Água ainda não chegou às torneiras em alguns bairros de São Luís

Nova adutora foi desligada e a antiga está em operação; ligação foi adiada seis vezes, antes de apresentar vazamento; não há previsão para funcionamento

 

Muitos bairros amanheceram o dia de ontem mais uma vez com as torneiras sem água. Foi o sétimo dia de escassez total na capital maranhense, após problemas atrasarem o funcionamento do novo Sistema Italuís.

Na Madre Deus, moradores se reuniram em torno de um poço centenário para conseguir água, já que no bairro o abastecimento ainda não havia sido restabelecido. Rosinete Gomes Cunha, de 60 anos, teve de pegar água no poço e reclamou da situação. “Nós já estamos muitos dias sem água. Imagine para quem tem criança em casa, roupas para lavar, banheiros para limpar. É muito complicado”, disse.

Ela reclamou ainda do quanto estão pesando no bolso os dias sem água. “A água que pegamos aqui só serve para tomar banho e lavar louças e roupa. Para fazer comida e tomarmos água, precisamos comprar água mineral. Na minha casa, preciso de um galão por dia para fazer comida e outro para tomar. Quanto isso custa em nossos bolsos, no final das contas?”, indagou.

Outro a reclamar da falta d’água no bairro foi Francisco Diniz, de 56 anos. “São sete dias sem água, e a disputa para pegar o líquido no poço é muito grande. Estamos passando dificuldades com esse problema”, relatou.

Adiamentos

As obras de construção da nova adutora do Sistema Italuís deveriam estar prontas no início de 2015, mas em mês agosto aconteceu adiamento dos serviços. À época, Davi Telles, então presidente da Companhia de Saneamento Ambiental (Caema), responsável pelas obras, declarou que a adutora seria entregue em dois meses.

Após o primeiro descumprimento, um novo prazo foi fixado, ou seja, em abril de 2016. De acordo com a Caema, em nota publicada na ocasião, os trabalhos seriam finalizados em julho, o que não ocorreu.

Um novo adiamento foi confirmado pela gestão estadual, após visita de representantes da bancada federal maranhense ao local das obras. Segundo a direção do órgão, a previsão era de que os serviços seriam entregues em outubro, o que também não aconteceu.

Em abril desse ano, houve mais uma mudança de data. Dessa vez, o anúncio ocorreu após mais um rompimento da tubulação da antiga adutora, que passa ao lado do trecho da BR-135, no Campo de Perizes.

Segundo a Caema, os serviços seriam entregues em junho. A justificativa, na oportunidade, foi que “houve uma demora na instalação da nova tubulação, que passa pela ponte do Estreito dos Mosquitos”. De acordo com o governo, a mudança exigiu “tempo extra para a conclusão dos trabalhos”.

Mais um adiamento ocorreu, em agosto desse ano. O governo, na ocasião, apresentou uma justificativa inédita. De acordo com nota publicada pela Caema, “foram percebidos erros no projeto original”, que precisaram ser corrigidos. Ainda segundo o órgão e sem citar prazos, “houve ainda atrasos na liberação de aditivos”. Por fim, a Caema admitiu que as obras seriam novamente adiadas, dessa vez para setembro.

Após isso, o governo estadual estabeleceu o prazo final: até dezembro deste ano seria concluído o serviço e a nova adutora, colocada em funcionamento. Também foi divulgado que, com a nova adutora, haverá “um incremento de 500 mil litros por segundo no abastecimento de água da capital maranhense”. As obras estavam orçadas em R$124.039.306,66 e representariam benefícios à população.

A nova adutora finalmente foi ligada no dia 6 deste mês, mas apresentou vazamento na peça identificada como “junta y”, que o Governo do Estado alega estar em perfeito estado. Mas foi, segundo peritos, a única causa da suspensão do novo serviço. Com isso, a adutora teve de ser novamente desligada e religada a antiga, que ainda não conseguiu abastecer toda a cidade. Com o novo adiamento, o sétimo da gestão estadual, ainda não há prazo para que a nova adutora funcione .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTE: IMIRANTE.COM

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