Energia em crise? prédios inteligentes podem ser a solução

Dois problemas sérios que estão levando incerteza a milhões de brasileiros. Primeiro, a falta d’água. Os reservatórios das principais capitais brasileiras atingiram um estado crítico. O segundo problema não é menos preocupante. Metade do Brasil ficou sem luz. Um apagão atingiu onze estados e o Distrito Federal. E afetou a vida de muita gente.

Vai continuar faltando luz? Vai continuar faltando água? O que deveria ter sido feito e não foi? Por que chegamos a essa situação? E agora o que fazer?

A nós, consumidores, só resta uma saída: economizar. Você tem ideia da quantidade de energia que cada eletrodoméstico da sua casa está gastando? Do impacto de cada um na conta de luz que está chegando com aumento já anunciado? E de pequenas providências que podem ajudar bastante?

Uma família do Rio de Janeiro teve um susto na última conta de luz, que teve um grande aumento. Eles acreditam que o aumento seja do ar condicionado. O Programa Fantástico, chamou especialistas para analisarem a situação.

São engenheiros que criaram uma forma de medir quanto o uso de cada aparelho pesa no bolso. “Seria uma ideia estranha você ir ao supermercado e não ter o preço dos produtos para você ter um consumo racional do que você quer. E energia a gente consome de uma forma que você vai gastando e no final do mês você vê o consumo total e não sabe o que foi o que”, afirma o engenheiro elétrico Pedro Bittencourt.

“Ao instalar a engenhoca, descobrimos que a casa já estava consumindo quase 500 watts. Isso só de deixar a geladeira, a TV e o aparelho de som na tomada. E bastou ligar o ar condicionado que o reloginho começou a marcar 1,1 mil watts. Ou seja: o consumo mais que dobrou”, explica Bittencourt.

O ventilador de teto também foi testado. Muito mais econômico, o ponteiro foi de 444 watts para 538 watts. Outro grande vilão da casa é o chuveiro elétrico. “Ele é praticamente quatro vezes o consumo do resto das coisas que estavam ligadas antes. A gente vê que ele consome bem mais que o ar condicionado”, fala o engenheiro.

Na cozinha, mais um que adora gastar energia: o micro-ondas. Fazendo os cálculos, o engenheiro descobriu que a família gastou na última fatura aproximadamente R$ 80 só de ar-condicionado. Foram R$ 36 de chuveiro elétrico para uma hora de banhos por dia. Com o ventilador de teto, foram R$ 27. Foram R$ 13 de micro-ondas e mais R$ 13 de forno elétrico. E R$ 95 de geladeira e outros aparelhos que não são retirados da tomada.

Como economizar? Se a família apenas deixasse de ligar o ar na potência máxima todas as noites, ela pouparia uns R$ 20 no fim do mês. Em alguns casos, é possível até economizar energia deixando o aparelho ligado enquanto se está fora de casa.  “Às vezes você vai sair por 15 ou 20 minutos, dependendo do tamanho do quarto, vale a pena deixar o ar ligado para não fazer ele gastar a energia novamente para baixar a temperatura para desejada”, recomenda Bittencourt.

E a economia não é só financeira, não. Recursos naturais podem ser poupados. Só com o ar- condicionado, a família gasta 144 quilowatts-hora por mês. Isso representa 20 kg de carvão queimados em uma termelétrica. Em uma hidrelétrica, fonte de 70% da energia gerada no país, são necessários 500 mil litros de água por mês para que essa família possa dormir todas as noites no gelado.

“A gente está passando por uma crise energética complicada então no verão é importante a gente tentar economizar em prol de todo mundo que está usando energia”, diz o engenheiro.

É importante economizar energia e também a água. Porque os níveis dos reservatórios por todos o país estão baixos. Apenas na Região Sul a situação não está complicada. No Norte, os reservatórios ainda operam com certo conforto. Mas no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste a situação é crítica. Alguns reservatórios estão operando já no volume morto.

Como é o caso do Paraíbuna, o maior dos que abastecem o Estado do Rio de Janeiro e que também é utilizado para produção de energia. Essa semana, o nível chegou ao volume zero pela primeira vez e, agora, opera com o volume morto. “Faço um apelo que a gente economize e não desperdice água”, pede o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.

Enquanto alguns governos estaduais já iniciaram uma campanha para o consumo consciente de agua, o governo federal ainda reluta em dizer que estamos correndo riscos. “A capacidade de geração que o país já possui associada com a capacidade de geração que está entrando em 2015 é mais do que suficiente para atender o mercado de energia elétrica”, diz o Secretário de Energia Elétrica, Ildo Grüdtner.

Mas especialistas advertem que chegamos ao limite. Parte, graças ao grande aumento do consumo das famílias depois de a presidente Dilma decidiu abaixar o preço da energia em 2013. “Ela foi lá em cadeia de rádio e televisão e anunciou: olha estou reduzindo a tarifa em 18%, na média. O que ela fez: ela deu um sinal para o consumidor que a energia estava sobrando no Brasil. Então, o consumo aumentou mais ainda e também o desperdício. Porque é da natureza humana: se está barato você desperdiça”, afirma diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.

Ao mesmo tempo, o investimento em infraestrutura não acompanhou a demanda. No final de 2013, o Fantástico mostrou que muitas obras de geração e transmissão de energia estavam atrasadas. Uma situação não muito diferente da de hoje. “Hoje você tem parques eólicos e até hidrelétricas prontas que não conseguem gerar energia porque a linha de transporte, transmissão, não está pronta”, diz Adriano Pires.

Prédios inteligentes

Uma das saídas seria também incentivar a construção de prédios mais inteligentes, como um hotel, no Rio de Janeiro. “A frente é toda de um vidro especial que tem uma película especial que evita que o calor entre. Todas as lâmpadas dos quartos são de led, sem exceção. O piso receberá um tratamento especial com uma manta térmica”, diz o engenheiro José Domingo.

Um exemplo ainda raro no Brasil. O hotel é uma das poucas construções a receber o selo etiqueta nacional de conservação de energia, concedido pelo Inmetro. Por isso, a solução a curto prazo encontrada pelo governo federal foi mesmo encarecer a conta de luz da população.

“Ano passado essa tarifa já cresceu quase 20%, esse ano está se prevendo um aumento de entorno de 40%. Dois anos, um aumento de 60%”, diz Adriano Pires.

 

Fonte: G1/Fantastico

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