Ana Paula foi vista pela última vez em um ponto de ônibus perto de casa, em junho de 2016; polícia mantém andamento da investigação em sigilo.
Há um ano, Ana Paula de Carvalho Lopes, à época com 15 anos, saiu de casa com destino a uma festa e não voltou. Foi vista pela última vez na tarde de um sábado por vigilantes do condomínioonde os pais moram e são caseiros. Era 25 de junho de 2016, e a angústia daquela tarde ainda não passou. “Espero encontrá-la. É meu sonho, desejo. De uma forma ou de outra”, disse o pai Paulo Carlos Lopes, 53 anos.
A mãe Luciene Lopes, 43 anos, falou com a filha minutos antes, quando a garota se arrumava. Ana se mostrava indecisa sobre sair ou não, mas sem motivo aparente, conforme mencionado pela mãe e pelo irmão em depoimento à polícia.
“Eu rezo todos os dias, não esqueço dia nenhum. A gente quer uma notícia, seja boa ou seja ruim. Ela falou comigo que se não voltasse à noite, retornaria no dia seguinte, mas tinha o costume de passar o final de semana na casa da amiga”, disse a mãe.
A adolescente esperava o pai da amiga, que as levaria a uma festa, e não foi vista mais. Quando este chegou ao local marcado, a adolescente já não estava e o celular dava sinal de desligado, conforme a família. O boletim por desaparecimento foi registrado na manhã seguinte, dia 26 de junho de 2016. Duas amigas relataram aos investigadores que enviaram mensagens à adolescente por meio de uma rede social, as quais foram visualizadas e não respondidas na data.
Colegas de sala, da escola e funcionários, vigias do residencial, além de parentes, foram chamados para depor na abertura do inquérito. De lá para cá, a família não recebeu nenhum contato da adolescente, nem evidências de onde possa estar. No caminho, dois trotes geraram apreensão.
A polícia colheu relatos que descrevem a adolescente como engraçada, aparentemente tímida, responsável e envolvida com os estudos. Nos termos de depoimento e informação a que o G1 teve acesso surgiram nomes de novos colegas, conversas sobre namoro, mas nada que defina o paradeiro da garota. Para uma das amigas ouvidas pela polícia, uma saída espontânea de casa não seria condizente com o comportamento de Ana.
O pai acredita que a filha foi vítima de um crime. “Eu creio que ela foi apanhada à força ou convencida a entrar no carro”, disse Lopes, que pondera ter esperança de reencontrá-la. “Quero que volte para casa e dizer o quanto a amo”, completa.
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Ponto de ônibus onde Ana Paula foi vista pela última vez em junho de 2016 (Foto: Flávia Cristini/G1)
Ele se refere a um veículo suspeito flagrado pela câmera de um ônibus no ponto onde a filha desapareceu. Segundo Lopes, ele esteve pessoalmente na garagem da empresa e viu a gravação, mas a placa não pode ser identificada. As imagens já foram analisadas pela Polícia Civil, que, em julho do ano passado, afirmou que a jovem poderia estar dentro do carro.
No mesmo ponto, horas antes do desaparecimento de Ana, uma jovem ouvida no caso disse ter se sentido intrigada e nervosa ao ser abordada insistentemente por um homem que oferecia carona. O relato consta em documentos da investigação, mas não há relação confirmada. Na tarde do desaparecimento, o vigilante responsável pela ronda não viu nenhum carro suspeito, conforme relatado à polícia.
Passado um ano, a polícia mantém o caso em sigilo, e o G1 não teve o pedido de entrevista referente ao inquérito atendido. O resultado de perícias em linhas de celulares não foi divulgado pela corporação. Segundo a Polícia Civil, a delegada responsável e a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida não comentam sobre a investigação.
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Cartaz com data em que a queixa de desaparecimento foi registrada pela família de Aana Paula (Foto: Flávia Cristini/ G1)
O pai de Ana disse que idas à delegacia são constantes, praticamente um vez por semana. “Eu sei que a polícia está trabalhando, mas estamos sem solução. A gente fica na ilusão e nunca vem uma coisa concreta, pra aliviar a dor”, disse.
Adolescentes desaparecidos em MG
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que, cerca de 40% dos desaparecidos no estado são adolescentes, de 12 a 17 anos, e que a maioria dos casos se dá por conflitos familiares ou envolvimento com infrações criminais.
No último ano, 9.084 pessoas tiveram o desaparecimento registrado em Minas, de acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Do total, 3.472 têm idade entre 12 e 17 anos. Em 2016, 4.843 pessoas foram localizadas no estado.
De janeiro a abril de 2017, foram registrados 3.049 casos, sendo que 1.118 são referentes a adolescentes. Neste ano, 1.694 pessoas foram encontradas. A polícia ressalta que é importante fazer o registro da localização quando a pessoa retorna ao lar.
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Ana Paula Carvalho Lopes deve ligar para a Polícia Civil no telefone 0800 2828 197. A ligação é gratuita e não é preciso se identificar.
FONTE: G1














