As Estratégias Políticas da Parceria entre Governo e Prefeitura de São Luís

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Por Hugo Freitas
Historiador e Sociólogo
A expressão popular “ninguém dá um ponto sem nó” parece bem apropriada para pensarmos um pouco sobre o início das negociações referentes a parcerias “institucionais” entre o Governo do Maranhão e a Prefeitura de São Luís.
Mas o que se pode observar, para além dos discursos midiáticos de ambos os lados, é que todos pretendem e devem lucrar com essa aliança.
De um lado, o Governo do Estado incumbiu nada mais nada menos que o secretário de Infra-Estrutura e pré-candidato à sucessão do governo Roseana Sarney, o ex-prefeito de São José de Ribamar, Luís Fernando (PMDB), – no centro da foto acima – para ser um dos protagonistas das negociações que devem fechar parcerias entre os Executivos municipal e estadual em questões de suma importância para a capital maranhense, principalmente Saúde, Educação e Mobilidade Urbana.
A presença de Luís Fernando na reunião celebrada nesta quarta-feira (10), no Palácio Henrique de La Rocque, sede da Prefeitura de São Luís, deve fortalecer seu nome na disputa sucessória estadual para 2014.
É consensual entre os políticos maranhenses que o peemedista se tornou um quadro técnico valorizado após o reconhecido “sucesso” à frente da prefeitura ribamarense, cujas ações principalmente nas áreas de Saúde, Educação e Infra-Estrutura o conduziram a uma reeleição quase unânime em 2008 naquela cidade, em torno de assombrosos 98,68% de votos (confira aqui).
Além do aspecto técnico, Luís Fernando ganha também em termos políticos, já que seu nome começa a romper, de forma mais efetiva, a “barreira discursiva” construída pelos oposicionistas de que o governista não é conhecido para além do Estreito dos Mosquitos.
Uma vez que Fernando passa a figurar na “agenda positiva” que pauta as ações políticas atuais, fruto das mobilizações que se espalharam por todo o país, e a integrar a fileira daqueles interessados em “mudar a realidade do Maranhão”, particularmente de São Luís, adquire maisquantum político e começa a fazer frente a seu principal adversário pela cadeira de governador, o presidente da Embratur Flávio Dino (PCdoB), que aparece como favorito em recentes pesquisas pré-eleitorais.
Trocando em miúdos, Luís Fernando ganha mais musculatura política dentro do próprio esqueleto estrutural de seus adversários, a Prefeitura de São Luís, comandada por Edivaldo Holanda Júnior (PTC), um dos principais apoiadores declarados da candidatura de Dino ao Governo do Maranhão em 2014. Uma movimentação magistral no tabuleiro político local.
Por sua vez, e para não ficar atrás dos ganhos políticos de Luís Fernando, o bloco oposicionista da Assembleia, principal base aliada de Flávio Dino, composta pelos deputados Rubens Jr. (PCdoB), Marcelo Tavares (PSB), Bira do Pindaré (PT), Othelino Neto (PPS) e Cleide Coutinho (PSB), anunciou a destinação de emendas parlamentares para a Prefeitura de São Luís no montante de 18 milhões de reais, fato que não tinha acontecido até agora, somente após o governo estadual demonstrar interesse no estreitamento das relações com o Executivo municipal.
Emendas parlamentares são verbas destinadas aos municípios e aprovadas na composição do Orçamento Estadual, votado anualmente pela Assembleia do Maranhão.
Como é possível observar, se tornou prática comum, tanto de governistas quanto de oposicionistas, a destinação de emendas parlamentares preferencialmente para os municípios que integram a base eleitoral dos deputados maranhenses.
É caso emblemático, dentro de muitos outros, o de Rubens Jr. (PCdoB), líder da oposição, que destina a maior parte das emendas a que têm direito ao município de Matões, administrado por sua mãe, a prefeita Suely Pereira (PSB).
A destinação dos 18 milhões pelos oposicionistas para a Prefeitura da capital se trata, pois, de uma estratégia política que visa abastecer os cofres públicos do prefeito aliado da oposição, Holanda Júnior, ao passo que se constitui numa demonstração de força de Flávio Dino, através de seus companheiros, perante o governo Roseana, já que a aprovação das emendas depende de apoio direto da governadora junto à base governista da Assembleia, que é quem aprova ou não o destino final das verbas.
Em outras palavras, a oposição colocou a governadora em “xeque”, espremendo-a contra a parede e diminuindo suas chances de fazer um movimento fora do raio conjectural previsto pelos opositores.
Se Roseana apoiar a destinação das emendas parlamentares para Edivaldo, fortalece o prefeito e a oposição dinista, ao mesmo tempo em que pode se indispor com sua base de governo na AL.
Caso se oponha aos 18 milhões para São Luís, Roseana poderá transparecer “má vontade” e falta de compromisso com a proposta de parceria entre Governo e Prefeitura. Estaria ela encurralada???
No jogo político maranhense, tal como numa partida de xadrez, se aproxima mais da vitória (neste caso, vitória eleitoral em 2014) quem consegue melhor inserir suas peças em posições estratégicas no tabuleiro, principalmente se for no espaço do adversário.

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