Defesa preocupa time do San Lorenzo em jogo contra o Flamengo

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Não é só o Flamengo que se preocupa com problemas defensivos antes da estreia na Libertadores contra o San Lorenzo (ARG), nesta quarta-feira, no Maracanã. O rubro-negro carioca viu seu sistema defensivo em xeque depois da derrota para o Fluminense na final da Taça Guanabara. Já o time argentino, que fará no Rio sua primeira partida oficial em 2017, ganhou fama na última temporada por não ser econômico nos gols — tanto no ataque quanto na defesa.

Flamengo x San Lorenzo – 06.03

De acordo com Diego Paulich, jornalista que acompanha o San Lorenzo pelo diário esportivo “Olé”, a equipe dirigida por Diego Aguirre costuma buscar bastante o ataque, a exemplo do Flamengo. Com isso, aparecem espaços na defesa. Na atual temporada do Campeonato Argentino, iniciada em maio de 2016 e ainda não retomada após as férias de fim de ano, o San Lorenzo tem a quinta pior defesa entre 30 times: sofreu 18 gols em 14 jogos. Ainda assim, o time vai bem: marcou 27 gols, média de quase dois por partida, e ocupa a terceira posição com 28 pontos, três a menos que o líder Boca Juniors.

– A equipe atual busca mais o jogo e sabe converter as chances em gols, mas é muito raro que o time termine uma partida sem ser vazado. É um time que gosta de jogar e por isso deixa espaços – descreveu Paulich ao GLOBO.

O San Lorenzo costuma atuar, segundo Paulich, em um 4-3-3. O meia Fernando Belluschi e o volante Néstor Ortigoza são os principais nomes do time atualmente. Ambos costumam avançar ao ataque, por vezes deixando apenas o volante Franco Mussis com atribuição defensiva no meio-campo. Eventualmente, Ortigoza recua ao lado de Mussis, fazendo uma dupla de volantes.

À frente, o trio ofensivo tem dois nomes abertos pelas pontas — os favoritos para iniciar contra o Flamengo são Ezequiel Cerutti e Rubén Botta –, que podem também adotar posicionamento mais recuado. É algo semelhante ao que ocorre com Éverton e Mancuello no Flamengo: quando não jogam tão próximos a Guerrero, fazem uma trinca ofensiva com Diego no meio-campo, à frente de dois volantes. No caso do San Lorenzo, Belluschi seria o homem que mais avança pelo meio, por vezes se aproximando do centroavante Nicolás Blandi, que foi o maior artilheiro do futebol argentino em 2016, com 24 gols.

FALTA DE RITMO GERA PREOCUPAÇÃO

Embora seja parecido com o Flamengo no papel, a prática pode ser bem diferente para o San Lorenzo. O time ainda não disputou uma partida oficial sequer neste ano. Uma greve de jogadores na Argentina, provocada por atrasos no repasse de verbas de televisionamento aos clubes, suspendeu a primeira rodada do campeonato em 2017, que aconteceria no último fim de semana.

– É uma situação atípica, já que se trata de uma pré-temporada muito longa. Os jogadores tiveram tempo de preparação, mas jogar amistosos não é o mesmo que disputar partidas oficiais. Há certa preocupação por conta disso, o Flamengo já jogou até uma final – avalia Paulich.

Para o jornalista britânico Tim Vickery, especialista em futebol sul-americano, a falta de ritmo de jogo será um enorme obstáculo para o San Lorenzo no Maracanã. Vickery não acredita que a equipe argentina adote postura ofensiva contra o Flamengo nesta quarta-feira.

– O San Lorenzo chega totalmente sem ritmo. Isso prejudica muito, com “M” maiúsculo. Um exemplo de como isso faz diferença é o Atlético Tucumán (ARG), adversário do Palmeiras nesta quarta-feira: existe uma diferença clara do primeiro jogo, um empate em 2 a 2 com o El Nacional (pela pré-Libertadores, em janeiro), para os jogos seguintes. É um fator que tira essa coisa da busca de jogo.

O elenco do San Lorenzo treinou na Argentina na manhã desta segunda-feira e já viajou para o Brasil. O time chegará ao Rio, portanto, dois dias antes da estreia na Libertadores. A principal dúvida na escalação era a presença do meia Ezequiel Cerutti, que teve uma lesao de grau 1 no músculo adutor da coxa direita em amistoso na pré-temporada. Cerutti, no entanto, treinou normalmente no fim de semana e deve ser titular contra o Flamengo.

Provável escalação do San Lorenzo: Torrico, Diaz, Angeleri, Caruzzo e Montoya; Mussis, Ortigoza e Belluschi; Cerutti, Blandi e Botta.

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