Flavio Ferreira, da FolhaAmanda Audi e Leandro Demori, de The Intercept BrasilSÃO PAULO e RIO DE JANEIRO
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, montou um plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações do caso de corrupção, apontam mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e analisadas em conjunto com a Folha.
Em um chat sobre o tema criado no fim de 2018, Deltan e um colega da Lava Jato discutiram a constituição de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas.
A justificativa da iniciativa foi apresentada por Deltan em um diálogo com a mulher dele. “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, escreveu.

Os procuradores cogitaram ainda uma estratégia para criar um instituto e obter elevados cachês. “Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, comentou Deltan no grupo com o integrante da força-tarefa.
Os procuradores cogitaram ainda uma estratégia para criar um instituto e obter elevados cachês. “Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, comentou Deltan no grupo com o integrante da força-tarefa.
A realização de parcerias com uma firma organizadora de formaturas e outras duas empresas de eventos também foi debatida nessa conversa.
A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e permite que essas autoridades apenas sejam sócios ou acionistas de companhias.
Os diálogos examinados pela Folha e pelo Intercept indicam que Deltan ocupou os serviços de duas funcionárias da Procuradoria em Curitiba para organizar sua atividade pessoal de palestrante no decorrer da Lava Jato.
As mensagens mostram ainda que o procurador incentivava outras autoridades ligadas ao caso a realizar palestras remuneradas, entre eles o ex-juiz e atual ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.
Os chats pelo aplicativo Telegram que envolvem a força-tarefa da Lava Jato foram enviados por uma fonte anônima ao Intercept, que divulgou a primeira reportagem em 9 de junho. Na última terça (9), o site publicou o primeiro áudio do material, no qual Deltan comemora uma proibição de entrevista do ex-presidente Lula (PT) à Folha.
Sempre que questionado sobre a sua atividade como palestrante, Deltan enfatiza que sua atuação neste campo tem como objetivo promover a cidadania e que grande parte dos recursos é destinada a entidades filantrópicas ou de combate à corrupção.
Pouco antes do primeiro aniversário da Lava Jato, em fevereiro de 2015, a dedicação de Deltan a cursos e viagens já gerava descontentamento entre os colegas da Procuradoria em Curitiba. Em uma conversa, o procurador buscou justificar suas atividades, dizendo que ela compensava um prejuízo financeiro decorrente da Lava Jato.
“Essas viagens são o que compensa a perda financeira do caso, pq fora eu fazia itinerancias [trabalho extraordinário em que, ao assumir tarefas de outro procurador, é possível engordar o contracheque] e agora faria substituições”, disse o procurador.
“Enfim, acho bem justo e se reclamar quero discutir isso porque acho errado reclamar disso. Acho que o crescimento é via de mão dupla. Não estamos em 100 metros livres. Esse caso já virou maratona. Devemos ter bom senso e respeitar o bom senso alheio”, completou Deltan.
A intensa atividade de Deltan como palestrante chamou a atenção da imprensa e levou os deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) a pedirem abertura de um procedimento disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público.
O requerimento, porém, foi arquivado, pois o órgão entendeu à época que as palestras se enquadravam como atividade docente, o que é permitido por lei, e ressaltou que grande parte dos recursos era destinada a instituições filantrópicas.
A ideia de criar uma empresa de eventos para aproveitar a repercussão da Lava Jato foi manifestada por Deltan em dezembro de 2018 em um diálogo com a mulher dele.
No mesmo mês, o procurador e o colega dele na força-tarefa da Lava Jato Roberson Pozzobon criaram um grupo de mensagens específico para discutir o tema, com a participação das esposas deles.
“Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preço”, afirmou Deltan no chat.
Pozzobon respondeu: “Temos que ver se o evento que vale mais a pena é: i) Mais gente, mais barato ii) Menos gente, mais caro. E um formato não exclui o outro”.
Após discussões sobre formatos do negócio, em 14 de fevereiro de 2019 Deltan propôs que a empresa fosse aberta em nome das mulheres deles, e que a organização dos eventos ficasse a cargo de Fernanda Cunha, dona da firma Star Palestras e Eventos.
Deltan detalhou então como seria a organização formal da empresa. “Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito [Pozzobon] e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal.”
Em seguida, o procurador alertou para a possibilidade de a estratégia levantar suspeitas. “É bem possível que um dia ela [Fernanda Cunha, da Star Palestras] seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa”, disse.
