Brasil fica mais uma vez fora da disputa pelo ouro no Pan

Acabou o sonho do Brasil de voltar a subir ao topo do pódio nos Jogos Pan-Americanos. Nesta sexta-feira, em Toronto, a equipe de Rogério Micale começou ganhando por 1 a 0 com gol de Clayton, mas acabou sofrendo a virada. Dodô foi expulso, e o Uruguai aproveitou. Schettino e Santos foram os autores dos dois gols que sacramentaram o placar final de 2 a 1. Com isso, a seleção disputa o terceiro lugar. A Celeste teve Lemos expulso aos nove minutos do primeiro tempo. Santos foi eleito o melhor do jogo.

Ao todo, o Brasil tem quatro ouros, duas pratas e um bronze no futebol no Pan. Mas a última vez que a seleção foi ao topo do pódio foi em 1987, em Indianápolis. Na época, a equipe tinha como destaques o goleiro Taffarel e o zagueiro Ricardo Rocha. O meia Raí não chegou a entrar em campo por conta de uma lesão. Mais tarde, os três viriam a ser tetracampeões mundiais na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

A seleção brasileira não chega a uma final desde 2003, quando perdeu para a Argentina na edição de Santo Domingo, na República Dominicana.

AGRESSÃO URUGUAIA, VERMELHO E JOGO TRUNCADO

Bressan Brasil Uruguai Pan (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Bressan disputa bola pelo alto: jogo foi marcado por jogadas firmes

O Brasil começou com tudo, partindo para o ataque. Em lançamento de Luan, Clayton, na esquerda, cortou para dentro e chutou forte, mas errou. O time uruguaio deu o troco. Andrey não saiu decidido do gol, e Michael Santos conseguiu a finalização de cabeça, mas a bola acabou saindo muito fraca.

O jogo ficou quente quando Mauricio Lemos, o mesmo que deu uma entrada dura e tirou Judivan do Mundial sub-20, em junho, agrediu Bruno Paulista. O soco no estômago saiu caro. Ele foi expulso aos nove minutos. No torneio da Nova Zelândia, contudo, Lemos ficou só com o amarelo, enquanto o atacante do Cruzeiro teve uma lesão no joelho esquerdo – curiosamente, aquela partida também foi disputada em uma cidade chamada Hamilton.

A partida estava truncada. Com um a menos, o Uruguai ficou nos contra-ataques, mas estava melhor que o Brasil. Em um deles, o camisa 10 da Celeste, Santos, recebeu na área, mas se enrolou todo. Recuperou a bola, mas Bressan travou o chute. Num contragolpe rápido, Mascia dominou, ganhou no corpo de Bruno Paulista e deu de bico. Andrey salvou. Os dois times foram para o intervalo em igualdade: 0 a 0.

BRASIL ABRE, DODÔ É EXPULSO, E URUGUAI VIRA

O Brasil voltou com mais posse de bola, mas abusando dos cruzamentos na área e sem muita criatividade no ataque. O Uruguai aproveitou e, em um lançamento longo de Albarracin, Santos pegou pela direita, mas Bressan e Luan foram em cima dele. Os uruguaios ficaram reclamando da entrada. O juiz nada marcou.

A seleção brasileira tentou dar o troco. Aos 15, Rômulo avançou bem pela esquerda e cruzou bonito para Lucas Piazon. O camisa 10 cabeceou mal. Micale mexeu para tentar encontrar alternativas e colocou o time mais ofensivo com o atacante Erik no lugar do volante Barreto. Logo depois, em seu primeiro lance, com uma cabeçada por cima do gol, levou perigo.

Aos 23, um lance de habilidade de Clayton arrancou aplausos. Ele aplicou um elástico no marcador. O cruzamento na sequência foi nas mãos de De Amores, que ficou com a bola. Erik foi quem incendiou o jogo. Com 30 minutos no cronômetro, Dodô deu o passe, o atacante entrou na área, tirou do goleiro e foi derrubado. Pênalti para o Brasil. Clayton foi para a batida, o arqueiro uruguaio pegou, mas, no rebote, ele não perdoou: 1 a 0.

O Brasil se animou e, no lance seguinte, Piazon cabeceou com perigo dentro da área. Dodô tentou um chapéu, e os uruguaios não gostaram. Em seguida, caiu na pilha dos rivais, deu uma entrada por trás em Mathias Suarez, e acabou levando o vermelho. Uma confusão se instaurou no meio do campo, mas o juiz Jose Peñaloza, do México, conseguiu retomar o comando.

A Celeste então chegou ao empate em um lance de bola parada. Após cobrança de escanteio e um desvio no primeiro pau, Schettino escorou livre para as redes. Tudo igual. Mas demorou apenas um minuto para que o sonho do ouro pan-americano ruísse para o Brasil. Santos recebeu pela direita, invadiu a área e deu um toquinho, sem chances para Andrey. De virada, 2 a 1 para o Uruguai.

URUGUAIO PROVOCA: “PARECE QUE FICAM COM MEDO”

Brasil Uruguai Pan Futebol (Foto:  EFE/Javier Etxezarreta)Uruguaios comemoram classificação no gramado do estádio de Hamilton (EFE/Javier Etxezarreta)

Nicolás Albarracin celebrou empolgado a vitória de virada. O meio-campista elogiou a dedicação da sua equipe, que atuou por 70 minutos com um jogador a menos, e provocou os brasileiros:

– O jogo parecia perdido, mas creio que nossa equipe correu muito, todos defendemos e atacamos e tivemos a sorte. Agora, vamos lutar na final pelo ouro. É sempre duríssimo contra o Brasil, mas, é como te digo, quando eles encontram a equipe uruguaia, não sei o que acontece, mas parece que ficam com medo.

Protagonista de um dos lances determinantes da partida, quando recebeu um pontapé que resultou na expulsão de Dodô – ponto de partida para a volta por cima celeste -, Mathias Suarez foi outro que exaltou a garra uruguaia.

– É uma felicidade enorme. Estou muito contente pela final. Foi a partida toda com 10, e isso complicou um pouco, mas o Uruguai tem bola, sacrifício e somos uma família.

Lucas Piazon, por outro lado, lamentou os vacilos da Seleção nos gols uruguaios e condicionou o resultado ao cartão vermelho para Dodô, que considerou injusto:

– Praticamente com o jogo ganho, tomamos um gol de bola parada e um de contra-ataque. Coisa que não podia ter acontecido, mas temos que levar de aprendizado. Juiz compensou a expulsão deles e aí o jogo ficou igual. Foi duro. Foi uma entrada forte, mas acho que não era para vermelho.

 

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