Empresa suspeita de fraude é proibida de vender vidros blindados

A Justiça de São Paulo proibiu a empresa SER Glass de produzir e comercializar vidros blindados para veículos. A liminar foi concedida após pedido do Ministério Público paulista e cabe recurso.

Reportagem do Fantástico feita pelos repórteres Maurício Ferraz e Diego Zanchetta mostra que aempresa é acusada de pagar propina a oficiais do alto escalão do Exército para receber autorização para vender vidros que não cumprem o que prometem.

Procurada, a SER Glass não retornou até a publicação desta reportagem. Em junho, ao Fantástico, a SER Glass disse que a empresa tem 25% do mercado e que as denúncias foram inventadas pelos concorrentes. O dono da companhia, Fábio Santos, disse que a documentação está correta e que os vidros dele são seguros. “Eu me comprometo com qualquer cliente que tiver qualquer dúvida pode trazer o vidro, eu fico dentro do carro, e a gente atira.”

“A fim de limitar eventual o dano ao mercado consumidor em geral, defiro parcialmente o pedido liminar e determino às empresas SER Glass Vidros Blindados Ltda. e MF Engenharia e Tecnologia Ltda. que, em cinco dias, abstenham-se de produzir e comercializar vidros blindados para veículos automotores”, disse em sua decisão o juiz Gustavo Coube de Carvalho. Caso elas se recusem a cumprir, receberão multa cujo valor ainda não foi fixado.

O G1 não localizou a MF Engenharia e Tecnologia para comentar a decisão.

Denúncias
As primeiras denúncias contra a SER Glass surgiram em 2012. Naquele ano, a empresa tentou conseguir uma nova autorização, já que o Ministério Público tinha indícios de fraude na antiga. Segundo a acusação, um diretor procurou o major da reserva Willian Amaral Junior, com 30 anos de serviços prestados ao Exército, e pediu para que ele convencesse oficiais a comprarem o vidro da empresa. O major denunciou a SER Glass ao Exército e ao Ministério Público. “Produziam produto e colocavam a sociedade em risco”, disse.

Quem também procurou a Promotoria foi a ex-diretora comercial da empresa, Marissandra Gonzalez. Ela foi casada por três anos com o Fábio Santos. Depois de se separar, ela prestou dois depoimentos ao Ministério Público afirmando que a propina chegou a ser paga em dinheiro vivo a militares do Exército. “[Os clientes da SER Glass] não estão protegidos”, disse a mulher.

Em 2013, o Ministério Público decidiu fazer um teste. De 12 vidros da SER Glass, 9 foram perfurados por tiros de calibre .44. Se fosse uma situação real, o motorista teria sido atingido duas vezes. “Eu presenciei os testes e passaram as balas. E mesmo assim, as vendas continuaram”, disse Marissandra.

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