Pozzobon então comentou, em tom jocoso: “Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham”.

No dia seguinte, Deltan sugeriu também estabelecer uma parceria com uma empresa de eventos e formaturas de um tio dele chamada Polyndia.
“Eles [Polyndia] podem oferecer comissão pra aluno da comissão de formatura pelo número de vendas de ingressos que ele fizer. Isso alavancaria total o negócio. E nós faríamos contatos com os palestrantes pra convidar. Eles cuidariam de preparação e promoção, nós do conteúdo pedagógico e dividiríamos os lucros”, afirmou Deltan.
No último dia 3 de março, Deltan postou no diálogo detalhes sobre um evento organizado por uma entidade que se apresentava como um instituto. Ele comentou que esse formato jurídico também poderia servir para evitar questionamentos jurídicos e a repercussão negativa quanto à atividade deles.
“Deu o nome de instituto, que dá uma ideia de conhecimento… não me surpreenderia se não tiver fins lucrativos e pagar seu https://www.atosefatos.jor.br/wp-content/uploads/2023/03/voz_do_brasil_1711222143-1024×613-1.jpgistrador via valor da palestra. Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, escreveu.
A Folha pesquisou registros na Junta Comercial do Paraná e em cartórios de Curitiba e as buscas indicaram que, por enquanto, não houve a constituição de empresa de palestras em nome das mulheres dos procuradores ou de um instituto em nome deles.
As mensagens no Telegram indicam a intenção dos procuradores de tocar o projeto mesmo sem que a empresa de eventos e palestras estivesse formalizada. “Podemos tentar alguma coisa agora em maio tvz. Ou fim de abril. Nem que o primeiro evento a empresa não esteja 100% fechada”, afirmou Pozzobon.
Em dezenas de conversas analisadas pela Folha e pelo Intercept, Deltan mostrou grande interesse quanto ao valor de cada palestra.
Cerca de três meses antes de iniciar o grupo para discutir a abertura da empresa, Deltan informou a esposa sobre a lucratividade das palestras apurada até setembro de 2018.
“As palestras e aulas já tabeladas neste ano estão dando líquido 232k [R$ 232 mil]. Ótimo… 23 aulas/palestras. Dá uma média de 10k [R$ 10 mil] limpo.”
No mês seguinte, o procurador manifestou a expectativa para o fechamento de 2018.
“Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k [R$ 100 mil] limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k [R$ 400 mil]. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”, disse o procurador.
Caso tenha atingido a meta de faturamento líquido de R$ 400 mil em 2018, essa remuneração pode ter superado a soma dos salários de Deltan como procurador da República naquele ano.
Dados do Portal da Transparência do Ministério Público Federal mostram que ele recebeu cerca de R$ 300 mil em rendimentos líquidos em 2018, sem considerar valores de indenizações.
As mensagens apontam que Deltan usou os serviços de duas funcionárias da secretaria da Procuradoria, tendo realizado pedidos de registro de recibos e documentos relativos aos eventos, além de solicitações para que elas organizassem os convites que ele recebia.
As palestras remuneradas também são tema de muitas conversas de Deltan com autoridades. Um dos episódios em que ele encorajou interlocutores a atuar nessa área ocorreu em abril de 2017.

Na ocasião, o procurador antecipou um convite ao então juiz responsável pela Lava Jato, Sergio Moro, para participar de um evento em São Paulo e contou como estava cobrando pela atividade.
“Caro, o Edilson Mougenot [fundador da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais] vai te convidar nesta semana pra um curso interessante em agosto. Eles pagam para o palestrante 3 mil”, escreveu Deltan a Moro.
“Pedi 5 mil reais para dar aulas lá ou palestra, porque assim compenso um pouco o tempo que a família perde (esses valores menores recebo pra mim… é diferente das palestras pra grandes eventos que pagam cachê alto, caso em que estava doando e agora estou reservando contratualmente para custos decorrentes da Lava Jato ou destinação a entidades anticorrupção – explico melhor depois)…”, emendou.
O procurador ainda completou: “Achei bom te deixar saber para caso queira pedir algo mais, se achar que é o caso (Vc poderia pedir bem mais se quisesse, evidentemente, e aposto que pagam)”.
