Álcool, energéticos, açúcar, embutidos e frituras são inimigos do desempenho

Nutricionista diz que para o atleta ficar mais tempo na prática esportiva, retardar a fadiga, acelerar a recuperação muscular e obter melhores resultados, deve evitar consumir esses alimentos

A alimentação influencia diretamente o desempenho esportivo e a saúde de um atleta (amador ou de elite). As necessidades energéticas, de macro e micronutrientes, variam de acordo com o tipo de modalidade, treinamento e objetivos. É fundamental para manter o atleta por mais tempo na prática do esporte, retardar a fadiga, acelerar a recuperação muscular e promover saúde e bem-estar. Entretanto, alguns elementos não trazem benefícios para nenhuma modalidade específica. A nutricionista Cristiane Perroni, especialista do Eu Atleta, cita cinco deles:

Bebida alcoólica
O consumo de álcool não é compatível com a prática esportiva por reduzir a capacidade cognitiva, relaxar a musculatura, reduzir a força muscular, o equilíbrio, a velocidade e capacidade respiratória. O álcool é agressor de vários órgãos, principalmente os que atuam no sistema digestivo, como estômago, intestino, fígado e pâncreas. Também não é adequado o consumo para a fase de recuperação muscular. Estudos demonstraram que o álcool aumenta os níveis de cortisol, podendo levar ao aumento da degradação proteica e reduz os níveis de testosterona livre. Ou seja, diminui o processo de anabolismo – ganho de massa muscular. O consumo excessivo está relacionado com a desidratação (eletrólitos são perdidos pela urina), alterações cardíacas, como arritmias, alteração glicêmica (hipoglicemia), alterações hepáticas e aumento de peso.

Consumo de álcool em excesso não é compatível com a prática esportiva (Foto: Getty Images)

Consumo de álcool em excesso não é compatível com a prática esportiva (Foto: Getty Images)

Açúcar refinado e bebidas açucaradas (sucos de caixa, sucos em pó e refrigerantes)
O açúcar sofre processo de refinamento com a inclusão de aditivos químicos, como o enxofre, tornando o produto branco e de sabor mais agradável ao paladar. O processo de refinamento retira as vitaminas e minerais. O grande consumo de bebidas açucaradas tem alta correlação com o aparecimento de diabetes, obesidade, esteatose hepática (gordura no fígado), doenças cardiovasculares e cáries nos dentes.

O açúcar refinado quando ingerido é rapidamente absorvido, estimulando a produção de insulina pelo pâncreas. O consumo excessivo pode sobrecarregá-lo a secretar mais insulina para tentar manter níveis adequados da glicemia, podendo levar a diabetes tipo 2. Hiperglicemia, hiperinsulinemia e hipertrigliceridemia estão associados a risco cardiovascular aumentado. Antes, durante e após o treinamento, atletas de modalidades de longa duração se beneficiam com o consumo de açúcares, como sacarose, frutose, dextrose e maltodextrina. São utilizados como fonte imediata de energia para manter o atleta por mais tempo na prática esportiva, retardar a fadiga e acelerar a recuperação. Entretanto, fora da prática do esporte, os atletas não são beneficiados pelo consumo de bebidas açucaradas.

Açúcar refinado é rapidamente absorvido, estimulando a produção de insulina (Foto: Getty Images)

Açúcar refinado é rapidamente absorvido, estimulando a produção de insulina (Foto: Getty Images)

Embutidos
Produtos derivados de origem animal ou vegetal – salsichas, salsichão, presunto, salame, peito de peru, mortadela… Alimentos ultraprocessados são constituídos de proteínas vegetais ou animais, gorduras, açúcar, sal, acrescidos de corantes, estabilizantes, aromatizantes, realçadores de sabor e outros aditivos. Possuem maior quantidade de gordura, sódio e menor teor de fibras do que alimentos in natura ou minimamente processados. Um alimento ultraprocessado contém na sua lista extenso número de ingredientes que não são naturalmente encontrados nos alimentos. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS), emitiu comunicado afirmando que o consumo excessivo de carnes processadas aumentaria o risco de desenvolvimento de câncer.

Embutidos possuem maior quantidade de gordura, sódio e menor teor de fibras do que alimentos in natura  (Foto: Getty Images)

Embutidos possuem maior quantidade de gordura, sódio e menor teor de fibras do que alimentos in natura (Foto: Getty Images)

Preparações fritas
Existem dois tipos de fritura de imersão: a contínua (prolongada) e a descontínua (repetida). A utilização de fritura aumenta a densidade energética do alimento contribuindo para ganho de peso. Durante o processo de fritura, principalmente em altas temperaturas e quando há reaproveitamento do óleo, podem ser formados produtos tóxicos ou cancerígenos, tais como acroleína e peróxidos.

As alterações físicas e químicas de óleos usados em fritura podem levar à produção de substâncias prejudiciais à saúde, como ácidos graxos trans, radicais livres, aldeídos e cetonas. Podem causar doenças: cardiovascular, câncer, envelhecimento precoce e artrite. Para preparar os alimentos, dê preferência para grelhados, assados, refogados (rápidos e com pouca quantidade de azeite ou óleo de coco), cozidos e ensopados. Em preparações com carnes, o ideal é retirar a gordura aparente antes de seu cozimento.

A utilização de fritura aumenta a densidade energética do alimento contribuindo para ganho de peso (Foto: Getty Images)

A utilização de fritura aumenta a densidade energética do alimento contribuindo para ganho de peso (Foto: Getty Images)

Bebida energética
Elas foram criadas com objetivo de incrementar a resistência física, aumentar o estado de alerta mental, evitar o sono e proporcionar sensação de bem-estar. Entretanto, seu uso pode oferecer riscos à saúde. Estudos demonstraram que o consumo pode causar taquicardia, ansiedade, insônia, tremores, dor de cabeça e diarreia.

Também podem acelerar a perda de cálcio e magnésio pelo organismo, acarretando cãibras, alteração na contração muscular e a, longo prazo, osteoporose. O consumo excessivo pode estar relacionado a convulsões, alterações cardíacas, como arritmia, parada cardíaca e até morte súbita. Possuem grande efeito de causar dependência.

Consumo de energéticos pode oferecer riscos à saúde (Foto: Getty Images)

Consumo de energéticos pode oferecer riscos à saúde (Foto: Getty Images)

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