Delegado diz que é difícil saber quantas CNHs foram expedidas em esquema fraudulento

Foto: Daniel Moraes / Imirante.com.

SÃO LUÍS – O delegado André Gossain, da Superintendência de Investigações Criminais (Seic), afirmou, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (5), que ainda é muito difícil mensurar a quantidade de carteiras de habilitação (CNH) expedidas no esquema fraudulento organizado por autoescolas e agentes terceirizados do Departamento de Trânsito do Maranhão (Detran).

“A investigação foi iniciada em abril deste ano, mas, até o momento, só Deus sabe desde quando esse esquema existe. Então ainda é difícil afirmar precisamente quantas carteiras foram expedidas no total”, afirmou Gossain.

Nesta manhã, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva. Os proprietários das seis autoescolas envolvidas no esquema (um deles é policial militar) também foram presos. São eles: Jhonson Trindade Abdon, da autoescola “Abdon”; Marcos Raimundo Santos Coutinho, da “Coutinho”; Francisco da Silva Andrade, que é policial militar, da “Andrade”; Evilazio Nascimento, da “Unidas”; Washington Chaves, da “Cometa” e José Antônio Azevedo, da autoescola “Júnior”. Eles foram apontados como os responsáveis por conseguir os “alunos”, e cobravam, em média, R$ 3 mil por cada CNH. Todos, incluindo os examinadores terceirizados do Detran, responderão pelos crimes de organização criminosa e corrupção passiva.

Foto: Divulgação.

A investigação, batizada de “sem saída”, também revelou a facilidade para conseguir uma CNH. “Em alguns casos, além de não saber dirigir, o ‘aluno’ não sabia nem escrever o próprio nome, e, mesmo assim, conseguia uma CNH facilmente”, afirmou Gossain. “Isso é muito grave. Pessoas sem qualquer preparo estão nas estradas, dirigindo carros, caminhões etc. Talvez isso explique a quantidade absurda de acidentes que temos aqui no nosso Estado” opinou.

Fraude nas digitais

Para burlar o sistema de digitais do Detran, algumas autoescolas faziam próteses de silicone das digitais dos “alunos”. Dessa forma, além de não assistir as aulas, o cliente nem precisava se deslocar até a autoescola para colocar a digital. “A partir disso dá para perceber o porte dessa organização criminosa”, comentou o secretário de segurança Jefferson Portela.

Tiroteio

A polícia foi recebida a tiros na casa de um dos envolvidos no esquema fraudulento. “Nós chegamos ao endereço do senhor José Ferreira Marques Júnior nesta manhã, batemos na porta informando que era da polícia, e ninguém respondeu. Alguns minutos depois, uma senhora abriu a porta. Neste momento, o pai do José Júnior, que estava armado, começou a atirar em direção aos policiais, que revidaram em legítima defesa. Ainda bem que ninguém ficou gravemente ferido, mas a senhora, que o homem utilizou de escudo, foi atingida de raspão na perna, mas passa bem”, relatou Gossain. O pai de José Ferreira Júnior foi preso em flagrante e vai responder por tentativa de homicídio.

Os investigadores também afirmaram que a operação ainda está em curso e novas prisões devem ser feitas nos próximos dias.

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