A princípio, Moro disse que já estava com a agenda cheia, mas posteriormente aceitou o convite e participou com Deltan em 26 de agosto de 2017 do 1º Congresso Brasileiro da Escola de Altos Estudos Criminais em São Paulo.
Em junho do ano passado, o chefe da Lava Jato em Curitiba convidou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot para participar de um evento em São Paulo.
Depois de abordar o curso, ele comentou: “Tava aqui gerenciando msgs e vi que fui direto ao ponto kkkk Tudo bem com Vc? Espero que esteja aproveitando bastante, tomando muita água de coco e dormindo o sono dos justos rs Agora, vou te dizer, Vc faz uma faaaaaaaltaaaaa”.
“Oi amigo kkkkkk”, respondeu Janot. “Considero sim mas teremos que falar sobre cache. Grato pela lembra”.
Deltan perguntou se o cachê oficial do ex-chefe era de R$ 30 mil e sinalizou que faculdades normalmente “não pagam esse valor”¦ mas se pedir uns 15k [R$ 15 mil], acho que pagam”.
Em julho de 2016, Deltan trocou mensagens com a procuradora da República em São Paulo ThaméaDanelon sobre uma operação que ela estava coordenando contra o superfaturamento na aquisição de equipamentos para implante em doentes com mal de Parkinson.
Após comentar sobre a melhor forma de divulgar a operação, Deltan sugeriu que a procuradora aproveitasse o tema de fraude na área da saúde para montar uma palestra para a empresa de planos de saúde Unimed, uma das que mais contratou o procurador nos últimos anos.
“Vc podia até fazer palestra sobre esse caso mais tarde em unimeds. Eles fazem palestras remuneradas até”, disse Deltan no diálogo.
A procuradora informou por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal em São Paulo que jamais realizou palestra para a Unimed.
A exemplo de seus colegas da força-tarefa de Curitiba, Thaméa disse que “não reconhece o conteúdo das supostas mensagens que não foram submetidas a qualquer verificação de integridade” e por isso não iria comentá-las.

Na conversa sobre a empresa de palestras e eventos, os procuradores da Lava Jato discutiram também maneiras de sair da linha tradicional do ensino jurídico para conseguir clientes jovens e interessados em cursos motivacionais.
No dia 27 de dezembro de 2018, Deltan postou no diálogo: “Curiosidade não basta, até porque a maior parte dos jovens não têm interesse em Lava Jato. Para o modelo dar certo, teria que incluir coisas que envolvam como lucrar, como crescer na vida, como desenvolver habilidades de que precisa e não são ensinadas na faculdade. Exatamente na linha da Conquer”.
A firma Conquer mencionada pelo procurador organiza palestras na linha motivacional e se apresenta como uma escola “aceleradora de pessoas”. À época, Deltan já havia ministrado palestras em eventos da Conquer.
O procurador então sugeriu o desenvolvimento de um evento com o título “Turbine Sua Vida Profissional com Ferramentas Indispensáveis”.
Os temas do curso, segundo Deltan, seriam “Empreendedorismo e governança: seja dono do seu negócio e saiba como governá-lo”, “Negociação: domine essa habilidade ou ela vai dominar Você”, “Liderança: influencie e leve seu time ao topo”, “Ética nos Negócios e Lava Jato: prepare-se para o mundo que te espera lá fora”.
Deltan propôs ainda que o curso tivesse “uma pegada de pirotecnia” e servisse como ponte para faturar com outros eventos da Conquer.
“Todas as palestras deixariam um gostinho de quero mais (tempo limitado) e direcionariam pra Conquer, com retorno de percentual sobre cada aluno que se inscrever no curso da Conquer nos 4 meses seguintes”, planejou o procurador.
Um mês depois, Pozzobon voltou ao assunto propondo um curso jurídico mais tradicional sobre ética e combate à corrupção, com o objetivo de atrair clientes de alta renda.
“Curso de sexta a noite e sábado de manhã. E poderíamos cobrar bem. Tipo uns 3 ou 5 mil. Público alvo: empresários, advs e altos executivos.”
DELTAN AFIRMA QUE FAZ PALESTRAS PARA PROMOVER A CIDADANIA
O coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirma que realiza palestras para promover a cidadania e o combate à corrupção e que esse trabalho ocorre de maneira compatível com a atuação no Ministério Público Federal.
