Politica Geral

 

Quatro momentos na vida de Ted Kennedy

1. “Não espero jamais ver novamente um rosto em dor tão profunda”, contou ao Boston Globe Frank Mankiewicz. Era o rosto do jovem senador Edward M. Kennedy na manhã de 5 de junho de 1968. A morte por assassinato de seu irmão Robert, candidato à presidência, havia sido anunciada à família havia minutos. Mankiewicz, filho do roteirista do filme Cidadão Kane, era secretário de imprensa de Bobby. Aos 36 anos, Ted tinha agora a obrigação de assumir o comando do clã.

 

O enterro demorou para acontecer. Da Califórnia, onde o candidato foi abatido, o corpo foi levado de avião para Nova York. Expuseram-no ao público na Catedral de St. Patrick por dois dias. Na noite do dia 7, véspera da viagem de trem a Washington que levaria o caixão para sua missa final e o cemitério, Ted passou a madrugada dirigindo pelas ruas de Manhattan. Ao seu lado estava o deputado democrata John Culver, um velho e fiel amigo da família. O jovem senador permaneceu as horas todas ao volante em silêncio, girando, girando.

 

Na Catedral de Washington, no dia 8, à missa fúnebre, Ted Kennedy subiu para ler a despedida da família ao irmão. “Meu irmão não deve ser idealizado, sua figura aumentada na morte além do que foi em vida”, ele disse. “Deve ser lembrado apenas como um homem bom e decente, que viu o que era errado e tentou consertá-lo, viu sofrimento e tentou saná-lo, viu guerra e tentou pará-la.” Engasgou apenas no final do discurso, um discurso feito com voz serena, atenta. Até então, ele era o irmão caçula de dois grandes oradores, John e Robert. Os EUA reconheceram em Ted um Kennedy naquele momento.

 

 

 

2. A festa era em homenagem à memória de Bobby, pouco mais de um ano após seu assassinato. Presentes várias moças, quase todas jovens, quase todas bonitas – gente das boas famílias da Nova Inglaterra. Ted era a estrela. O cenário, uma ilhota com nome indígena – Chappaquiddick, ‘ilha descolada de outras’. Anos mais tarde, testemunhas lembrariam que álcool foi servido com fartura. Ted estava animado. Ia bem numa competição de regata, seu esporte favorito, era bem cotado para sair candidato à Presidência no futuro próximo.

 

Mary Jo Kopechne queria sair mais cedo – era quase meia-noite. Ted ofereceu-lhe uma carona de presto e pegou com seu motorista as chaves. Dispensou-o. Queria ir sozinho. Talvez porque tenha errado o caminho, talvez porque os dois tivessem mudado de ideia a respeito de para onde ir, Ted foi dar em uma ponte sem mureta ou cerca que protegesse. O carro mergulhou na água, Ted escapou. Mary Jo, não.

 

Ele só procurou a polícia no dia seguinte.

 

Condenado, perdoado, inocentado. Sempre negou que estivesse embriagado. Toda a influência da família foi investida no fim de seus problemas com a Justiça. A morte de Mary Jo, no entanto, e seu estranho comportamento nos dias seguintes, se firmariam como uma nódoa que impediria para o resto da vida suas chances de chegar à Casa Branca.

 

Ted era casado. Também seu casamento não duraria muito mais.

 

 

 

3. Foi em 1972 que Ted fez seu primeiro discurso no Senado contra Londres. Defendia os católicos irlandeses, republicanos – ele, um Kennedy, um católico de origem irlandesa, irmão de um presidente da primeira república moderna. Uma longa relação entre o senador e políticos norte-irlandeses teve início ali. Não perdia jamais a oportunidade de provocar: quando Margaret Thatcher aparecia nos EUA, Kennedy vestia gravata verde, símbolo irlandês.

