Parte 1 da série que traz histórias dos fornecedores que tiveram problemas com as empresas de Emerson Fittipaldi
As dificuldades financeiras de Emerson Fittipaldi se devem em parte à sua ação no automobilismo como promotor, segundo apurou o GRANDE PRÊMIO. O bicampeão da F1, campeão da Indy e duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis assumiu a organização das 6 Horas de São Paulo, a etapa do Mundial de Endurance, em 2012. Foram três edições da prova sob o comando do ex-piloto paulistano. Todas elas com problemas.
Desde esta época, Emerson vem acumulando também processos na justiça por falta de pagamento dos serviços prestados por diversas empresas durante as etapas brasileiras.
Emerson Cristiano é dono da Screen Racing, companhia de comunicação visual, com sede em São Paulo. Em 2014, o empresário foi contatado por Alvino Pereira Jr. – o braço direito de Fittipaldi – para prestar serviços na etapa do WEC, na corrida realizada no dia 30 de novembro, que encerrou o campeonato, em Interlagos. O vínculo, de acordo com o empresário, foi firmado por meio de troca de e-mails e em nome da Endurance Racing Eventos, a empresa de propriedade do ex-piloto responsável pela organização da prova.
O trabalho feito pela Screen Racing foi o de sinalização, colocação de placas de informação, comunicação interna e painéis publicitários na pista paulistana e também no paddock. Muitas placas de propaganda tiveram de ser instaladas com atraso, à noite em Interlagos, também devido à falta dos pagamentos, segundo o empresário. Foi a marca de Cristiano, inclusive, que fez os adesivos da Ferrari pilotada pelo próprio Emerson na corrida daquele ano.
Pelo serviço prestado, Cristiano afirma que fechou um acordo de R$ 70 mil, mas diz que só recebeu uma parte do que foi acordado originalmente – R$ 20 mil, “que vieram até adiantados”, segundo disse Cristiano ao GRANDE PRÊMIO.
Depois, o restante do que havia sido acordado não foi pago, de acordo com o fornecedor. “Era sempre uma desculpa, um novo pedido para a prorrogação de boleto. Um dia me disseram que era por conta do limite diário de pagamento, mas nunca mais recebi nada, nunca mais fui procurado por nenhum deles. Era sempre eu que tinha de correr atrás”, completa o empresário.
Para se livrar das dívidas que também contraiu em virtude do não pagamento do serviço prestado nas 6HSP, o empresário paulista afirma que precisou se desfazer de equipamentos de sua empresa, de maquinários importantes e até carros. O Emerson que ficou a ver navios não tem esperança de receber do Emerson que navega em pendências judiciais. Por isso, acabou ainda desistindo do processo contra o ex-piloto, “após várias de tentativas de resolver amigavelmente os problemas”.
“Na verdade, depois de tudo que aconteceu, seria mais um processo no meio de tantos que tem aí de bancos e grandes empresas. Por isso, desisti da ação. E eu ia gastar muito dinheiro e talvez nunca recebesse”, conta Cristiano.
“A primeira desculpa foi que existia um limite diário de pagamento que o banco liberava. Alvino disse que, como tinha muitos fornecedores, acabou extrapolando esse limite. E pediu mais um dia. Aí, no dia seguinte, faltava uma assinatura. No outro dia, era alguém que havia esquecido alguma coisa. E assim foi indo até a hora que ele abriu o jogo. Outras pessoas também não estavam recebendo. E aí eu percebi o que estava acontecendo”, acrescenta.