Deltan e o procurador Roberson Pozzobon informam que não abriram empresa ou instituto de palestras em nome deles ou de suas esposas e que não atuam como https://www.atosefatos.jor.br/wp-content/uploads/2023/03/voz_do_brasil_1711222143-1024×613-1.jpgistradores de empresas.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa da Procuradoria no Paraná, os integrantes da força-tarefa da Lava Jato declaram que “não reconhecem as mensagens que têm sido atribuídas a eles” e que “esse material é oriundo de crime cibernético e não pôde ter seu contexto e veracidade comprovado”.
Quanto ao tema das palestras, a nota afirma que “é lícito a qualquer procurador, como já decidido pelas corregedorias do Ministério Público Federal e do Conselho Nacional do Ministério Público, aceitar convites para ministrar cursos e palestras gratuitos ou remunerados”.
“Palestras remuneradas são prática comum no meio jurídico por parte de autoridades públicas e em outras profissões”, completa a nota.
Segundo a manifestação do Ministério Público Federal no Paraná, Deltan e Pozzobon “não têm empresa ou instituto de palestras em nome próprio nem de seus familiares. Tampouco eles atuam como https://www.atosefatos.jor.br/wp-content/uploads/2023/03/voz_do_brasil_1711222143-1024×613-1.jpgistradores de empresas”.
Quanto à atividade específica de Deltan, a nota afirma que ele “realiza palestras para promover a cidadania e o combate à corrupção de modo sempre compatível com o trabalho. A maior parte delas é gratuita e, quando são remuneradas, são declaradas em imposto de renda e ele doa parte dos valores para fins beneficentes”.
Sobre o fato de as mensagens do aplicativo Telegram mostrarem a utilização de duas funcionárias da Procuradoria em tarefas de organização das atividades de palestrante de Deltan, a nota relata que “a secretaria da força-tarefa cuida da agenda do procurador quando há eventos gratuitos relacionados a pautas de interesse institucional”.
“Convites para palestras com remuneração ao procurador, quando recebidos pela secretaria, são redirecionados para pessoa de fora dos quadros do Ministério Público, a qual se encarrega de fazer a interlocução com os organizadores do evento”, segundo a nota enviada pela força-tarefa.
As mensagens dos procuradores da Lava Jato sobres os negócios de eventos e palestras
Em um chat em fevereiro de 2015, Deltan manifestou descontentamento pelo fato de colegas terem reclamado da dedicação dele a cursos e viagens
25.fev.2015
Deltan
02:05:12
Estou a favor de maior autonomia, mas não me encham o saco, pra usar sua expressão, a respeito de como uso meu tempo. To me ferrando de trabalhar e ta parecendo a fábula do velho, do menino E do burro. Uns acham que devo atender menos a SECOM, outros que é importante. Uns acham que devo acompanhar cada um, outros acham que os grupos devem ter mais liberdade. E chega de reclamar dos meus cursos ou viagens. Evito dormir nos voos pra render. To até agora resolvendo e-mails etc. Não estou dando cursos novos. O tempo que o curso toma é as 4 horas do curso e ponto, porque os do MPF não estou nem preparando. Fora de casa, aliás, como agora, faço coisas até tarde, sem tempo pra família, o que compensa esse tempo. Os dois dias do semestre em que darei aula fora do MPF coloquei na segunda, pra revisar a aula que está pronta no fim de semana. Além disso, essas viagens são o que compensa a perda financeira do caso, pq fora eu fazia itinerancias e agora faria substituições. Enfim, acho bem justo e se reclamar quero discutir isso porque acho errado reclamar disso.
02:07:32
Além disso, tenho apoiado as aulas do Paulo e as do Diogo, desde que com moderação e sem prejudicar o caso. Acho que o crescimento é via de mão dupla. Não estamos em 100 metros livres. Esse caso já virou maratona. Devemos ter bom senso e respeitar o bom senso alheio.