 

Foi em 1994 que ele teve oportunidade de fazer a diferença. Gerry Adams, líder do partido Sinn Féin, ligado ao grupo terrorista IRA, queria viajar aos EUA. John Major, o conservador premiê britânico, era contra. Por tradição, a Casa Branca negaria o visto. Mas Kennedy foi ao telefone. Bill Clinton era um presidente jovem, com pouco tempo no poder, ainda hesitante na política internacional. Não foi na primeira conversa, nem na segunda – mas o velho político, já veterano, já chamado ‘o leão do Senado’, o convenceu. Adams foi aos EUA.

 

Demorou sete meses desde as conversas em Washington: o IRA anunciou o cessar-fogo. Não foram negociações simples, mas com o intermédio de Clinton, a paz veio. “Vejam quão longe vocês chegaram”, disse em discurso aos nacionalistas da Irlanda em 1998. “Vocês são descendentes dos pioneiros que ajudaram a construir a América e, agora, são os pioneiros que construirão o futuro desta ilha.”

 

Presente no momento certo, foi seu olhar que percebeu a oportunidade para a negociação de uma paz que por tanto tempo pareceu impossível.

 

 

 

4. Os analistas tinham poucas dúvidas: Hillary Clinton seria a primeira presidente mulher dos Estados Unidos. O poder dos Clinton sobre a máquina do Partido Democrata garantiria sua vitória nas primárias e, dada a impopularidade de George W. Bush, o candidato republicano tinha poucas chances.

 

Aí Ted Kennedy fez diferente. Num momento chave, início da campanha, quando Barack Obama acusava fragilidade, anunciou seu apoio. Os irmãos, John e Bobby, haviam juntos promovido o fim do racismo legal nos EUA dos anos 1960. Agora, Kennedy transformava uma aposta naquela que seria sua última grande jogada política. Promover um homem negro para a presidência.

 

Uns sugeriram que era por defesa. Sem herdeiros claros, uma presidência Hillary representava que uma nova família assumiria o posto dos Kennedy na política americana. Ted dizia que não. Explicava que via em Obama, pela primeira vez desde aquele distante 1968 do assassinato, alguém com peso e talento para representar o discurso de seus irmãos. Talvez. Naquele momento, seu apoio pareceu aos eleitores um passar da tocha, um ciclo que se fechava. E Obama foi eleito presidente.

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Governo libera R$ 1 bi e PMDB

desobstrui votações na Câmara

O ministro José Múcio Monteiro e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves

BRASÍLIA – O plenário da Câmara dos Deputados retomou as votações na tarde desta quarta-feira, 26, depois do acordo entre o governo e os partidos da base aliada para a liberação de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares previstas no Orçamento da União. O dinheiro foi bloquead pelo governo, devido a queda na arrecadação da Receita Federal.

 

Liderados pelo PMDB, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva paralisaram as votações na terça-feira em busca da liberação de cerca de R$ 6 bilhões emenhados no Orçamento para obras nos municípios. O valor deveria ser encaminhado por meio de emendas parlamentares.

 

A pressão do PMDB sobre os interesses do governo acontece depois de o partido sepultar, com a ajudado PT, todas as ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética, e de cobrar o apoio do Planalto e do PT aos candidatos peemedebistas nos Estados para, em troca, ficar ao lado da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

 

“Nós demos o último crédito à área econômica do governo”, afirmou o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). O deputado se referia ao montante de R$ 6 bilhões bloqueados pela União, e que estão previstos no Orçamento.

 

 

Os partidos da base querem a apresentação de um cronograma para a liberação dos recursos. Segundo o líder peemedebista, esse cronograma só deverá ser apresentado pelo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, na sexta-feira, 28. Por isso, ainda há insatisfação entre os deputados.

 

Os líderes, no entanto, concordaram em desobstruir as votações nesta quarta-feira. Com a decisão, o plenário da Câmara aprovou a Medida Provisória (MP) 464, que repassa R$ 1,95 bilhão da União a estados e municípios para fomentar as exportações.

 

“Pelo que foi acertado, ainda que se resolva (impasse entre base e governo) na semana que vem, vai se votar hoje (quarta)”, afirmou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Na pauta de Temer, estão a medida provisória 464, na qual a União dá auxílio financeiro aos Estados para incentivar a exportação, e o acordo entre o Brasil e o Vaticano.

