A Corte Internacional de Justiça, principal órgão judiciário das Nações Unidas, ordenou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (3) que garantam que suas sanções contra o Irã, que devem ser aumentadas no mês que vem, não afetem a ajuda humanitária ou a segurança da aviação civil no país asiático.
Os juízes da Corte Internacional de Justiça deram razão a Teerã, que argumentou que as sanções impostas desde maio pela https://www.atosefatos.jor.br/wp-content/uploads/2023/03/voz_do_brasil_1711222143-1024×613-1.jpgistração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, violam os termos de um tratado de amizade de 1955 entre os dois países.
Pompeo disse que o Irã estava usando indevidamente o tribunal para fins políticos e que os Estados Unidos estavam ativamente garantindo que a ajuda humanitária chegasse ao país, sem levar em conta a decisão do tribunal.
A decisão provavelmente terá um impacto prático limitado na implementação das sanções que Washington está voltando a impor e está endurecendo após retirar-se do acordo nuclear de 2015 assinado pelo Irã com as potências mundiais.
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, rejeitou a decisão, dizendo que o tribunal não tem jurisdição e que Washington encerraria o tratado de amizado.
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Mike Pompeo fala sobre decisão da Corte Internacional de Justiça a respeito de sanções contra o Irã — Foto: Cliff Owen/AP
A ordem emitida na quarta-feira pela Corte é temporária, e fica na pendência de uma resolução do processo completo do Irã contra Washington pelo tribunal, algo que pode levar anos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse em um comunicado que “a decisão provou mais uma vez que a República Islâmica está certa e que as sanções dos EUA contra pessoas e cidadãos de nosso país são ilegais e cruéis”.
“Os Estados Unidos devem cumprir seus compromissos internacionais e suspender os obstáculos ao comércio iraniano”, acrescentou.
O ICJ é o mais alto tribunal das Nações Unidas para resolver disputas entre nações. Suas decisões são vinculantes (ou seja, os países deveriam de fato cumpri-las), mas não tem poder para aplicá-las, e tanto os Estados Unidos quanto o Irã já as ignoraram no passado.
O tribunal disse que as garantias oferecidas por Washington para que as sanções não afetem as condições humanitárias “não são adequadas”./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/2/6/Xiq7OPTYuEMjJuHhHUnQ/rouhani.jpg)
Presidente do Irã, Hassan Rouhani, fala durante coletiva de imprensa em maio — Foto: ATTA KENARE / AFP
“O tribunal considera que os Estados Unidos devem remover qualquer impedimento decorrente das medidas anunciadas em 8 de maio de 2018 ”, disse o juiz presidente Abdulqawi Yusuf, lendo um resumo da decisão do painel de 15 membros.
As sanções não podem prejudicar “a exportação para o território do Irã de bens necessários para necessidades humanitárias, como medicamentos, dispositivos médicos e alimentos e produtos agrícolas, bem como bens e serviços necessários para a segurança da aviação civil”, disse ele.
Enquanto as sanções dos EUA “em princípio” isentam alimentos e suprimentos médicos, o tribunal disse que “tornou-se difícil, se não impossível, para o Irã, cidadãos e empresas iranianas se envolverem em transações financeiras internacionais” para comprar tais bens.
A https://www.atosefatos.jor.br/wp-content/uploads/2023/03/voz_do_brasil_1711222143-1024×613-1.jpgistração Trump argumentou no mês passado que o pedido do Irã foi uma tentativa de se aproveitar do tribunal e que o tratado de 1955 especificamente descarta o uso de tribunais para resolver disputas.
O tratado foi assinado muito antes da Revolução Islâmica de 1979, que transformou os dois países em inimigos.
A consultora jurídica do Departamento de Estado norte-americano Jennifer Newstead disse que a real desavença do Irã foi a frustração com a retirada dos EUA do tratado nuclear internacional sob o qual Teerã restringiu seu programa de enriquecimento de urânio sob o monitoramento da ONU em troca da suspensão da maioria das sanções internacionais.
O movimento unilateral de Trump colocou-o em desacordo com os outros signatários do acordo, incluindo aliados europeus de Washington, como Reino Unido, França e Alemanha, bem como Rússia e China.
Washington, no entanto, planeja buscar uma nova série de sanções, que entrará em vigor em 4 de novembro, com o objetivo de reduzir as exportações iranianas de petróleo, a força vital de sua economia.
FONTE G1