02:09:20
Enfim, estou colocando isso só de passagem, pra aproveitar e resolver essas questões de uma vez nesta semana. Estávamos precisando ajustar mesmo para prosseguir mais alinhados
Paulo
Provavelmente o procurador Paulo Roberto Galvão
Diogo
Provavelmente o procurador Diogo Castor
Em dezembro de 2018, Deltan comentou em um diálogo com a mulher sobre um plano de criar uma empresa para aproveitar a fama e os contatos obtidos na Lava Jato
Vc
Fernanda Dallagnol, esposa de Deltan
Amanda
Amanda Pozzobon, esposa do procurador Roberson Pozzobon
Robitoprocurador da força-tarefa da Lava Jato Roberson Pozzobon
3.dez.2018
Deltan
20:25:21
Vc e Amanda do Robito estão com a missão de abrir uma empresa de eventos e palestras. Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade…
20:25:51
Vcs não vão ter que trabalhar. Contratam uma empresa pra organizar o evento
Ainda em dezembro de 2018, os procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon criaram um grupo para discutir com as esposas a criação de uma empresa para organizar eventos e palestras
5.dez.2018
Deltan
16:43:36
Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preços
16:55:56
Robito, levanta umas infos tb e vamso falando
Roberson Pozzobon
16:55:56
Temos que ver se o evento que vale mais a pena é: i) Mais gente, mais barato ii) Menos gente, mais caro
16:56:16
E um formato não exclui o outro
16:56:28
Eventualmente podemos bolar eventos para as duas frentes
16:56:40
Pode deixar que farei isso sim
27.dez.2018
Deltan
23:33:18
Qual a razão para estudantes de direito (ou profissionais) se interessarem por um curso sobre corrupção? Ou na área penal? Curiosidade não basta, até porque a maior parte dos jovens não têm interesse em Lava Jato. Para o modelo dar certo, teria que incluir coisas que envolvam como lucrar, como crescre na vida, como desenvolver habilidades de que precisa e não são ensinadas na faculdade. Exatamente na linha da Conquer, bem lembrada por Fernanda. Como nosso objetivo não é evidentemente competir com a conquer, podemos nos aliar a ela e à sua ideia… Poderia ser um curso com 4 palestras de 1h: TURBINE SUA VIDA PROFISSIONAL COM FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS 1) Empreendedorismo e governança (inspiração e “como”): seja dono do seu negócio e saiba como governá-lo 2) Negociação: domine essa habilidade ou ela vai dominar Você – Roberson/Delta?? 3) Liderança: influencie e leve seu time ao topo – ?? 4) Ética nos Negócios e Lava Jato: prepare-se para o mundo que te espera lá fora – Delta/Roberson?? Cada palestra teria que ser muito bem desenhada, ter uma pegada de pirotecnia e ainda dependeríamos de uma boa divulgação. Todas as palestras deixariam um gostinho de quero mais (tempo limitado) e direcionariam pra conquer, com retorno de percentual sobre cada aluno que se inscrever no curso da conquer nos 4 meses seguintes.
23:40:49
Nada impede de testarmos também um curso de direito e processo penal com temas mais instigantes, mas daí limitado ao público da área do Direito.
27.jan.2019
Roberson
20:24:00
Tava pensando se não poderíamos bolar um curso com 6 encontros, em 6 meses, contemplando ética, complicance e combate à corrupção
20:24:51
Tipo 3 em curitiba, 2 em SP, 1 no RJ é um em BSB
20:25:15
Curso de sexta a noite e sábado de manhã
20:25:25
E poderíamos cobrar bem
20:25:32
Tipo uns 3 ou 5 mil
20:25:47
Público alvo: empresários, advs e altos executivos
Deltan
23:55:27
Não acho que algo assim venda Robito. Galera quer o curso, mas não quer gastar com passagens etc.
14.fev.2019
Deltan
21:41:10
Caros, se formos tocar nós mesmos, não vai funcionar. E se eu passar pra Fernanda da Star organizar isso e combinar que dividiremos os lucros? Se tivermos a empresa em nome de Amanda e Fer, jogamos pra ela organizar tudo e dividimos por 3 o resultado, sendo 1/3 pra Fernanda da Star. Estão de acordo?
21:42:03
Se estiverem de acordo passo pra ela a ideia e começamos fazendo na Unicuritiba e talvez 1 em SP inserindo um professor como Edilson mougenot, e enquanto isso as meninas abrem a empresa.
Roberson
21:42:13
Gostei da ideia, Delta!
21:42:37
E se falássemos pra ela que a divisão seria por 5 (20% cada um)
21:42:44
Vc acha que ela toparia?