 

Henrique Eduardo Alves afirmou que os partidos querem que o governo execute o Orçamento liberando os recursos para os municípios.

 

“Queremos que o governo execute a lei orçamentária, liberando totalmente os recursos correspondentes aos municípios que receberam dotações e têm a expectativa que não foi realizada. Não aceito que a parte tocante ao Legislativo não seja executada na integralidade”, disse Henrique Alves.

 

Dos R$ 6 bilhões destinados por emendas ao Orçamento, o governo liberou em torno de R$ 1 bilhão. “O recurso (R$ 1 bilhão) foi autorizado. Até agora ficou como a Conceição (da música), sumiu e ninguém viu”, disse o líder. O peemedebista não confirmou o valor que o governo poderia liberar agora, mas ponderou: “Parcela não satisfaz”.

 

Oposição

 

Os partidos de oposição também concordaram em retomar as votações do plenário nesta quarta, depois da obstrução de terça.

 

O líder do PSDB, José Aníbal (SP), e o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), disseram que aceitam votar a medida provisória 465 e o acordo entre o Brasil e o Vaticano.

 

Na terça, o PSDB, o DEM e o PPS fizeram obstrução contra a expectativa de votação da proposta que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS). O projeto não estava na pauta, mas, mesmo assim, os partidos fizeram um movimento contra a tentativa de retomada da discussão do imposto, que é, na prática, a ressuscitação da CPMF.

 

 

Balanço do governo mostra 557 mortes por gripe suína no Brasil; 58 eram gestantes

Balanço parcial divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde aponta 557 mortes no Brasil em decorrência da gripe suína –gripe A (H1N1)–, até o último dia 22. Entre as vítimas estão 58 gestantes.

De acordo com os dados do governo federal, desde 25 de abril foram confirmados 5.206 casos da doença. A avaliação aponta uma redução no número absoluto de casos entre os dias 16 e 22 deste mês, como já havia sido observado na semana anterior.

O ministério, no entanto, afirma que não é possível concluir que a tendência seja definitiva, “pois existem casos em investigação laboratorial ou que não tiveram as informações sobre a conclusão diagnóstica digitadas pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde no sistema de informação”.

Mortes

São Paulo ainda é o Estado com maior número de mortes: 223, de acordo com o ministério. Em seguida estão Paraná (151), Rio Grande do Sul (98), Rio de Janeiro (55), Santa Catarina (11), Minas (8), Distrito Federal (2), Paraíba (2), Bahia (2), Mato Grosso do Sul (1), Pernambuco (1), Rondônia (1), Pará (1) e Rio Grande do Norte (1).

Os dados do Ministério da Saúde são parciais. Dados atualizados de secretarias estaduais da Saúde apontam maior número de mortes em alguns locais, como em Santa Catarina, Paraná e Minas. As secretarias do Amazonas e do Acre, por exemplo, também confirmaram mortes.

Em números absolutos, o Brasil é o país com maior número de mortos. No entanto, no comparativo com os 15 países com maior número de óbitos, o país tem a sétima taxa de mortalidade –que representa o percentual de mortes em relação à população de cada país. A maioria dos países com as mais altas taxas de mortalidade estão no hemisfério Sul, onde a pandemia, atualmente, apresenta maior impacto por causa do inverno.

Maiores taxas de mortalidade (por 100 mil habitantes)

País

Óbitos

População

Taxa de mortalidade

1. Argentina 439 40.276.376 1,08
2. Chile 128 16.970.265 0,75
3. Costa Rica 31 4.578.945 0,67
4. Uruguai 22 3.360.854 0,65
5. Austrália 132 21.292.893 0,61
6. Paraguai 41 6.348.917 0,61
7. Brasil 557 191.481.045 0,29
8. Peru 80 29.164.883 0,27
9. Malásia 69 27.467.837 0,24
10. Canadá 71 33.573.467 0,21
11. Equador 27 13.625.033 0,19
12. Tailândia 119 67.764.033 0,17
13. EUA 522 314.658.780 0,16
14. México 179 109.610.036 0,16
15. Reino Unido 59 61.565.422 0,09
16. Colômbia 29 45.659.709 0,06

Fonte: Ministério da Saúde

Gestantes

No total, 1.980 mulheres em idade fértil –15 a 49 anos– tiveram resultado positivo para o novo vírus, mostra o balanço.

