Presidente do Federal Reserve deu discurso lido como mais duro pelo mercado em relação à inflação, mudando apostas sobre juros
O dólar caía 0,05%, cotado a R$ 5,075, por volta das 9h15 desta segunda-feira (29), rondando a estabilidade, com o real ainda beneficiado por um fluxo de entrada de investimentos estrangeiros apoiado nas expectativas positivas do mercado para países exportadores de commodities.
Entretanto, a moeda norte-americana é beneficiada pelas mudanças de apostas dos investidores em relação aos juros dos Estados Unidos após o discurso do presidente do Federal Reserve Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole.
Powell destacou que a alta de juros de setembro dependerá dos dados sobre a economia, mas que os números de julho não são suficientes sozinhos para indicar uma queda da inflação nos Estados Unidos.
Ele reforçou que a política monetária do país precisará ser restritiva por mais tempo para reduzir os preços.
Os comentários de Powell foram considerados duros em relação à inflação, reforçando apostas em uma elevação de juros de 0,75 ponto percentual em setembro, que seria a terceira consecutiva nessa magnitude. O cenário é benéfico para o dólar, mas ruins para as bolsas em todo o mundo.
A divisão atual no mercado gira em torno da próxima reunião de política monetária, em setembro.
Para alguns, o banco central será menos agressivo, com alta de 0,5 ponto percentual, para impactar menos a economia do país. Outros apontam que a economia ainda está aquecida, em especial o mercado de trabalho, permitindo uma elevação mais agressiva, de 0,75 p.p.
O Banco Central realizará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 3 de outubro de 2022.
Na sexta-feira (26), o dólar caiu 0,62%, a R$ 5,079, com recuo de 1,73% na semana. Já o Ibovespa teve queda de 1,09%, aos 112.298,86 pontos, encerrando a semana com alta de 0,73%.
Sentimento global
A aversão global a riscos dos investidores, desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, tem variado de intensidade dependendo das expectativas sobre o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.
O processo de elevação da taxa norte-americana continuou em julho com uma nova alta de 0,75 ponto percentual. Entretanto, o Federal Reserve sinalizou que poderia realizar altas menores conforme a economia do país já dá sinais de desaceleração, buscando evitar uma recessão.
Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.
Os investidores monitoram ainda a situação da economia da China, que também dá sinais de desaceleração ligados a uma série de lockdowns em cidades relevantes. A expectativa é que o governo chinês intensifique um esforço para estimular a economia, enquanto enfrenta dificuldades para reverter um quadro de baixo consumo pela população, que impacta a demanda do país por commodities.
No cenário doméstico, a PEC dos Benefícios, que cria ou expande benefícios sociais com custo estimado em R$ 41 bilhões, foi mal recebida pelo mercado, já que reforça o risco fiscal ao trazer novos gastos acima do teto.
Mesmo assim, o Ibovespa e o real encontraram espaço para recuperação com uma melhora de humor do mercado, ainda podendo ser prejudicados caso haja uma retomada do pessimismo.
Fonte: Agência Brasil