Deltan
21:44:59
Ela ganha 20% sobre palestrantes sem fazer muito esforço… e aqui ela faria toda a organização… acho que os 20% não vão servir de estímulo, mas posso ver com ela
21:45:04
posso propor sim
21:50:55
só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal
21:51:21
é bem possível que um dia ela seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa
Roberson
21:57:08
Assim vai funcionar, Delta. Ótima ideia
21:59:07
Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs
21:59:11
Que veeeenham
15.fev.2019
Deltan
00:20:30 Tomara que seja algo como 1 bi porque vamos faturar!!
Roberson
00:20:39
hahaha
00:20:49
Vem ni noix tributos!!
Deltan
00:50:07
Pessoal, tem meu tio com empresa de eventos
00:50:09
Polyndia
00:51:10
Uma vantagem deles é que eles têm contato com inúmeras comissões de formatura
00:51:18
ou seja, têm canal de divulgação pra universitários
00:51:35
podem fazer uma “promoção” pras salas das comissões que são clientes e isso dar volume
Roberson
00:52:13
Pode ser um excelente canal mesmo
Para alavancar interessados universitários
Deltan
00:54:00
Se chamarmos ele pra ser sócio com 20%, ele sem dúvida alguma topará
00:54:16
E ele tem toda a estrutura de formatura pra fazer aquelas piras pirotécnicas que Vc queria
00:54:17
som etc
Roberson
00:54:41
Achei que ele seria tipo um parceiro para eventos melhores
00:54:55
Olha que tb é uma boa ideia Delta
Deltan
00:57:45
por outro lado eles podem oferecer comissão pra aluno da comissão de formatura pelo número de vendas de ingressos que ele fizer
00:57:52
isso alavancaria total o negócio
00:58:40
e nós faríamos contatos com os palestrantes pra convidar
00:59:29
Eles cuidariam de preparaçaõ e promoção, nós do conteúdo pedagógico e dividiríamos os lucros
01:01:35
tem um porém: risco moral
01:01:56
nao boto mão no fogo por nenhum empresário sobre sonegação fiscal… qq hora ele poderia se enrolar em algo e seríamos sócios
Roberson
01:03:44
Esse risco poderia de certo modo ser atenuado se tivessemos com ele uma relação de parceria e não de sociedade
3.mar. 2019
Deltan
22:34:23
Olhem que interessante o formato da entidade:
22:34:23
Excelentíssimo senhor Procurador da República Doutor Deltan Dallagnol. O Instituto de Liberdades Públicas e Ensino Jurídico Paulo Rangel, vem, pelo seu representante legal infra assinado, CONVIDAR Vossa Excelência a palestrar no II Seminário Jurídico Interdisciplinar cuja temática é “O BRASIL CONTRA A IMPUNIDADE: A violência Urbana e os desafios de uma sociedade Emergente”.
22:35:17
Deu o nome de INSTITUTO, que dá uma ideia de conhecimento… não me surpreenderia se não tiver fins lucrativos e pagar seu https://www.atosefatos.jor.br/wp-content/uploads/2023/03/voz_do_brasil_1711222143-1024×613-1.jpgistrador via valor da palestra. Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários
Roberson
23:35:56
Interessante, Delta. É uma alternativa. Temos que ver se de fato é um instituto sem fins lucrativos, ou apenas instituto no nome…
23:36:30
A Fernandan Star, falou mais alguma coisa contigo sobre os levantamentos preliminares para o nosso primeiro evento?
Deltan
23:51:25 Nope
Conquer
Empresa organizadora de eventos motivacionais
Fernanda da Star
Fernanda Cunha, dona da empresa Star Palestras e Eventos
Em um chat só com Deltan, Roberson comentou que o plano de negócios de palestras poderia ser executado mesmo que a empresa não estivesse formalmente aberta
15.fev.2019
Roberson
00:45:25
Vou pensar nesse fds num primeiro esboço mais concreto para o nosso primeiro curso
Deltan
00:45:52
veja minha proposta lá
00:45:58
acho que tá razoavelmente boa rs
Roberson
00:46:03
Achei top!