Entre elas, 480 eram gestantes e 58 morreram. A gravidez é apontada como um dos fatores de risco para a doença.

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha o vírus, e examinada em laboratório.

Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

 

Assembleia gaúcha instala

 CPI contra Yeda Crusius

 

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul instalou nesta quarta-feira a CPI para investigar supostos atos de corrupção no governo do Estado, administrado por Yeda Crusius (PSDB).

A CPI será presidida pela deputada Stela Farias (PT), primeira signatária do documento solicitando sua instalação. A comissão terá 120 dias para apresentar seu relatório, prorrogáveis por mais 60.

Após a instalação da CPI, os integrantes da comissão elegeram o deputado Gilberto Capoani (PMDB) como vice-presidente e o deputado Coffy Rodrigues (PSDB) foi confirmado como relator.

Yeda e integrantes de seu governo são suspeitos de desvio de dinheiro no Detran-RS, fraude em licitações e caixa dois na campanha eleitoral de 2006.

Ao assumir a presidência do órgão técnico, Farias disse que terá o compromisso de esclarecer a sociedade a respeito dos graves fatos de que se tem notícia. “Não vamos investigar pessoas mas sim fatos, indícios graves que abriram uma crise sem precedentes na história gaúcha, e não iremos prejulgar ninguém”, afirmou.

“Devemos apurar cada um dos fatos elencados no requerimento inicial desta CPI e o faremos com o devido rigor jurídico, com o devido cuidado à preservação das pessoas, com a devida legalidade, conscientes de que temos um compromisso com o povo do Rio Grande”, disse a deputada.

O presidente da Assembleia, deputado Ivar Pavan (PT), deferiu no último dia 14 o requerimento assinado por 39 parlamentares pedindo a instalação da comissão.

Para Pavan, é indiscutível a gravidade da crise política gaúcha e a decisão de instalar uma comissão parlamentar de inquérito na Assembleia é acertada.

“A CPI será fundamental para ajudar a dar conhecimento a toda a sociedade gaúcha sobre a extensão dos problemas. Tenho a convicção de que será conduzida com a maior seriedade pelos deputados que a compõem. A sociedade gaúcha tem o direito de saber a verdade”, afirmou.

O pedido de CPI foi retirado da gaveta depois que o Ministério Público Federal apresentou uma ação civil pública contra Yeda e outras oito pessoas. Até então, o documento tinha 17 assinaturas.

Logo após a instalação, as bancadas de oposição protocoloram 11 requerimentos na secretaria da CPI enquanto a base governista apresentou um requeimento. Os partidos têm até amanhã para protocolar requerimnetos, que serão apreciados e votados na primeira reunião da comissão: 1º de setembro, às 17h.

 

CCJ adia votação de projeto que

 extingue o Conselho de Ética

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A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado adiou para a próxima semana a votação do projeto que estabelece o fim do Conselho de Ética. O motivo foi que o relator da matéria, senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), pediu para trocar o parecer que elaborou sobre a proposta. O novo texto que ele pretende apresentar defende que colegiado seja composto por 12 senadores e restringe a participação dos senadores suplentes.

ACM Júnior entregou um texto à comissão no qual rejeitava a extinção do colegiado. Agora, o relator decidiu propor a reformulação do Conselho de Ética. A proposta deve ser discutida na próxima quarta-feira e ainda está sendo fechada com assessores, mas prevê que o colegiado será formado por um representante de cada partido –sendo que os líderes partidários terão preferência– que terão que cumprir os requisitos como não ter problemas com a Justiça e não terem processo por improbidade administrativa.

