Maura Jorge empregou doméstica que morava no interior, foi denunciada e nunca teve problema

Por Djalma Rodrigues 

Enquanto o deputado federal Celso Russomano  (PRB/SP), que lidera as pesquisas para a prefeitura de São Paulo, pode ter seu vôo abreviado  pelo STF, por haver colocado uma funcionária nomeada no seu gabinete para trabalhar numa produtora de sua propriedade, no Maranhão, a ex-deputada e atual prefeita de Lago da Pedra,  Maura Jorge fez pior e teve pouco entrave com a Justiça.

Em agosto de  2009, o Ministério Público do Maranhão ingressou com uma ação civil pública por improbidade administrativa contra a então deputada estadual, por haver  mantido uma funcionária fantasma lotada em seu gabinete na Assembleia Legislativa, entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2003.

A ação foi movida após o recebimento de uma representação criminal protocolada por Gercina Vieira, que foi empregada doméstica da prefeita e de seus familiares. Segundo a denúncia, apesar de trabalhar sem registro em carteira e receber um salário mínimo por mês, a empregada teria sido admitida sem seu conhecimento como assessora parlamentar de Maura na Assembleia Legislativa.

A Promotoria informou que, na denúncia, Gercina narra que nunca trabalhou na Assembleia, nem recebeu a remuneração do cargo. Ela só tomou conhecimento do caso quando decidiu requerer a aposentadoria.

De acordo com o Ministério Público, ao prestar informações, a prefeita confirmou que Gercina Vieira era sua assessora parlamentar e trabalhava em seu gabinete. As informações, no entanto, seriam negadas por outro funcionário do gabinete à época, que afirmou que Gercina nunca prestou qualquer serviço naquele local.

Segundo o Ministério Público, Gercina disse que a prefeita, então deputada, pediu seus documentos em 1999 sob a alegação que iria lhe “dar uma ajuda”. A empregada teria recebido R$ 1.000 e assinado alguns documentos em uma agência do Banco do Estado do Maranhão.

Ainda de acordo com o Ministério Público, foram pagos em nome de Gercina Vieira, mais de R$ 176 mil nos quatro anos.

Na ação, a Promotoria requer a quebra de sigilo bancário da conta onde foram depositados os salários, a indisponibilidade dos bens da prefeita e a quebra de seu sigilo fiscal junto à Receita Federal. Além disto, o órgão pede a condenação da prefeita por improbidade administrativa e a devolução integral dos valores recebidos ilegalmente.

Como se vê, no Maranhão, a Justiça age de modo muito diferenciado da de São Paulo, já que, mesmo com as denúncias, Maura Jorge foi eleita e reeleita prefeita de Lago da Pedra.

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