00:46:26
Podemos tentar alguma coisa agora em maio tvz
00:46:35
Ou fim de abril
00:47:00
Nem que o primeito evento a empresa não esteja 100% fechada
Os diálogos mostram que Deltan encorajou várias autoridades a atuar como palestrantes durante a Lava Jato, como o ex-juiz responsável pela Lava Jato, Sergio Moro, o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a procuradora da República em São Paulo Thaméa Danelon
23.abr.2017
Deltan
23:55:48
Caro, o Edilson Mougenot vai te convidar nesta semana pra um curso interessante em agosto. Eles pagam para o palestrante 3 mil. Pedi 5 mil reais para dar aulas lá ou palestra, porque assim compenso um pouco o tempo que a família perde (esses valores menores recebo pra mim… é diferente das palestras pra grandes eventos que pagam cachê alto, caso em que estava doando e agora estou reservando contratualmente para custos decorrentes da Lava Jato ou destinação a entidades anticorrupção – explico melhor depois)… Achei bom te deixar saber para caso queira pedir algo mais, se achar que é o caso (Vc poderia pedir bem mais se quisesse, evidentemente, e aposto que pagam). Só por favor não diga que comentei ou antecipei algo, para não ficar chato.
24.abr.2017
Sergio Moro
08:38:51
OK. Agradeço a indicação. Mas esse ano minha programação já está fechada, não cabe mais nada.
08:40:07
Hj a tarde estou indo a Poa para um curso é só volto quarta de.manha.
15.jun.2018
Deltan
23:43:15
Oi Janot, estou falando com curso de ensino jurídico Damásio de Jesus com o objetivo de fazerem um evento para divulgação da campanha UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO, que é para nós um caminho para fortalecer a lava jato e avançar a luta contra a corrupção no país. Eles gostariam de fazer o evento chamando também Vc e o PGJ de SP. Pagam despesas e hospedagens, mas não falei sobre cachê pq estou em campanha de divulgação das propostas… Vc consideraria participar?
23:45:11
Tava aqui gerenciando msgs e vi que fui direto ao ponto kkkk
23:45:34
Tudo bem com Vc? Espero que esteja aproveitando bastante, tomando muita água de coco e dormindo o sono dos justos rs
23:45:46
Agora, vou te dizer, Vc faz uma faaaaaaaltaaaaa
Rodrigo Janot
23:54:50
Oi amigo kkkkkk
23:55:45
Considero sim mas teremos que falar sobre cache . Grato pela lembra
16.jun.2018
Deltan
00:24:36
Passo seu cachê oficial (30k, certo?), ou algum outro?
00:24:55
(estou supondo que é 30k com base num evento que comentou comigo)
00:26:26
Normalmente faculdades não pagam todo esse valor… mas se pedir uns 15k, acho que pagam…
00:26:52
quero dizer, não sei se esses pagam, mas vejo que faculdades privadas por vezes aceitam pagar 10 ou 15
00:27:10
mas, enfim, Vc que manda
Janot
00:32:58
Ok vou ver . Estou chegando do equador e ainda estou no aeroporto . Nos falaremos em breve. Grato
15.jul.2016
Thaméa Danelon
22:31:45
Oi, acabei de te mandar um e-mail C a Nota da deflagração da operação. Se vc tiver um tempinho de ler e dar pitacos eu agradeço. Bjs.
16.jul.2016
Deltan
01:24:43
É assim mesmo. Eu tiraria o nome do hospital para publicar logo após a da PF sete e pouco. Só não pode sair antes. Colocaria aspas suas ao fim. Sugiro trabalhar com números (dobrei, triplo, 10 vezes mais cirurgia, quíntuplo do preço…) em algumas das frases. Esse caso é sensacional pq quantifica prejuízo à saúde. X outros pacientes poderiam ter sido atendidos em cirurgias de X mil sem gasto adicional de não houvesse o desvio…
01:25:41
Vc podia até fazer palestra sobre esse caso mais tarde em unimeds. Eles fazem palestras remuneradas até
Edilson Mougenot
é o fundador da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais, que organizou um congresso jurídico em agosto de 2017. Apesar de a princípio recusar o convite, Moro posteriormente aceitou e participou do evento com Deltan
Em uma conversa com a mulher dele, Deltan comentou sobre a lucratividade da atividade de palestrante
20.set.2018
Deltan
23:33:03
As palestras e aulas já tabeladas neste ano estão dando líquido 232k.
23:33:50
ótimo… 23 aulas/palestras
23:33:55
Dá uma média de 10k limpo
22.out.2018
Deltan
00:55:09
Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k limpos até o fim do ano
01:01:13
total líquido das palestras e livros daria uns 400k
01:02:00
total de 40 aulas/palestras
01:02:03
média de 10k limpo