Em relação aos suplentes, só terão direito a ocupar um assento caso tenham assumido o mandato –portanto, se chegaram ao Senado com a morte ou renúncia do parlamentar eleito. O relator negou que as novas restrições aos suplentes sejam uma resposta a postura do atual presidente do colegiado, Paulo Duque (PMDB-RJ), que sendo aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lançou mão da prerrogativa do cargo e arquivou sem discussão as 11 ações contra o peemedebista.

“A ideia é evitar manobras no sentido do titular da vaga voltar apenas para uma votação”, afirmou.

A proposta também determina que o colegiado terá que ser eleito no primeiro mês de cada legislatura. Neste ano, os trabalhos do colegiado, que deveriam ter começado março, só foram retomados em julho com o agravamento da crise em torno do presidente do Senado.

E

 

O parecer de ACM Júnior ainda nem foi apresentado e já provoca polêmica entre os senadores. O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), antecessor de Sarney na presidência, defende a extinção do colegiado. Garibaldi afirmou que mesmo diante das mudanças quem tiver maioria vai influenciar no resultado. O peemedebista disse que o ideal seria que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgasse esses processos.

Protesto

Ontem, DEM e PSDB decidiram renunciar às vagas de titulares e suplentes do órgão em resposta à decisão do Conselho de Ética de arquivar 11 denúncias e representações contra o presidente do Senado.

No entanto, como os dois partidos têm apenas cinco das 15 vagas de titulares do órgão, não haverá prejuízos para que o conselho continue a funcionar no Senado com os demais dez titulares.

DEM e PSDB prometem não retornar ao conselho enquanto o órgão não passar por profundas mudanças no âmbito do Senado. “Nós cinco renunciamos ao Conselho de Ética e não voltamos a ele estando ele como está. Decidirão o que quiserem lá sem a nossa presença, sem a nossa legitimação”, disse o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que a decisão dos partidos de oposição é “irrevogável” –numa ironia ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que anunciou como “irrevogável” sua renúncia à liderança do PT no Senado, mas acabou permanecendo no cargo.

 

 

Após cartão vermelho, Sarney diz que prefere o cartão branco “da paz”

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Um dia depois de receber um cartão vermelho do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que o cartão de sua preferência é o branco, que simboliza a paz. A declaração do peemedebista foi motivada pelas cobranças dos senadores do PSDB que o questionaram por ter responsabilizado, em entrevistas à imprensa, o partido pela crise que atingiu o Senado.

 

Segundo o presidente do Senado, ele não tem interesse em prolongar a crise. “O meu cartão é o cartão branco, que é o cartão da paz”, afirmou Sarney. A afirmação foi uma resposta ao líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que afirmou que mesmo com o arquivamento das acusações contra o peemedebista no Conselho de Ética, crise ainda continua.

Durante a sessão desta quarta-feira, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que os tucanos não tiveram a intenção de aumentar o potencial da crise, mas agiram em resposta à sociedade.

“A nossa posição sempre foi do começo até o fim a mesma, sem mudanças. Estivemos aqui solicitando que denúncias feitas fosse apuradas, porque elas precisam ser esclarecidas porque no Senado, na vida pública o que se fala lá fora tem que ser respondido aqui dentro”, disse.

O presidente do PSDB voltou a reafirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o principal responsável pela crise do Senado. Guerra afirmou que o presidente fez do PT a grande vítima da crise do Senado.

 
 

“O PSDB não levantou crise e reconhece que o Senado continua em estado de crise. É inconcebível que o Senado viva o julgamento que a opinião publica tem dele. Não é uma coisa real atribuir à imprensa e apenas ela. O presidente Lula é o principal autor da crise e o PT e a vítima da crise que se desenvolveu aqui”, afirmou.

