tratamento médico. Com a equoterapia, a mãe tem a esperança de melhor evolução. “Eu espero que ele possa ter mais tranquilidade, equilíbrio e concentração. Acredito que essa hiperatividade dele tem prejudicado o desenvolvimento escolar e vejo nesta terapia uma alternativa de melhora”, avalia.  Joylma acrescenta ainda que conhece o trabalho do centro e confia muito na equipe.

A professora Helena Maria dos Santos Salazar, 42 anos, conhece o centro há muitos anos, acompanhando os dois filhos, Vitor Salazar, de 20 anos; e Pedro Vitor, de 8 anos. Para ela, um grande alento que fez com que os filhos conseguissem superar barreiras impostas pelas deficiências. “Meu filho mais velho era bem agressivo e com este tratamento ele, hoje, é outra pessoa. Está mais tranquilo, mais próximo de mim e ganhou independência. Vejo a evolução positiva nos dois. Aqui é como uma família e para nós, uma esperança que se concretiza com esse trabalho social e extremamente humano”.

A coordenadora de patrimônio Norma dos Passos, 53 anos, sabe bem os benefícios do tratamento oferecido pelo Centro de Equoterapia. O filho, Yuri Assunção, de 33 anos, tem característica de autismo e, desde os 18 anos, recebe apoio da instituição. Desde então, a mãe observou melhoras significativas. “Cada criança e jovem com deficiência tem seu tempo para absorver os ensinamentos e isso é respeitado aqui. Tenho muita gratidão por este espaço, pelo trabalho destes policiais, pois vejo que meu filho é bem cuidado e evoluiu muito, inclusive conseguindo ser mais independente e até falar. Me surpreendi com o compromisso dos policiais nesse trabalho”, ressalta.

Interação

A terapia com o cavalo possibilita a execução de mais de 500 procedimentos, resultado da ‘andadura’ do animal, que não seria possível pelo ser humano. “Temos casos de crianças que estão aqui há muito mais tempo. Consideramos o rendimento e a melhora desta criança durante o tempo que permanece no tratamento. Em sua maioria, eles adquirem melhor qualidade de vida, pois, grande parte chega aqui sem conseguir fazer movimentos físicos”, explica o tenente-coronel William Pereira. O trabalho é realizado de segunda a sábado, pela manhã, sendo dividido em sessões.

O diretor enfatiza que a instituição vem evoluindo para oportunizar o atendimento a mais crianças e jovens com deficiência. E a procura pelo serviço é grande. Atualmente, a lista de espera soma 280 pessoas. “Estamos firmando mais parcerias com empresas e instituições para que possamos acolher mais pessoas e reduzir ou até acabar com essa lista de espera”, enfatiza o militar.

Tratamento

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo com fins ao desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e, também, com necessidades especiais. Esta atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio.

Na série de benefícios está mobilização da região pélvica, da coluna lombar e articulações do quadril; melhora do equilíbrio e postura; melhora movimentos do tronco, membros e visão; e estimula a sensibilidade tátil, visual, auditiva e olfativa. “Em pouco tempo do tratamento, a criança ou o jovem consegue avanços significativos como sentar, sustentar o pescoço para assistir televisão e dar passos. É um tratamento viável, que surte resultado em tempo mínimo e, de fato, garante melhor qualidade de vida, tanto para o paciente, quanto para a família”, avalia o diretor tenente coronel William Pereira.

FONTE: GOVERNO DO ESTADO

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