Em baixa e às voltas com protestos, Macri aceita declarar emergência alimentar

RIO – Uma das principais promessas de campanha do presidente argentino, Mauricio Macri , em 2015 foi zerar a taxa de pobreza . Muitos, na época, lhe diziam que era um compromisso inalcançável, mas Macri, agora em campanha pela reeleição — a votação é em 27 de outubro, daqui a 45 dias —  insistiu. O tempo mostrou que foi um grave erro . A pobreza não só não foi zerada como aumentou, passando de 29% para 32%, segundo dados oficiais.

Argentina tem hoje mais pobres, e um drama instalou-se na agenda política e eleitoral: a fome. Em queda nas pesquisas e praticamente sem chances de conquistar um segundo mandato, Macri enfrenta um acampamento contra a fome organizado por movimentos sociais e partidos de esquerda no Centro de Buenos Aires e foi obrigado a aderir a um projeto opositor para declarar “emergência alimentar”. Aprovado por unanimidade — 222 votos a favor e uma abstenção — nesta quinta na Câmara, ele segue agora para o Senado, onde deverá ser sancionado na próxima quarta.

O projeto prevê aumento mínimo de 50% do orçamento destinado a programas de alimentação e nutrição este ano e que, a partir do ano que vem, os recursos sejam reajustados a cada três meses. Num país que fechará 2019 com inflação em torno de 50% e já projetou pelo menos 37% para 2020, trata-se de um dos pontos centrais do texto em discussão. Se aprovada, a “emergência alimentar” vigoraria até dezembro de 2022.

RIO – Uma das principais promessas de campanha do presidente argentino, Mauricio Macri , em 2015 foi zerar a taxa de pobreza . Muitos, na época, lhe diziam que era um compromisso inalcançável, mas Macri, agora em campanha pela reeleição — a votação é em 27 de outubro, daqui a 45 dias —  insistiu. O tempo mostrou que foi um grave erro . A pobreza não só não foi zerada como aumentou, passando de 29% para 32%, segundo dados oficiais.

Argentina tem hoje mais pobres, e um drama instalou-se na agenda política e eleitoral: a fome. Em queda nas pesquisas e praticamente sem chances de conquistar um segundo mandato, Macri enfrenta um acampamento contra a fome organizado por movimentos sociais e partidos de esquerda no Centro de Buenos Aires e foi obrigado a aderir a um projeto opositor para declarar “emergência alimentar”. Aprovado por unanimidade — 222 votos a favor e uma abstenção — nesta quinta na Câmara, ele segue agora para o Senado, onde deverá ser sancionado na próxima quarta.

O projeto prevê aumento mínimo de 50% do orçamento destinado a programas de alimentação e nutrição este ano e que, a partir do ano que vem, os recursos sejam reajustados a cada três meses. Num país que fechará 2019 com inflação em torno de 50% e já projetou pelo menos 37% para 2020, trata-se de um dos pontos centrais do texto em discussão. Se aprovada, a “emergência alimentar” vigoraria até dezembro de 2022.

Indicadores do Indec (o IBGE local) confirmaram este ano que 14,3 milhões de argentinos, de um total de 41 milhões de habitantes, são pobres. No caso das crianças, o cenário é ainda mais trágico: 46,8% das que têm entre 0 e 14 anos vivem abaixo da linha da pobreza.

A crise econômica e social explica, segundo analistas, grande parte do revés eleitoral sofrido pelo presidente nas primárias. Macri obteve apenas 32,93% dos votos, contra 49,49% de Fernández. No primeiro turno, no próximo dia 27 de outubro, o candidato da aliança entre peronistas e kirchneristas poderia superar 50% dos votos e eleger-se com folga. Fernández tem feito uma campanha tranquila, incluindo viagens ao exterior e já com pose de presidente eleito. Em meio à polêmica pelo “acampamento da fome”, o candidato questionou a iniciativa, pediu aos manifestantes que saiam das ruas, mas defendeu o projeto:

— Como sociedade deveríamos sentir vergonha, porque poderíamos alimentar 400 milhões de pessoas e não podemos resolver o problema de 15 milhões de argentinos. Não se trata de uma questão de orçamento, se trata de resolver a pobreza.

Integrantes do Gabinete macrista se negam a falar em fome, embora admitam que a situação social é grave. Na visão do analista Sérgio Berensztein, “o governo decidiu apoiar o projeto da oposição porque está diante de uma obviedade que não se pode negar”. Já Julio Burdman, professor da Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA), apontou que “o que veremos agora é uma guerra de responsabilidades. Macri diz que a herança que recebeu foi mais pesada do que imaginava, e Fernández culpa o governo pela crise”.

— Para o presidente, teria sido pior se opor à iniciativa. A oposição poderia aprová-la sem os votos do macrismo — disse o professor da UBA.

Mais de 20 organizações sociais estão participando do acampamento e já avisaram que não abandonarão as ruas enquanto não receberem uma reposta do Ministério do Desenvolvimento Social. Querem mais alimentos para refeitórios populares, principalmente na província de Buenos Aires, principal distrito eleitoral do país. Lá vive um terço do eleitorado nacional e o grande favorito para eleger-se governador é um ex-ministro da Economia de Cristina, o jovem Axel Kicillof.

— A situação da pobreza é anterior a Macri, isso não se discute. Mas o resultado das primárias teve um impacto muito negativo na economia e isso foi o que obrigou Macri a tomar esta decisão drástica, que vinha evitando — avaliou Martin Tetaz, economista e pesquisador da Universidade Nacional de La Plata.

O presidente argentino escolheu dos males o menor. Ser parte de um projeto opositor que representa a confirmação de seu fracasso em matéria de políticas sociais, mostrando capacidade de autocrítica, mesmo que seja na reta final de um governo que provocou enorme decepção entre seus eleitores. E como disse uma fonte macrista, foi uma reação rápida para tentar encerrar rapidamente o debate.

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