
O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (08/05) que os Estados Unidos vão se retirar do tratado nuclear com o Irã, que ele considera “o pior acordo da história”.
O líder norte-americano ignorou os apelos de seus parceiros europeus para a permanência dos EUA no pacto fechado em 2015 entre o Irã e as cinco potências com direito de veto no Conselho de Segurança (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia) e a Alemanha.
Nas últimas semanas, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, foram a Washington para tentar convencer Trump a manter seu país no acordo. Nessa segunda-feira (7), foi a vez do ministro britânico do Exterior, Boris Johnson, ir a Washington se reunir com autoridades do governo americano para enfatizar a posição dos parceiros europeus.
Trump vinha exigindo, sem sucesso, modificações no acordo fechado pelo seu antecessor, o ex-presidente Barack Obama, que prevê o alívio das sanções internacionais ao Irã em troca de um maior controle sobre seu programa nuclear.
O presidente havia dito que, para que os EUA não abandonassem a aliança, os parceiros europeus deveriam “consertar os problemas” do tratado. Mas as conversas entre os EUA e seus aliados na Europa parecem ter chegado a um impasse.
Impacto econômico
Com a saída do acordo, o alívio de sanções ao banco central iraniano e aos negócios no setor petrolífero serão revogados, um dos pontos-chave do acordo, restringindo ainda mais a combalida economia do país. A moeda iraniana perdeu cerca de um terço de seu valor em seis meses, antes que as autoridades em Teerã adotassem a medida drástica de fixar a cotação do rial iraniano ao dólar.
O abandono do pacto terá também consequências globais, aumentando as tensões no Oriente Médio. Os Estados Unidos não chegaram a acusar o Irã de não cumprir com suas obrigações dentro do acordo, mas rejeitam uma cláusula que permite a volta do país a desenvolver algumas partes de seu programa nuclear a partir de 2025. Washington critica também o apoio iraniano ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, ao grupo xiita Hisbolá no Líbano e aos rebeldes xiitas houthi no Iêmen.
Sinais de Teerã
A decisão dos EUA abandonarem o pacto ganhou ainda mais força após a nomeação de John Bolton – um ferrenho crítico do acordo nuclear – como assessor de Segurança Nacional da Casa Branca e de Mike Pompeo como secretário de Estado.
Ambos defendem uma postura diplomática mais agressiva de Washington não apenas na questão do acordo com o Irã, mas também, por exemplo, na imposição de sobretaxas às importações americanas de aço e alumínio, que gerou atritos com parceiros comerciais dos EUA, entre estes, a China e o Brasil.
O presidente iraniano, Hassan Rohani, reconheceu: seu país poderá enfrentar dificuldades caso os EUA abandonem o acordo. “É possível que tenhamos que enfrentar alguns problemas durante dois ou três meses, mas vamos superar tudo isso”, afirmou.
Ele acenou que seu país continuará disposto a colaborar com a comunidade internacional, independentemente da decisão tomada por Washington. “A base de nossa política externa são as relações construtivas com o mundo”, disse Rohani. “Se estivermos ou não sob sanções, vamos nos manter em pé por nossos próprios meios.”
Anteriormente, o presidente iraniano havia dito que os americanos enfrentarão um “arrependimento histórico” se saírem do acordo nuclear com o Irã.