Segundo Guerra, a postura do presidente Lula durante o desenrolar da crise, mostrou que o presidente se considera acima das instituições e tentou “enlouquecer” o PT. “Se o presidente Lula reclama da imprensa, da Justiça e do Senado é porque se julga personalidade acima do bem e do mal. E fez o mesmo neste episódio. Primeiro fez a defesa pública de Sarney, depois disse que a crise era do Senado, nessa atitude de enlouquecer o PT, que não resolveu seu problema porque está ligado a partidos republicanos e ao mesmo tempo tem ligações históricas com movimentos sociais”, disse.

Cartão vermelho

Ontem, Suplicy utilizou a tribuna do Senado para cobrar novamente o afastamento de Sarney do comando da instituição. Em protesto contra o arquivamento das acusações contra o peemedebista no Conselho de Ética, o petista levantou um cartão vermelho, o que provocou um bate boca com o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

Os dois ficaram em uma sucessiva troca de acusações. A confusão teve início depois que Fortes ironizou o cartão vermelho apresentado por Suplicy a Sarney, o que levou o petista a também apontar o cartão para o senador do DEM.

Brincadeiras

Hoje, o cartão vermelho de Suplicy para Sarney virou motivo de brincadeira entre os senadores. Durante a análise do projeto de reforma política nesta quarta-feira, o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Flexa Ribeiro (PSDB-PA), recorreu à ideia do petista para tentar acelerar sua fala sobre a proposta.

“Senador Suplicy, acelere a sua fala, se não teremos que dar cartão vermelho pro senhor nesta comissão”, disse Ribeiro.

 

 

 Suplicy apresenta “cartão branco”

 depois que Sarney explicar denúncias

Depois de mostrar o cartão vermelho ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse nesta quarta-feira que só está disposto a mostrar o “cartão branco da paz” ao peemedebista depois que ele esclarecer todas as denúncias que acabaram arquivadas pelo Conselho de Ética da Casa. Sarney disse hoje, em resposta ao cartão de Suplicy, que o cartão de sua preferência é o branco –que simboliza a paz.

Para Suplicy, as explicações de Sarney não foram convincentes para que ele continue no comando da instituição sem que as denúncias contra sejam investigadas. “Eu sou muito favorável ao cartão branco da paz, mas para que se realize a paz, necessitamos da inteira verdade, com base na realização da justiça e com os procedimentos todos desvendados”, afirmou Suplicy.

O petista disse que vai ter “prazer” de mostrar o cartão branco a Sarney depois que o presidente do Senado decidir seguir as suas “orientações”. Suplicy disse que, neste momento, daria o cartão vermelho somente a Sarney, mas não ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva –como foi cobrado ontem no plenário da Casa pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

“Agora eu não daria o cartão vermelho ao Lula. O que eu quero é colaborar para demonstrar a ele que alguns procedimentos do senador Sarney não foram os melhores. Em algumas ocasiões, o senador Sarney vai além da conta”, afirmou.

Em rápido pronunciamento no plenário, Sarney disse hoje que o seu cartão preferido é o branco, depois de ser questionado por senadores do PSDB sobre sua afirmação à imprensa de que o partido é responsável pela crise que atingiu o Senado. “O meu cartão é o cartão branco, que é o cartão da paz”, afirmou.

Suplicy mostrou o cartão vermelho ao senador ontem durante pronunciamento no plenário do Senado em que cobrou a renúncia de Sarney. Irritado, o petista chegou a bater boca com Heráclito depois que o senador lhe disse que ele não estava sendo “sincero” ao criticar Sarney.

Música

Bem-humorado, Suplicy cantou trechos de duas músicas ao ser questionado por jornalistas sobre a trilha sonora que marca o atual momento do Senado. “Tristeza não tem fim, felicidade sim. A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor…”, cantou o senador ao lembrar trecho da música “A Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Suplicy emendou com outro trecho da música “Manhã de Carnaval”: “manhã, tão bonita manhã, a vida, uma nova canção”. Depois, ao ser questionado sobre a trilha sonora que deve simbolizar a entrega do cartão branco a Sarney, o petista emendou: “bandeira branca amor, não posso mais…”.

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