Acessibilidade e transformação no dia Internacional do Deficiente Físico

De acordo com o engenheiro e coordenador do MBA em Construções Sustentáveis e Edifícios Inteligentes do IPOG, Sérgio Botassi, muito ainda precisa ser feito para que haja de fato uma acessibilidade plena tanto em vias públicas quanto demais estruturas. “Podemos até ter uma edificação com pontos de acessibilidade tecnicamente respeitados com garantia visual, tátil e espaçamento adequado. Mas as vias do entorno talvez apresentem problemas que podem prejudicar esse prometido acesso, desde calçadas irregulares à falta de sinais sonoros. Ou seja, dentro do prédio a pessoa transita bem, mas o percurso até o local é dificultado. Devemos considerar a acessibilidade como um todo”, pontua o coordenador.

Ao lembrar do dia Internacional do Deficiente Físico, três de dezembro, Augusto Fernandes que é engenheiro e coordenador de Acessibilidade no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos aponta que apesar das evoluções em tecnologia, o coletivo e a sociedade como todo devem se preocupar com a acessibilidade.

“Há uma revolução enorme, e para a comunidade surda, por exemplo, temos avanços como o SMS, o WhatsApp que estão se desenvolvendo e permitindo a comunicação destas pessoas. Mas ainda estamos engatinhando com esses avanços. A acessibilidade atinge os benefícios para todos, e não apenas o deficiente. Imagine uma mãe com o carrinho de bebê andando pela rua, as dificuldades enfrentadas, com o cadeirante não é diferente. Ou seja, a acessibilidade atinge a todos”, afirma.

Desafios

Augusto, que perdeu os movimentos das pernas quando tinha seus 19 anos, hoje afirma que apesar da legislação que evoluiu muito nos últimos anos, ainda falta respeito as regras de acessibilidade. Formado em engenharia civil, nos anos 1958, ele conta os seus desafios, pela falta de estrutura do prédio em que estudava. “Em nenhum momento da minha graduação foi discutida a questão da acessibilidade. Meus colegas, mesmo vivenciando as minhas dificuldades, se atentaram a isso. Eu tive que me aliar aos colegas para que naquele momento eles me ajudassem a chegar até a sala de aula. Então muitas vezes eu dava carona para um ou para outro que pudesse me ajudar a descer ou subir alguma escada. Enfim, muito sofrimento naquele tempo, em que meu lema era: ‘ou eu me adéquo ou não faço o curso’”, conta.

Hoje, especialista em Construções Sustentáveis e Edifícios Inteligentes pelo IPOG, Augusto aponta para os avanços na acessibilidade, mas considera que muito deve ser mudado ainda. “De fato existe o descumprimento das legislações. E não adianta apontar o dedo para o governo. O Estado precisa ser exemplo, mas a sociedade como todo precisa pensar na acessibilidade. Porque se conseguimos internalizar a real necessidade de implementação da acessibilidade, então não será preciso colocar em prática tudo o que há de necessidade, porque a preocupação é e será de todos sempre”, assegura o especialista.

O engenheiro e coordenador do IPOG, Sérgio Botassi, reforça a atenção da sociedade e das construtoras responsáveis por novos empreendimentos para que haja de fato um acesso assertivo para todos. Ele também defende que há conhecimentos e leis bem estruturados que reforçam e garantem o direito à acessibilidade. Segundo ele, o passo necessário torna-se a criação de mecanismos para que as normas sejam respeitadas. “A política de Estado deve ser mais incisiva, onde o município faz seu papel de fiscalizador efetivo do cumprimento das condições de acessibilidade”, avalia.

Esporte

A superação e o olhar voltado para a acessibilidade, se deu em Augusto Fernandes no Esporte. “Eu comecei o judô com seis anos de idade. Por ironia do destino o meu acidente foi no esporte, aos 19 anos, no judô. Mas nem por isso eu deleguei essa responsabilidade da minha deficiência, ao meu oponente”, conta Augusto.

Após se formar no MBA em Construções Sustentáveis e Edifícios Inteligentes, ele define hoje que o esporte foi muito benéfico em sua vida. “É mais importante do que competir! É conseguir absorver os valores do ser humano, que é muito parecido com os valores do esporte, – respeito, excelência, lealdade, inspiração e igualdade. Então, todos esses valores, fazem parte de um leque de valores que procuro seguir no dia a dia, e o resultado disso é positivo, ao longo da vida esportiva”, assegura o especialista.

No auge do primeiro título do famoso jogador de tênis Guga, em 1997, foi quando Augusto Fernandes se voltou para o esporte em cadeiras de rodas. “A partir de então, eu comecei a ter a oportunidade de experimentar o esporte paraolímpico. E tentar de uma maneira ou de outra assimilar e procurar a ajudar as pessoas que estão nesse meio. Ou seja, o esporte em si, é uma ferramenta importante de inclusão, e extraordinária para desenvolvermos uma amizade e um respeito. Ao mesmo tempo, melhorando a nossa condição como ser humano. Dou mais valor as conquistas do que os troféus dos torneios, por conta disso”, define.

Augusto retoma ao esporte neste ano, após 13 anos, de hibernação. “Para jogar no paraolímpico preciso estar entre os 12 melhores jogadores do mundo. E hoje estou em 34º. Temos um torneio em dezembro, e possivelmente eu deva somar mais alguns pontos. Estou revivendo tudo aquilo que almejei e desejei em ter de oportunidade, para participar dos jogos paraolímpicos”, conta Augusto.

Foto- Sérgio Botassi:

Sérgio Botassi

Foto Augusto Fernandes:

Augusto Fernandes

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